
Na instalação de Cildo Meirelles, notas de 1 mil Cruzeiros têm a figura de Pedro Álvares Cabral carimbada e o título da exposição
Nesta semana o Museu da Língua Portuguesa (MLP) inaugurou sua nova exposição temporária, tendo o escritor modernista Oswald de Andrade (1890 – 1954) como tema. Em Oswald de Andrade: o culpado de tudo, reconstitui-se a trajetória do polêmico escritor, um dos criadores da Semana de Arte Moderna de 1922 – e o primeiro paulista a ganhar exposição no MLP. “Escolher Oswald de Andrade é aceitar tudo o que há nele de controvertido, de provocador, e também de contemporâneo”, diz José Miguel Wisnik, curador da exposição, músico e livre docente em literatura brasileira pela Universidade de São Paulo.
A exposição é dividida de acordo com as fases de vida e obra do autor. O poema “As quatro gares” guia a introdução, seguida do espaço “As mulheres”, dedicado à relação de Oswald com suas parceiras – ele foi casado com Tarsila do Amaral e Patrícia Galvão, a Pagú. “Suas paixões eram de vida e obra. O que ele vivia no processo criativo estava ligado a suas escolhas amorosas”, afirma Wisnik. A exposição tem ainda paineis de fotos de época, em movimento, reconstituindo a vida de Oswald e o momento histórico do qual ele fez parte. As outras seções da mostra são Semana de Arte Moderna e Pau Brasil; Descoberta do Brasil e Língua Pátria (com poemas de Oswald). Mas até os banheiros viraram espaço expositivo.
Do lado de fora do MLP, uma faixa de néon onde se lê “Oswáld” – com acento, para marcar a pronúncia correta do nome do escritor – trata de incluir o prédio da Estação da Luz na exposição. “Ela está muito ligada à obra do Oswald, que foi um viajante. A exposição mostra Oswald, mas também expõe o prédio da Estação da Luz e o Museu da Língua”, afirma Wisnik. Segundo ele, o néon também remonta à época em que o Centro contava com os melhores hotéis da cidade, além da rodoviária – e de um papel de maior protagonismo no dia a dia da cidade. “A exposição tem esse sensação de pertencimento à cidade dos modernistas, a obra de Oswald e Mario de Andrade e outros”, diz o curador.
Uma curiosidade: o nome “o culpado de tudo” não veio à toa. É assim que o autor denomina Pedro Álvares Cabral em seu livro Dicionário de Bolso. “Oswald foi inventor e redescobridor do país. Agora nós o tornamos culpado também”, afirma Wisnik, numa comparação entre o descobridor do país e o autor modernista.
Fonte:http://colunas.epocasp.globo.com/centroavante/2011/09/30/oswald-de-andrade-no-museu-da-lingua-portuguesa/
Nenhum comentário:
Postar um comentário