sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Livros com bula


Fez 50 anos na terça-feira que O Amante de Lady Chatterley foi "inocentado" por um júri especialmente constituído para julgar se o romance de D.H. Lawrence, consumido clandestinamente na Inglaterra desde sua publicação em 1928, merecia continuar proibido, sob a acusação de "obsceno". Já havia me preparado para brindar aqui o cinquentenário daquela alforria e também a última edição da Banned Books Week (Semana dos Livros Proibidos), celebração anual da liberdade de expressão organizada por livrarias e bibliotecas americanas, quando soube do enquadramento de Monteiro Lobato pelo Conselho Nacional de Educação, e não só desisti do brinde como pus as barbas de molho.
Foi assim: um mestrando da Universidade de Brasília denunciou a obra de Lobato como "racista" à Secretaria de Promoção de Igualdade Racial, ligada à Presidência, que, por sua vez, submeteu a acusação ao crivo dos conselheiros do CNE, e estes sugeriram que Caçadas de Pedrinho e outras aventuras do Sítio do Picapau Amarelo fossem retiradas do acervo do Programa Nacional Biblioteca na Escola. Ou seja, os livros infantis de Lobato, a primeira ponte de várias gerações de brasileiros para a leitura e a fantasia literária, correm o risco de ser banidos das escolas públicas porque certos comentários de Emilia sobre Tia Nastácia ("negra beiçuda". etc.) foram considerados preconceituosos e racistas, nocivos à formação de nossas crianças.
Tsk, tsk. Uma briga da filha de Lobato com a editora Brasiliense impediu a republicação da obra do escritor durante décadas; agora esta.
Não se trata de censura, apressou-se em esclarecer a relatora do parecer do CNE, que, como alternativa à proibição pura e simples, sugeriu a inclusão, nos livros denunciados, de uma nota de esclarecimento sobre a presença de estereótipos raciais, sem o acréscimo, nas capas, de uma tarja preta (epa!, nessa cor não) ou uma letra escarlate ou uma estrela amarela.
O escritor João Ubaldo foi o primeiro dos meus amigos a manifestar-se contra "essa estupidez", "esse atraso mascarado de progresso". Numa troca de e-mails, condenou com veemência a adoção de "certificados e bulas" nos livros aceitos na rede pública de ensino, assim como a necessidade de "explicações do bem", nas salas de aula, por professores com uma visão politicamente correta do preconceito racial no Brasil. E literariamente equivocada, além de paternalista, acrescento eu.
Lobato tem sido patrulhado pelo seu "racismo" desde o tempo em que as brancas eram brancas, pretas eram pretas, mas a mulata era a tal, e qualquer um que trepasse numa árvore, fosse negro, branco ou amarelo, perigava ser comparado a um macaco. Emilia & cia. foram criados antes da metade do século passado; não faz sentido submetê-los, com tamanho rigor, a critérios de avaliação estabelecidos depois da morte do escritor e a pedagogos que enxergam discriminação racial até em locuções como "olhos negros" (autuada em Machado de Assis), "nuvens espessas e negras" (Padre Antonio Vieira), "ideias negras" (Machado, Lima Barreto), "alma negra de tristura" (José de Alencar), "negro espectro" (Gonçalves Dias), "negra insônia" (Castro Alves), "negra ingratidão" (Inglês de Sousa), "negro amor" (Drummond), "a coisa aqui está preta" (Chico Buarque). E o que dizer do Samba do Crioulo Doido, de Sérgio Pôrto?
Mark Twain sofreu muito mais que Lobato. As Aventuras de Huckleberry não foi só tachado, injustamente, de racista, mas também de imoral e "escrito em dialeto ignorante", os motivos mais alegados para proscrevê-lo das bibliotecas americanas, poucas semanas depois de sua publicação, em março de 1885. O clássico de Twain, que ainda figurava entre os dez livros mais proibidos de 2007, ao lado de romances de Faulkner e Salinger, é um eterno perseguido pela intolerância ideológica e a mesquinhez analítica, como o Shakespeare de O Mercador de Veneza, acusado de antissemitismo, inclusive por um fanático admirador do Cisne de Avon, Harold Bloom (nessa polêmica eu fecho com a visão mais nuançada que James Shapiro tem de Shylock, o paradigmático agiota da peça), e o Joseph Conrad de O Coração das Trevas, demonizado como racista por vários intelectuais africanos que tinham e têm a obrigação de conhecer melhor a cultura vitoriana em que o romance foi gerado.
Lobato, portanto, não está em má companhia.
Se nos fiarmos nos estudos acadêmicos sobre "racismo na literatura brasileira" de que volta e meia tomo conhecimento, alguns valiosos, a maioria paranoica e bocó, raríssimas obras escapariam de um enquadramento na Lei Afonso Arinos. Mesmo os mulatos Machado de Assis e Lima Barreto, como já vimos, a infringiram; idem o Manuel Antônio de Almeida de Memórias de Um Sargento de Milícias (difícil imaginar este marco da prosa nacional com a advertência: "Cuidado! Este livro contém alusões de fundo racista"), o Raul Pompéia de O Ateneu, passando até pelo poeta negro Cruz e Sousa, useiro e vezeiro no uso do adjetivo negro como sinônimo de triste, lúgubre, funesto, lutuoso.
Essa polêmica em torno do "racismo" de Lobato me fez lembrar de um artigo de Jorge Mautner acusando Noel Rosa de "antissemita", que, aliás, só ganhou fama por ter sido desancado por Millôr Fernandes. A prova do antissemitismo de Noel seria o "judeu da prestação" aludido num de seus sambas. O labéu não colou. A sensatez popular uma vez mais prevaleceu sobre a estupidez letrada. Que Lobato tenha a mesma sorte. 
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,livros-com-bula,635391,0.htm

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Livros de dar água na boca


A editora Senac fecha o ano com dois lançamentos de encher os olhos - e as mãos. 100 Grandes Chefs Contemporâneos Escolhidos por 10 Mestres Internacionais é um "must-have" por conta da polêmica levantada quando foi lançado no Reino Unido, em 2009.
Editado pela inglesa Phaidon Press, o livro dá voz a dez chefs que selecionaram, cada um, seu próprio "top 10" de cozinheiros. Entre os arautos estão Ferran Adrià, Alain Ducasse, Alice Waters, Mario Batali, Gordon Ramsay e até René Redzepi, o überchef do Noma, em Copenhague, o número um do mundo.
A editora deixou os chefs à vontade para eleger quem quisessem. Escolhidos os cem nomes (por isso a coleção da Phaidon tem o nome 10x10), cada curador faz a apresentação de seus eleitos. Na sequência, fotos do chef e pratos icônicos da carreira, com receita.
Alex Atala está entre os eleitos (é o único da América do Sul), mas a balança pende para o lado dos europeus. Há distorções inevitáveis, como Gordon Ramsay escolher, entre seus dez chefs preferidos,seis britânicos,e Ferran Adrià mencionar pelo menos três chefs que passaram pelo elBulli. A revista NewYork reclamou da "ausência" de talentos nova-iorquinos. E as mulheres apareceram pouco: apenas 11.
Existem outras leituras. Se for verdadeiro o ditado"é preciso ser particular para ser universal", então há justiça na eleição sentimental de cada mestre. O que parece defeito vira virtude, por retratar um instantâneo que revela o que hoje os grandes chefs sentem apontar para o futuro. O mesmo Adrià que listou cinco espanhóis lembrou-se do moscovita Anatoly Komm, do Green.It, proclamando que "o futuro da gastronomia está na Rússia". Pelos depoimentos e textos em primeira pessoa, deve virar obra de consulta.
Outro livro recém-lançado pela editora Senacé a versão em português de Doces, da lendária doceria Ladurée. Vem em uma caixa e embrulhado em papel de seda. Tem capa de camurça almofadada e folhas de bordas douradas. A obra, que também acaba de ser traduzida para o inglês, traz cem receitas clássicas da maison aprimoradas pelo confeiteiro Philippe Andrieu. Estão lá os caramelos, a tarte tatin e o mil-folhas que fazem a fama da doceria de 1862. Quem conhece a Ladurée vai ficar entusiasmado com as receitas dos macarons. Pena que muitos ingredientes são difíceis de achar aqui, caso do ruibarbo, e que itens essenciais, como açúcar, aparecem de forma ultrarrefinada, o "sucre semoule"(açúcar impalpável, com amido de milho). O outro problema: quem vai ousar levar para o fogão um livro tão bonito?
Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos%20paladar,livros-de-dar-agua-na-boca,4251,0.htm

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Pirataria de livros preocupa na Argentina


As cópias falsas estão cada vez mais sofisticadas na Argentina
O aumento do número de casos de pirataria literária na Argentina, com cópias cada vez mais sofisticadas, preocupa a indústria de livros do país.
"É um fenômeno que está crescendo. Talvez não seja tão visível como é no Peru, onde a economia informal é intensa. Mas a pirataria de livros está crescendo na Argentina e também no Chile", disse à BBC Brasil o porta-voz da editora Santillana, Augusto di Marco.
Segundo ele, os falsificadores estariam explorando brechas nas leis argentinas e chilenas - mais duras com a pirataria do que as de outros países sul-americanos - para ampliar seus negócios.
Especula-se no setor editorial que esta produção regional poderia chegar a 10% ou 15% do volume da indústria de livros.
Qualidade
Os livros falsificados são vendidos no varejo até 50% mais baratos do que cópias oficiais, segundo cálculos da Câmara Argentina do Livro, e o leitor não sabe, muitas vezes, que está comprando um produto ilegal.
"Quando você compra um DVD na rua sabe que está comprando algo pirata. Mas isso não acontece com o livro. Nós percebemos quando ele é falso, mas o leitor talvez não", afirmou Di Marco. A produção marginal não se limita a fotocópias, mas a impressão quase idêntica das obras.
Os detalhes da falsificação são quase imperceptíveis, como a qualidade do papel e páginas que foram coladas em vez de costuradas, por exemplo. Por isso, editores acreditam que exista uma "indústria" que vem se aperfeiçoando nesta produção e encontrando mercado fértil entre os leitores.
"Não acredito que a leitura esteja aumentando e que esta seja a razão do incremento da pirataria. Mas aqui na Argentina o nível de leitura é alto, e a classe média costuma ler bastante. Na prática, existe um mercado (paralelo) possível", afirmou.
Pelo nível da qualidade da produção, a polícia argentina acredita que poderia ser uma ação de especialistas.
"É preciso conhecer este processo industrial. E não é qualquer um que consegue comprar papel", completa Di Marco.
Apreensão
Especialistas dizem que Buenos Aires, a capital do país, mantém a tradição da leitura e possui um dos maiores índices de livrarias per capita da América do Sul. Ao mesmo tempo, a produção de livros vem crescendo, mesmo na era da internet, de acordo com dados da Câmara do Livro.
Segundo a polícia argentina e a Câmara, os exemplares mais copiados são Best Sellers ou livros com público alvo certo.
No fim de semana, a polícia argentina (Gendarmeria) fez a maior apreensão de livros ilegais até hoje no país ao descobrir um depósito, em Buenos Aires, com 130 mil livros falsos, cotados em cerca de 11 milhões de pesos (cerca de R$ 5 milhões).
Os livros eram de autores como o colombiano Gabriel García Márquez e o argentino Julio Cortazar, incluindo ainda Minha Luta, de Adollf Hitler, e o modelo, preparado para a impressão, de Mafalda, do cartunista argentino Quino.
As investigações do caso vão continuar, já que ainda não foi localizada a gráfica onde estes livros foram feitos.
No ano passado, após denúncia da Câmara Chilena do Livro, a polícia do país apreendeu 2 mil livros prontos para serem distribuídos no mercado e 30 mil preparados para serem impressos numa gráfica clandestina de Santiago.
Eram exemplares de livros de Isabel Allende e de Jorge Edwards, entre outros mais vendidos no país e no exterior. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC. 
Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,pirataria-de-livros-preocupa-na-argentina,637868,0.htm

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Livros para beber


Um século antes de o governo brasileiro estudar a obrigatoriedade de advertências sobre o consumo do álcool em anúncios publicitários, o escritor Leon Tolstoi (1828-1910) criava, na Rússia, o que poderia vir a ser o primeiro alerta da história sobre os malefícios da bebida, a ser colocado em garrafas de vodca: um rótulo com uma caveira, ossos cruzados e a palavra "veneno".
Piotr Arsênievich Smirnov,  fundador da Smirnoff - Divulgação
Divulgação
Piotr Arsênievich Smirnov, fundador da Smirnoff
Àquela altura, em 1909, o governo russo detinha o monopólio da vodca no território, de modo que o esforço de reduzir os altíssimos níveis de alcoolismo no país não vingou, com a rejeição do selo pelo Conselho Imperial. Ele próprio um ex-boêmio de primeira, Tolstoi passou a pregar a abstinência após viver uma crise religiosa. Culpava o álcool por 90% dos crimes e pela perda da virgindade de metade das mulheres na Rússia, em coro com o amigo Anton Chekhov (1860-1904), que se referia aos produtores do destilado como "mascates de sangue do diabo".
Criado como produto medicinal no século 16, a vodca já era a beberagem favorita dos russos quando, na metade do século 19, o jovem Piotr Arsênievich Smirnov iniciou o maior império da bebida no país. Foi a partir da saga desse servo quase analfabeto que comprou a própria liberdade e construiu a mais famosa marca de vodca do mundo, a Smirnoff, que a jornalista norte-americana Linda Himelstein escreveu O Rei da Vodca, lançado no fim do ano por aqui.
Mudanças profundas. A trajetória da empresa serve apenas como fio condutor de uma história de costumes, cultura e política da Rússia ao longo dos últimos séculos. "Não queria escrever um livro de negócios. Queria contar a história fabulosa dessa família que conheceu todos os níveis de uma sociedade imersa em mudanças profundas", diz a autora por telefone ao Estado, de São Francisco.


Foi uma dessas mudanças profundas que fez Linda perceber a boa história que tinha em mãos. Em meados dos anos 90, um representante da família Smirnov nos Estados Unidos procurou a autora, então editora da revista Business Week, com um caso curioso. Com a extinção da União Soviética, um grupo de descendentes de Piotr Smirnov havia entrado na Justiça para reaver os direitos da marca de vodca mais vendida no mundo.
A empresa milionária criada pelo ex-servo tinha sido extinta na Rússia depois da Revolução de 1917. Refugiado na França, nos anos 30, um dos filhos de Smirnov, Vladimir, vendeu para o também exilado russo Rudolph Kunett a licença para vender a bebida nos EUA. Acontece que Vladimir já não tinha direitos sobre a marca ao fechar o negócio. Anos antes da Revolução, havia passado suas ações para o irmão mais velho, Piotr Pietróvich. Kunett fez da Smirnoff (com o nome ocidentalizado, com dois "f" em vez do "v") uma das marcas de bebida mais consumidas no mundo numa época em que o regime comunista tornava impensável uma empresa em seu território fazer o mesmo.
O artigo de Linda sobre o caso saiu em 1996. Três anos depois, a Justiça rejeitou as reivindicações dos Smirnov, já que foi o trabalho de Kunett que tornou a marca conhecida no Ocidente. Em 2005, durante pesquisas na Rússia, Linda conheceu alguns dos descendentes de Piotr Smirnov. Foi com surpresa que descobriu que, muito simples, eles pouco sabiam da história do antepassado que rompera todas as barreiras sociais para criar um império. Por ironia do destino, boa parte dos Smirnov havia voltado às classes mais baixas da sociedade, das quais Piotr batalhara a vida toda para sair.
Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,livros-para-beber,664472,0.htm



quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Unesp vai traduzir livros em chinês

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) e o Instituto de Estudos Latino-Americanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS) assinaram um acordo de cooperação. Vários textos e obras dos dois países serão traduzidos para o mandarim e para a língua portuguesa. O acordo foi assinado durante a 5.ª Conferência dos Institutos Confúcio, que são órgãos ligados ao governo chinês que têm o objetivo de divulgar a cultura chinesa em universidades estrangeiras. A Unesp é a única instituição de ensino superior do Brasil a manter o instituto chinês. Mais informações: www.unesp.br. 
Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,unesp-vai-traduzir-livros-em-chines,658547,0.htm

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Literatura vai de menos 1 a 40 graus


Bem interessante. Enquanto a Flip foi dominada pelo escritor português walter hugo mãe, conquistando homens e mulheres, a Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, que continua sendo o maior evento do Brasil e da América Latina, girou em torno do talento e do carisma de outro português, Gonçalo Tavares. Tranquilo, simples, ele foi "comendo" todo mundo pelas beiradas, como se diz por aqui.
Na mesa sobre identidade, literatura e cultura na globalização, foi o único a fazer um depoimento atual, consciente, lúcido, ao contrário do celebrado (e decepcionante) Luiz Costa Lima, que se julga em altíssima conta e desprezou a Jornada e os participantes dormindo no palco, diante de 6 mil pessoas, e dando um depoimento pífio. Ao acordar, atrapalhou-se com suas anotações, disse que as tinha esquecido no hotel. Não tinha nada a dizer. Ensaísta à antiga que fala em linguagem hermética, vazia. Plateia monumental, professoras e estudantes, 18 mil crianças na Jornadinha, ouvindo e conversando com autores infantis. Ninguém bate Passo Fundo. Mauricio de Sousa dominou a cena, crianças de todo o Brasil o conhecem, adoram.
Neste momento há pelo Brasil dezenas de feiras (acaba uma, começa outra) e bienais e encontros. Saí de São Joaquim da Barra, interior de São Paulo, onde a prefeita Maria Helena Borges Vannuchi, obstinada e interessada em cultura, insiste em manter uma feira de livros com gente de primeira linha, e parti para Passo Fundo (-1°C na abertura da festa e vento minuano varrendo), norte do Rio Grande do Sul. Segui para o Piauí, para o terceiro Salipa, Salão Literário de Parnaíba (40°C à sombra), na boca do maravilhoso delta que separa aquele Estado do Maranhão. Hoje estou na 2.ª Filmar, Feira Literária de Marechal Deodoro, ao lado de Maceió. O sol come. Livros e literatura por toda a parte. Segunda-feira desço ao interior do Paraná para falar nos Sescs de Cascavel, Pato Branco, Fernando Beltrão e Foz do Iguaçu.
Em São Joaquim da Barra, a pamonha deliciosa e delicada, vendida num duas portas em frente da Feira, me provoca água na boca. Duas equivalem a um jantar. No Piauí, doce Estado, há o arroz Maria Isabel, o Capote, o queijo de coalho, a caranguejada. Em Passo Fundo, há a gastronomia dos Biazis, Alcir e Lisete, secundados pelo Serafim Lutz, com saladas inventivas, pernis, massas, filés e picanhas, costelas, matambres, num estilo sulino afetuoso. Alimentar com qualidade mil pessoas é tarefa de competentes. Sentar-se à mesa servida pelo garçom Otavio é privilégio. Com seus cabelos brancos e sabendo tudo, faz você parecer o mais VIP dos clientes, seja VIP ou não. E o que é VIP, afinal? As refeições no Clube Comercial eram no fim de noite, com conversas, papos cabeça, fofocas, informações, vinhos, todos juntos. Esse é o diferencial da Jornada, aglutina pessoas, momentos em que todos se juntam. Os irmãos Caruso, Chico e Paulo, cartunistas e músicos, estão na mesa com Gonçalo Tavares e Affonso Romano de Sant"Anna. Edney Silvestre, um dos mais procurados pelos leitores, juntava-se a Tatiana Salem Levy e à professora Maria Esther Maciel. Marcia Tiburi, filósofa, conversava com Peter Hunt, enquanto Eliane Brum juntava-se a Rinaldo Gama, que foi o único que se preparou convenientemente com uma bela fala para a mesa da comunicação do impresso ao digital. O comer é o momento em que todos se juntam, em lugar de se espalharem em busca de restaurantes espalhados pela noite afora.
A mesa final de Passo Fundo, formação do leitor contemporâneo, provocou incêndio. Alberto Manguel irritou-se com a inglesa Kate Wilson, amável mulher, que levou um projeto de livros em computador, em tablets, ainda em fase de implantação e discussão. Manguel se acha o dono da verdade do livro em forma de livro. Tablets, e-books, iPads são dignos da excomunhão. Arrogante, destratou aos gritos o americano Nick Montfort: "Não tenho e-mail, não uso computador". Para ele significam a deformação do leitor, não uma das formas para se conseguir sua formação. Crente de que é uma grande pessoa, guardião do livro em papel, Manguel partiu com patadas para cima da inglesa que, todavia, sabe espanhol, e respondeu à altura. Manguel, que vem escrevendo e reescrevendo os mesmos livros, tem de encontrar, urgentemente, as portas do século 21, desembarcar neste milênio, e ser mais gentil, admitir que a informática veio para ficar. Uma anedota circulou pela Jornada. Dizem que Manguel foi leitor de Borges. Ao fim de cada leitura, Borges acentuava: "Leu, pode ir embora, não me dê nenhuma opinião". Ao menos, a argentina Beatriz Sarlo, figura exponencial, estava na mesa, deu o tom de grandeza, ao lado de Affonso Romano.
O que importa é que literatura, misturada a música, informática e teatro, está sendo discutida em todo o País. Nunca, como hoje, houve tantas feiras e eventos em torno do livro, leitura, formação de leitores. Discussões, debates e buscas de caminhos. A Jornada de Passo Fundo chegou aos 30 anos, milhares de professores passaram por ela, milhares de crianças. A Jornada é a única que não se esgota assim que termina. Aí é que ela começa, com a multiplicação de ideias, conversas, aprendizados, vindos das oficinas, seminários, cursos, aulas paralelas, infinitas, atualizadoras. Recomeça quando acaba. Para culminar, premiou-se João Almino, grande autor com o seu Cidade Livre. O Bourbon Zaffari é o maior prêmio literário privado da América latina. Diplomata de carreira, autor por paixão, Almino levou um susto com o tamanho da Jornada e voltou à Espanha apaixonado. 
Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,literatura-vai-de-menos-1-a-40-graus,770196,0.htm

terça-feira, 20 de setembro de 2011

11 de Setembro influencia imaginário literário


   SÃO PAULO - Além dos filmes, a literatura também ganhou criações relacionadas aos atentados de 11 de Setembro. Entre ficções, estudos e análises, veja um roteiro de obras para entender os ataques e suas consequências dentro e fora dos Estados Unidos.
Ficção
Alá Superstar, de Yassir Benmiloud (pseudônimo de A.H. Anagrama, 2003)
O protagonista, Kamel Hassani, filho de pai argelino e mãe francesa, quer triunfar na sociedade do espetáculo com um stand up burlesco e irônico: "(...) também entendo os garotos muçulmanos que se expressam montando rodeios com aviões roubados, mas é verdade que poderiam ter o detalhe de não estacionar-los no chão... Claro que tampouco é fácil encontrar lugar para estacionar um Boing em Manhattan em pleno mês de setembro".
As sirenas de Bagdá, de Yasmina Khadra (Sá Editora, 2007)
Livro de autor argelino que escreve sob pseudônimo de mulher. No Iraque invadido pelas tropas norte-americanas, jovem precisa abandonar estudos em Bagdá para fugir da guerra. Decide, então, entrar para um grupo terrorista, que planeja ataque com armas biológicas na Europa.
Extremamente alto e incrivelmente perto, de Jonathan Safran Foer (Rocco, 2006)
História de menino de 9 anos que perde pai nos atentados.
Homem em queda, de Don DeLillo (Companhia das Letras, 2007)
Sobrevivente dos atentados tenta reconstruir sua vida após perder a mulher e o filho.
O terrorista, de John Updike (Companhia das Letras, 2007)
Adolescente filho de mãe irlandesa/americana e pai árabe se converte ao islã e passa a se envolver com terrorismo internacional.
Estudos e relatos
102 Minutos: A história inédita da luta pela vida nas Torres Gêmeas, de Jim Dwyer eKevin Flynn (Jorge Zahar, 2004)
Colunista e editor do NY Times relatam os atentados desde o ponto de vista das pessoas que estavam nas Torres Gêmeas. Autores relançam versão atualizada da obra, ainda apenas em inglês.
9-11, de Noam Chomsky (Seven Stories Press, 2001)
Autor aborda os precedentes históricos dos atentados e discute os efeitos da guerra contra o terror.
9/11: The World SpeaksLee Ielpi (Lyons Press, 2011)
Reproduções de depoimentos deixados por visitantes no local onde se erguiam as Torres Gêmeas. O autor da coletânea é um bombeiro aposentado que perdeu o filho, também bombeiro, nos atentados.
9/11: Stories of Courage, Heroism and GenerosityTim Zagat (Zagat Survey, 2011)
Diversas histórias sobre os afetados pelos ataques, entre elas o trabalho em equipe feito pelo governador George E. Pataki e pelo prefeito Rudolph W. Giuliani para reerguer a cidade.
O Afeganistão depois do Talibã: onze histórias do 11/9 e a década do terror, deAdriana Carranca (Record, 2009)
Livro reportagem sobre viagem da autora ao Afeganistão.
El ala radical del islam. El islam político, realidad y ficción, de Waleed Saleh Alkhalifa (Siglo XXI, 2007)
Livro descreve diferenças entre movimentos políticos de base islâmica e explica suas relações com causas sócio-econômicas e acontecimentos históricos.
The Arabs: A history, de Eugene Rogan (Penguin Books, 2009)
O historiador e diretor do Centro sobre Oriente Próximo da Universidade de Oxford explica cinco séculos de história do povo árabe, do Império Otomano até a atualidade.
Compreender o 11 de Setembro, de Vasco Rato (Editora Babel, 2011)
Escrito após a morte de Osama Bin Laden, livro explica antecedentes históricos dos atentados.
Coletânea de histórias feita por bombeiro aposentado sobre como viveram algumas famílias das vítimas na última década.
Guerra sem fim, de Dexter Filkins (Companhia das Letras, 2009)
Jornalista relata a experiência como correspondente internacional durante as guerras do Afeganistão e do Iraque.
Contra o fanatismo, de Amós Oz (Ediouro, 2004)
Reflexão irônica sobre o fanatismo político e religioso.
The Fall of Baghdad, de John Lee Anderson (Penguim Books, 2004)
Reportagem literária sobre o final do regime de Saddam Husein e a ocupação norte-americana.
Globalização, democracia e terrorismo, de Eric Hobsbawm (Companhia das Letras, 2007)
Historiador apresenta coletânea com dez palestras em que faz balanço sobre diferentes aspectos da geopolítica internacional.
The Long Shadow of 9/11: America´s response to terrorism, editado por Brian Michael Jenkins e John Godges (Rand Corporation, 2011)
Livro reúne ensaios de 19 autores que discutem os impactos militares, políticos, culturais e sociais do 11 de Setembro nos EUA.
Ódio ao ocidente, de Jean Ziegler (Cortez Editora, 2011)
Sociólogo e relator de Direitos Humanos na ONU por diversos anos fala das razões do ódio ao ocidente capitalista.
Orientalismo, de Edward Said (Companhia das Letras, 2007)
Clássico dos estudos culturais sobre o Oriente Médio, livro analisa a forma como ingleses e franceses retratam o "oriental" nos séculos XVIII e XIX. Mesmo publicado pela primeira vez há mais de 30 anos, obra possui atualidade surpreendente.
Perpetual War for Perpetual Peace, de Gore Vidal (Thunder´s Mouth Press /Nation Books, 2001)
Livro polêmico que acusa George W. Bush de usar os atentados para reprimir os norte-americanos e justificar a invasão do Iraque.
Sobre el terrorismo suicida, de Talal Assad (Laertes, 2008)
Autor analisa discurso antiterrorista e relaciona atrocidades de grupos extremistas islâmicos com outras cometidas por exércitos.
O Vulto das Torres, de Lawrence Wright (Companhia das Letras, 2007)
Discute papel da Al-Qaeda, Osama Bin Laden e dos campos de treinamento de terroristas nos atentados.
Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,11-de-setembro-influencia-imaginario-literario,770471,0.htm

Ciclo de debates celebra 75 anos do clássico 'Angústia'


A vida foi a grande inspiração para o escritor Graciliano Ramos (1892-1953). Ele nasceu em Quebrangulo, interior de Alagoas, onde a água era pouca e a fome, muita. Tais condições talharam sua alma de forma permanente, influenciando sua obra, composta por observações colhidas da vivência pessoal e marcada pela rudeza da paisagem nordestina. Sob um estilo severo de escrever, Graciliano conseguiu um equilíbrio profundo entre a investigação psicológica e a situação social de seus personagens.
É o caso de "Vidas Secas" e "São Bernardo", entre outros, e também de "Angústia", que acaba de ganhar pela Record uma edição especial por conta dos 75 anos de lançamento. A obra traz posfácios de Otto Maria Carpeaux e Silviano Santiago, além de apresentação de Elizabeth Ramos, professora de literatura e neta de Graciliano.
Publicado em 1936, quando o escritor estava preso por conta da arbitrária repressão getulista ao levante comunista de outubro de 1935, "Angústia" tem uma estrutura de autobiografia, o que leva até a considerá-lo como espécie de diário íntimo. Narrado em primeira pessoa, o livro acompanha a rotina de Luís da Silva, funcionário público pobre e rancoroso que, por conta disso, torna a escrita nebulosa e delirante.
"Angústia funda-se na construção da intimidade", escreveu o professor Ivan Teixeira, em artigo publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 2000. "Manifesta-se sob a forma de relato desesperado de um intelectual sem vocação para o crime, mas que, levado pelo ciúme e pelo desejo de justiça, assassina o homem que roubou sua amada. Depois, levado pela necessidade de confissão, escreve a história do próprio crime, em cujo texto projeta a mesma atmosfera de delírio e fragmentação psicológica que praticamente o conduzira à loucura."
Tais características certamente vão ser discutidas no ciclo de debates que começa hoje, a partir das 10h, com entrada gratuita, no prédio de Ciências Sociais e Filosofia da USP (Av. Luciano Gualberto, 315, sala 8), e será aberto com um depoimento do crítico Antonio Candido. O seminário segue depois para outras cidade - detalhes no site 
Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,ciclo-de-debates-celebra-75-anos-do-classico-angustia,775042,0.htm

domingo, 18 de setembro de 2011

Itaú distribui livros gratuitamente


Visando incentivar a leitura de crianças de até seis anos, o banco Itaú promove a "Coleção Itaú de Livros Infantis", em que distribui um kit com quatro livros.
Para receber os exemplares,  os interessados devem preencher um cadastro no site www.lerfazcrescer.com.br . A distribuição é gratuita e ocorre até quando durarem os estoques.
O Itaú todos os anos auxilia no desenvolvimento das ações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Neste ano, a ação está distribuindo cerca de oito milhões de exemplares infantis em todo o Brasil.
Fonte:http://www.agoravale.com.br/agoravale/noticias.asp?id=27177&cod=1
'Birds of America' quebra recorde de livros vendidos em leilão

 
LONDRES (Reuters Life!) - Um dos poucos exemplares em mãos particulares do livro ricamente ilustrado "Birds of America" (Aves da América), de John James Audubon, foi vendido por 7,3 milhões de libras (11,5 milhões de dólares) em Londres na terça-feira, quebrando o recorde de preço de um livro impresso vendido em leilão.
A obra fez parte do leilão feito pela Sotheby's de manuscritos, livros e desenhos da coleção de lorde Hesketh, morto em 1955.
O leilão rendeu cerca de 15 milhões de libras ao todo, segundo o site da Sotheby's, um valor confortavelmente superior à estimativa prévia, de entre 8 e 10 milhões de libras.
Como se previa, o grande destaque foi a monumental obra em quatro volumes de Audubon, uma de apenas 11 cópias dela em mãos particulares. A estimativa prévia era que fosse arrematada por entre 4 e 6 milhões de libras.
O livro foi comprado pelo marchand londrino Michael Tollemache, que fez seus lances no próprio recinto do leilão e descreveu o livro como "de valor inestimável".
Sabe-se da existência de 119 exemplares de "Birds of America". O livro contém mil ilustrações de cerca de 500 raças de aves, e Audubon levou 12 anos para concluí-lo.
Audubon, que morreu em 1851, foi um influente historiador natural. Ele é citado três vezes em "A Origem das Espécies", de Charles Darwin.
(Reportagem de Mike Collett-White) 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Nos livros, o status de 'drama filosófico'


Nem muito ao mar nem muito à terra. Lost começou arrebentando, com uma trama sensacional, original, timing perfeito de suspense, locações e elenco surpreendentes, com uma maioria de caras praticamente inéditas na TV, apesar dos chatíssimos atores que interpretaram os não menos irritantes Charlie, Michael e Walt. Era impossível, para quem se ligou na série desde a primeira hora, desgrudar o olho da tela e controlar a ansiedade pelo episódio seguinte.
Porém, ficou chata, arrastada, cada vez mais enrolada, confusa, beirando o patético. Passou da hora de acabar. No entanto, em termos de cultura pop, não há como negar sua importância como obra de arte televisiva. Nunca um teledrama despertou tantas teorias de intelectuais, gerando diversas publicações, duas delas de teor filosófico, editadas no Brasil, durante suas seis temporadas.
Cada uma delas ganhou guias não oficiais, de uma série intitulada Finding Lost, escrita pelo especialista em televisão americana Nikki Stafford, com análises profundas, comentários e dicas para desvendar os muitos mistérios envolvendo os náufragos do acidente com o voo Oceanic 815.
Em A Filosofia de Lost (Editora Best Seller, R$ 21,10), Simone Regazzoni (pseudônimo feminino do autor) despida dos preconceitos da "cultura erudita", aponta Lost como a série que melhor abordou "temas filosoficamente relevantes", de maneira "intensa e direta, quase provocativa", como nenhuma outra. "Chega a tal ponto que seria possível chamar a série criada por J.J. Abrams e Damon Lindelof de drama filosófico", teoriza. Não por acaso há várias personagens com nomes de filósofos: John Locke, Jean-Jacques Rousseau, David Hume, Jeremy Benthan.
Relacionando a trama à Odisseia, de Homero, e ao Robinson Crusoé, de Daniel Dafoe, William Irwin e Sharon M. Kaye analisam os traços psicológicos das personagens em Lost e a Filosofia (Editora Madras, R$ 39,90).
Há outros títulos menos interessantes, mas o assunto não se esgota com a exibição dos últimos episódios e o lançamento em DVD e Blu-Ray. Já está previsto para 30 de agosto, nos Estados Unidos, o lançamento da Lost Encyclopedia, de Tara Bennett & Paul Terry. Com 400 páginas e mais de 1.500 imagens envolvendo locações, as relações entre personagens e as mitologias em torno da série, o livro já está em pré-venda no site www.amazon.com, por US$ 29,70. 
fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,nos-livros-o-status-de-drama-filosofico,554502,0.htm

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Crimes e livros

They lied, thousands died. Tradução sem rima: eles mentiram, milhares morreram. As mentiras foram as de Bush e dos neoconservadores que usaram a ameaça fictícia das armas de destruição em massa do Saddam Hussein e sua suposta responsabilidade no ataque ao World Trade Center para justificar a invasão do Iraque. Resultado, depois da mais longa guerra da história dos Estados Unidos, que chega ao fim: quase 5.000 soldados americanos e mais de 100 mil iraquianos mortos - não computadas as vítimas dos últimos atentados à bomba no país, que ainda está longe da paz. E sem contar os corpos mutilados e as mentes destruídas de sobreviventes.
Na Inglaterra alguns encontraram uma maneira não violenta de protestar contra o livro em que o ex-primeiro-ministro Tony Blair, entre outras coisas, defende sua decisão de apoiar o ataque dos Estados Unidos e também mandar tropas para o Iraque. Estão pegando exemplares do livro do Blair e levando para a seção de livros de crime nas livrarias. Mas nem Blair, nem Bush nem os neocons se arriscam a enfrentar uma condenação maior do que esta pelo que fizeram.
Poções. Quem teme pelo futuro do livro e lamenta a falta de leitores no Brasil deveria dar um jeito de conhecer a Feira Pan-Amazônica do Livro, em Belém do Pará. Garanto que sairia com as esperanças recauchutadas e nova fé no brasileiro. A feira, que estava na sua 14ª edição quando a visitamos com o Zuenir e a Mary, há dias, não para de crescer e já é uma das principais no continente. Claro que só uma pequena parte daquela multidão estava lá para comprar livros, mas o livro e seus entornos eram a principal atração do evento e a maior parte da multidão era de jovens leitores em potencial. No famoso mercado Ver-o-Peso de Belém vendem poções para fazer crescer cabelo em careca enquanto levantam sua libido e curam sua lerdeza, mas aposto que nenhum líquido engarrafado entusiasmaria mais do que a visão da garotada enchendo todos os espaços da enorme feira, levada pelo livro.
Como le gusta. Na parte externa da feira, que ocupa uma grande estrutura remodelada que foi hangar dos aviões Catalina durante a 2.ª Guerra Mundial, havia shows todas as noites, e não era pouca coisa. Gilberto Gil cantando só xote, xaxado e baião, Lenine, Funk Como le Gusta, Emílio Santiago.
E por que ninguém tinha me dito que a Luíza Possi não é só filha da Zizi e um rosto bonito mas uma belíssima cantora e música, com uma presença em cena de gente grande? Foi outra poção entusiasmante. 
Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,crimes-e-livros,607032,0.htm