domingo, 31 de julho de 2011


Vida com livros



Para quem gosta de ler, é o lugar mais importante da casa. Na biblioteca, estuda-se, trabalha-se e mergulha-se em outros mundos. E pouco importa se são prateleiras abarrotadas ou uma simples estante, se há obras de arte por perto ou não: o que conta mesmo para estes leitores vorazes é ter um canto para uma boa leitura.
Zeca Wittner/AE
Zeca Wittner/AE
Na biblioteca de Belluzzo, as estantes têm portas de vidro para deixar os 10 mil livros protegidos
Apaixonado por livros, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo vem formando sua biblioteca ao longo dos últimos 45 anos. Tem 10 mil volumes que se espalham pelas estantes de duas grandes salas de seu apartamento nos Jardins, pelos armários do corredor e de dois quartos, sem contar os que estão empilhados na mesa de trabalho.
"Uma vez por semana, uma bibliotecária vem aqui guardar os volumes novos. Tudo é catalogado em um programa de computador", diz Belluzzo, ex-presidente do Palmeiras, que, mesmo já aposentado, é professor do curso de Relações Internacionais da Faculdade Campinas (Facamp), da qual é um dos fundadores. O resto do tempo ele passa escrevendo livros (tem oito editados, sobre economia) e, claro, lendo.
Apesar dos milhares de exemplares de sua coleção, de temas que vão de filosofia a ciência, ele sabe identificar os assuntos por prateleiras nas várias estantes de madeira com portas de vidro. Embora eclético, Belluzzo dedica boa parte de seu tempo às obras do economista inglês John Maynard Keynes (1883-1946), que define como reformista e fundador de uma escola de pensamento, e assuntos que têm a ver com ele publicados nos sites de economia que consulta todas as manhãs.
                    
Belluzzo até já pensou em alugar um imóvel só para abrigar sua biblioteca, mas hesita em pôr essa ideia em prática. "Acho difícil me separar dos meus livros", afirma.
Mas foi isso que teve de fazer o escritor e artista plástico inglês Simon Lane quando se mudou para o Brasil há dez anos, depois de ter vivido em seis países. Autor de seis livros, o mais famoso deles Boca a Boca (editora Record, 2003), Lane trouxe cerca de mil exemplares (o resto está encaixotado na Inglaterra). Ainda assim, a biblioteca que mantém em seu apartamento em São Conrado, no Rio, ocupa boa parte dos dois andares do dúplex. A maioria dos livros, sua mulher, uma socialite carioca, herdou da família e está acomodada no móvel projetado pela decoradora Rosa May Sampaio - estantes de madeira laqueada de branco com fundo de fibra de vidro pintada de preto.
"A maior parte de nossos livros é de literatura, mundial e brasileira, e arte. Entre as nossas raridades estão um volume de Macunaíma com gravuras de Caribé, reproduções de manuscritos de Carlos Drummond de Andrade com ilustrações de Portinari, e a primeira edição de Beyond de Mexique Bay, de Aldous Huxley (1934), que trouxe da Inglaterra", conta. Lane atualmente está escrevendo um livro sobre a visão de um estrangeiro sobre o Brasil, que deve ser lançado em 2012. "Passo cerca de oito horas escrevendo e lendo, até a hora de dormir", conta. O livro de cabeceira? "Todos de Vladimir Nabokov."
                     
Quem também tem raridades na biblioteca de sua casa nos Jardins é Rosa May Sampaio. De tradicional família carioca (seu avô, Carlos Sampaio, foi prefeito do Rio de 1920 a 1922), a decoradora estudou letras na PUC do Rio e arte na École du Louvre, em Paris. Entre volumes de literatura brasileira e portuguesa, biografias, coleções de arte e obras completas de escritores clássicos, encontram-se um exemplar em inglês de A Bela Adormecida, do século 19 e uma coleção em miniatura das obras de Shakespeare. Rosa diz que lê todas as noites e que não admite uma casa sem livros. "Sem eles, é uma casa sem alma", afirma.
                                      
Herança. Filha e sócia de Etel Carmona na Etel Interiores, a administradora de empresas Lissa Carmona Tozzi é outra leitora voraz. "Quando era pequena, levantava mais cedo só para ler e fui bastante incentivada pelo meu pai e minha avó, de quem herdei boa parte da minha biblioteca", diz Lissa, que desenhou com a mãe a estante de ipê com 6,30 m de comprimento por 2,45 m de altura onde está boa parte de seus livros de história, arte e romances.
"Tenho uma coleção de poetas brasileiros, e obras completas de Machado de Assis, Fernando Pessoa, Dostoievski, Eça de Queiroz. Edgard Alan Poe e Paul Auster", enumera. Lissa, que está na fase dos autores japoneses, como Yasunari Kawabata e Haruki Murakami, Lissa gosta de ler na poltrona do Liceu de Artes de Ofícios revestida de couro caramelo ou no sofá, com a cadela Rose. "Mudo os complementos da sala de acordo com a estação. Agora no inverno, as almofadas são de pele para aumentar a sensação de acolhimento na hora da leitura."
                                       
Clima ideal para a coleção
Ter uma boa biblioteca implica manter livros arrumados e em bom estado. Domingos Fiuza, sócio do Habilis Atelier, especializado na encadernação, douração e restauração, diz que o primeiro passo, em grandes bibliotecas, é manter o local climatizado, com desumidificador e ar-condicionado. "A temperatura deve ficar entre 20 e 23 graus. O ambiente também não pode ser muito seco para não rachar o couro das capas."
Bem cuidada e bonita
  • Escolha um lugar sem umidade para instalar a biblioteca ou simplesmente a estante com os livros. Evite deixar os volumes encostados diretamente na parede
  • Não use luzes fortes para não ressecar as capas de couro
  • Investigue periodicamente se a estante ou armário está livre de cupins. Uma biblioteca com mais de mil livros deve ser limpa a cada seis meses
  • Para ajudar na hora de encontrar um volume, organize a coleção por assuntos ou por autores. Em uma biblioteca grande, o ideal é contratar um bibliotecário para fazer a catalogação
  • Pequenos objetos, fotos de família ou apoiadores de livros podem decorar as prateleiras sem atrapalhar na organização
Raridades preservadas
Quem guarda raridades na biblioteca precisa redobrar os cuidados, para evitar, por exemplo, cupins. "Quando isso acontece, temos de fazer a desinfecção, que consiste em incubar os volumes em câmaras de gás ou espalhar veneno em pó", diz Domingos Fiuza, sócio do Habilis Atelier. Também é possível amenizar o aspecto amarelado das páginas usando produtos químicos, sempre com auxílio de um especialista.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,vida-com-livros,739462,0.htm

sábado, 30 de julho de 2011

Projeto oferece acervo de livros infantojuvenil pela internet




Mais de 30 mil registros, o equivalente a 22 mil títulos, estão disponibilizados no site da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (Fnlij) para consulta de pesquisadores, estudiosos e educadores, dentro do projeto Biblioteca Fnlij, com patrocínio da Caixa Econômica Federal e Petrobras.
A secretária-geral da fundação, Beth Serra, disse à Agência Brasil que o site da Biblioteca Fnlij é o único no país com esse tipo de informação. Ele reúne um acervo tão vasto de publicações dedicadas ao público infantojuvenil. O projeto contribui para subsidiar pesquisas e políticas culturais e educacionais de compra de livros.
Todas as publicações recebidas pela fundação estão à disposição dos interessados na Biblioteca Fnlij. Cerca de 1,2 mil títulos são recebidos pela entidade a cada ano.
A ferramenta visa a auxiliar também os pais e educadores na compra de livros para as crianças e jovens, de acordo com a sua faixa etária. “A ideia é essa. A biblioteca tem um atendimento para quem é pesquisador e, também, para os pais e professores e educadores em geral. Eles podem saber o que está sendo publicado no Brasil dentro do universo infantil”, disse.
As informações sobre o acervo são atualizadas automaticamente, afirmou Beth Serra. Elas incluem os títulos premiados pela fundação ao longo dos anos e, ainda, os livros que se encontram no mercado. “É um cardápio bastante variado para pais e professores que já consultam para comprar acervo, para orientar a leitura”, ressaltou a secretária-geral da Fnlij.
Fonte:http://diariodonordeste.globo.com/noticia.asp?codigo=316486&modulo=969

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Governos ruins, livros ainda piores



Quando não está à frente de ditaduras na África e na Ásia, a maior parte dos tiranos investe em carreiras paralelas. Políticos como o líbio Muamar Kadafi, o norte-coreano Kim Jong-il e até mesmo o iraquiano Saddam Hussein se aventuraram como escritores.
A produção literária do grupo, porém, ultrapassa a esfera política e ganha formatos mais inusitados. Um dos livros publicados rendeu até mesmo um musical nos palcos.
Apesar de mostrar um lado "mais humano" dos ditadores, a temática dos textos é, na maioria das vezes, menos importante do que o fato de o líder ingressar no ramo literário. Para Erica Frantz, especialista em temas relacionados a governos autoritários, da Universidade da Califórnia, as obras são devaneios dos ditadores e não devem ser levadas a sério.
"Na maior parte das vezes, são contemplações e incoerências. O ato de escrever em si é um claro sinal de que o líder tenta criar um culto à personalidade e aumentar o seu papel na sociedade", afirma a analista.
Conhecido pelo Livro Verde, manifesto escrito na década de 70 para disseminar sua própria ideologia, Kadafi também é o autor de pérolas como Fuga para o inferno e outras histórias, um conjunto de contos nos quais deixa clara a sua aversão pela cidade - o líder líbio vive em tendas no deserto.
A mais excêntrica obra de Kadafi, no entanto, é o conto infantil O astronauta suicida, sobre um homem que se mata ao voltar para a Terra depois de perceber que suas habilidades são sem importância no planeta. Já no livro A Cidade, a paixão do ditador líbio pela vida de beduíno é ainda mais explícita.
No comando da Coreia do Norte há 20 anos, Kim tem mais de 1.500 livros publicados sobre os mais diversos temas, desde o socialismo à música clássica e literatura. Seu assunto predileto, porém, é o cinema.
Outros títulos. Kim chegou a sequestrar o cineasta sul-coreano Shin Sang-ok para produzir filmes comunistas. Em Sobre a Arte do Cinema, o ditador norte-coreano defende o uso da sétima arte para a propaganda e determina a criação de métodos revolucionários para comandar a direção dos longas.
Entre os ditadores mortos que já atuaram como escritores, a variedade é ainda maior. Além de liderar a Revolução Islâmica, no Irã, o aiatolá Ruhollah Khomeini era um poeta dedicado à mística persa e falava de amor.
Josef Stalin, líder da União Soviética por mais de três décadas, foi um poeta georgiano especializado em falar sobre a natureza e os trabalhadores do campo. Apesar de a obra ter sido escrita por "autores fantasmas", Saddam Hussein é responsável pelo histórico romance Zabiba e o Rei.
A versão erótica iraquiana das "mil e uma noites" foi a maior montagem teatral já realizada no país. Saddam continuou escrevendo poemas mesmo depois de sua prisão pelos EUA, em 2003. Seus livros eram populares no Iraque e um deles chegou até a ser traduzido para o japonês.
Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110626/not_imp737068,0.php 

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Ex-chefe do Pentágono Robert Gates vai escrever dois livros



O ex-secretário norte-americano da Defesa Robert Gates vai escrever dois livros. O primeiro será de memórias, previsto para ser lançado em 2013, e depois um livro sobre sua filosofia de liderança, anunciou sua editora na terça-feira.
Gates, de 67 anos, deixou o cargo de chefe do Pentágono em junho, depois de quatro anos e meio sob as presidências de George W. Bush e depois de Barack Obama. Ele assumiu o cargo quando Donald Rumsfeld renunciou em função de críticas à maneira como conduziu a guerra do Iraque.
De acordo com a editora Alfred A. Knopf, o livro de memórias vai tratar de fatos chaves ocorridos enquanto Gates foi secretário da Defesa, incluindo a retirada de tropas do Iraque e a revogação pela administração Obama das leis "Don't Ask, Don't Tell" (Não Perguntem, Não Digam), que impediam gays e lésbicas nas forças armadas de revelarem abertamente sua orientação sexual.
"Quero contar minha história sobre conflitos constantes no exterior e em Washington. Vou compartilhar insights que acumulei em minha experiência trabalhando para dois presidentes muito diferentes, em duas administrações de linhas políticas muito distintas", disse Gates em comunicado.
O livro vai tratar também da decisão tomada por Gates de substituir o então comandante chefe no Afeganistão, general David D. McKiernan, depois de ele ter estado na posição por apenas um ano, pelo general Stanley A. McChrystal.
McChrystal acabou sendo exonerado por Obama por declarações depreciativas sobre o presidente e outros líderes civis que deu à revista Rolling Stone, tendo sido substituído pelo general David Petraeus.
Gates, que começou como agente júnior da agência de inteligência dos Estados Unidos (CIA) e ascendeu para se tornar diretor de Inteligência Central, vai escrever um segundo livro que tratará da filosofia da liderança e sua visão sobre grandes líderes e "como reformar e transformar instituições públicas", ele disse no comunicado.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,ex-chefe-do-pentagono-robert-gates-vai-escrever-dois-livros,747002,0.htm

terça-feira, 26 de julho de 2011


MP-PR pede recolhimento de livros com conteúdo racista


O Ministério Público do Paraná (MP-PR) pediu hoje o recolhimento de livros da rede municipal de ensino de Londrina. Segundo a denúncia, 13.500 obras têm expressões preconceituosas e racistas, além de erros gramaticais, de acordo com avaliação de professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Os livros devem ser recolhidos das escolas municipais até a próxima terça-feira.
A coleção de livros tem conteúdo extremamente ofensivo à cultura negra, segundo o promotor do Ministério Público Paulo Tavares. A prefeitura de Londrina não se manifestou sobre a decisão, acrescentou o MP. 
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,mp-pr-pede-recolhimento-de-livros-com-conteudo-racista,741480,0.htm

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Califórnia vai incluir conquistas dos gays nos livros da rede pública de ensino



SÃO FRANCISCO (EUA) - A Califórnia se tornou o primeiro estado americano a exigir que os livros didáticos de escolas públicas incluam as conquistas de gays, lésbicas e transexuais americanos, nesta quinta-feira, 14, a partir da assinatura do governador Jerry Brown, que torna a medida lei.
"A história deveria ser honesta," declarou Brown em um comunicado.
A medida passou por votação no início deste mês, o partido democrata votou a favor enquanto os republicanos votaram contra.
"Esta lei revisa leis anteriores que proíbem discriminação na educação e assegura que as contribuições importantes de americanos de todas as origens e classes sociais sejam incluídos em nossos livros de história", disse Brown. "Isso representa um passo importante para o nosso estado."
A lei também exige que as escolas públicas ensinem as contribuições da população das ilhas do Pacífico e dos deficientes.
O estado da Califórnia já exigiu a inclusão histórica das conquistas dos nativos americanos, afro-americanos, e de pessoas de origem mexicana, asiática e europeia.
Randy Thomasson, presidente do site conservador SaveCalifornia.com disse que Brown esmagou os direitos paternos da ampla maioria de pais e mães que não querem que seus filhos tenham uma lavagem cerebral sobre sexualidade."
"A única forma de os pais livrarem suas crianças desta doutrinação imoral é retirando-os do sistema público de ensino, que não é mais para os pais moralmente sensíveis e suas crianças," disse Thomasson.
Pode levar vários anos para que os estudantes californianos comecem a ler sobre as conquistas de gays nos livros.
O departamento de Educação do estado disse que, por causa do orçamento, novos livros didáticos não deverão ser adotados até 2015.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vida,california-vai-incluir-conquistas-dos-gays-nos-livros-da-rede-publica-de-ensino,745450,0.htm 

domingo, 24 de julho de 2011


Livros com contos de futebol serão distribuídos em estádios da Copa América


BUENOS AIRES - Uma campanha impulsionada pelo Ministério da Educação e pela Secretaria de Esporte da Argentina, apoiada pela federação de futebol do país (AFA), vai distribuir 500 mil livretos com contos de futebol escritos por autores latino-americanos nos estádios do país durante a Copa América.
"O futebol é um excelente veículo para transmitir às crianças a paixão pela literatura", disse o ministro da Educação, Alberto Sileoni, durante a apresentação do projeto nesta quarta-feira, após lembrar que o Ministério "distribui há muito tempo livros nos estádios de futebol e em outros lugares não convencionais" para promover a leitura.
O técnico da seleção argentina Sergio Batista também participou da cerimônia, ao lado do coordenador de seleções, Carlos Bilardo, e os jogadores Javier Mascherano, Javier Zanetti e Esteban Cambiasso.
Os livretos serão entregues durante a entrada dos torcedores aos estádios de Jujuy, Salta, Mendoza, San Juan, Santa Fé, Córdoba, La Plata e Buenos Aires para que o público possa ler enquanto espera o início da partida.
Nos exemplares distribuídos pela campanha, estão obras do colombiano Gabriel García Márquez, do argentino Ernesto Sabato, do uruguaio Mario Benedetti e do mexicano Juan Villoro, entre outros.
O Brasil será representado pelo conto Abril, no Rio, em 1970, de Rubem Fonseca. 
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,livros-com-contos-de-futebol-serao-distribuidos-em-estadios-da-copa-america,738633,0.htm

sábado, 23 de julho de 2011

Vai ao parque hoje? Em 4 será fácil achar livros


Vai ao parque hoje? Em 4 será fácil achar livros 
(São Paulo)
A partir de hoje, quatro parques de São Paulo entram no roteiro literário da cidade. Livros finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura serão deixados em pontos visíveis dentro dos Parques do Ibirapuera (zona sul), do Carmo (zona leste), da Juventude (zona norte) e da Água Branca (zona oeste). Os frequentadores poderão levar gratuitamente os livros para casa, mas devem devolvê-los depois de ler.
No total, cem exemplares dos 20 livros finalistas serão deixados em áreas de grande movimento nos parques: próximo de quadras esportivas, bebedouros e bancos, por exemplo. A ideia é que frequentadores dos locais "trombem" com os livros e se interessem a ponto de interromper o passeio para ler embaixo de uma árvore ou levar as obras para casa.
"Vamos observar o comportamento dos frequentadores e, se houver boa procura, vamos ampliar a distribuição de livros para outros parques da cidade", disse o secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo. "A próxima etapa pode ser realizada nos parques da periferia."
Escritores que terão livros distribuídos apoiaram a iniciativa. "Há fome de cultura em todas as classes sociais. Exatamente por isso, é interessante que sejam distribuídos em parques, que recebem público de todas as classes", disse o escritor Nelson de Oliveira, frequentador do Parque da Água Branca e que terá distribuído seu livro Poeira: demônios e maldições.
"Vou observar o leitor. Vai ler no ponto de ônibus? Na grama do parque? Em casa? Meu palpite é que quem mais vai aproveitar é o público jovem", completou a escritora Andrea Del Fuego, autora de Os Malaquias, também finalista do prêmio.
Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110723/not_imp748837,0.php

sexta-feira, 22 de julho de 2011



Google tem prazo para acordo em livros digitais


Um juiz federal de Manhattan definiu 15 de setembro como o prazo final para que o Google, autores e editoras apresentem um plano para regularizar direitos autorais e criar a maior livraria digital do mundo. Em uma audiência ontem, o juiz norte-americano Denny Chin disse que, se a disputa não for "resolvida ou estiver perto da resolução, em princípio", até a metade de setembro, ele estabelecerá "um cronograma relativamente curto" para que as partes se preparem para um possível julgamento. 
Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110720/not_imp747238,0.php

Academia Brasileira de Letras entrega Prêmio Machado de Assis


José Luis da Conceição/AE - 15/10/08
José Luis da Conceição/AE - 15/10/08
Em seu aniversário de 114 anos, a Academia Brasileira de Letras distribuiu nesta quinta-feira o Prêmio Machado de Assis, que é dividido em oito categorias. O historiador paulistano Carlos Guilherme Mota foi o ganhador do prêmio principal, pelo conjunto da obra, no valor de R$ 100 mil. Os demais vencedores ganham R$ 30 mil.

Elvira Vigna recebeu pelo livro Nada a dizer, na categoria ficção; Sergio Flaksman, pela tradução de inglês para português de O amante de Lady Chatterley, de D.H. Lawrence, Salgado Maranhão, por A cor da palavra (poesia), Maurício de Almeida Abreu (falecido), por Geografia histórica do Rio de Janeiro (história e ciências sociais), e Ronaldes de Melo e Souza, por Ensaios de poética e hermenêutica (ensaio e crítica literária).

“Só eu mesmo para receber prêmio infanto-juvenil fazendo 80 anos!”, brincou Ferreira Gullar, agraciado por Zoologia Bizarra (há seis anos, ele ganhou o principal). Na categoria cinema, foram contemplados Ismael Caneppele e Esmir Filho, roteirista e diretor do filmeOs famosos e os duendes da morte, que venceu o Festival Internacional de Cinema do Rio de 2009.

O Machado de Assis é concedido há 70 anos, e se tornou a mais importante premiação literária brasileira. As escolhas são feitas por comissões de acadêmicos. A obra de Mota, pesquisador e professor, foi saudada pelo presidente da ABL, Marcos Vinicius Vilaça, como singular e com “enfoques inéditos da construção da nossa nacionalidade”
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Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,academia-brasileira-de-letras-entrega-premio-machado-de-assis,748129,0.htm

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O Dom ou onde começa a magia


O Dom ou onde começa a magia 
A música como "abre-te Sésamo" da afirmação pessoal e da liberdade. Pode-se entender desse modo aquele que muito provavelmente será o melhor livro infanto-juvenil de 2011:O Dom, de Susie Morgenstern, com ilustrações de Chen Jiang Hong, que acaba de ser lançado pela Editora SM. São três as razões de tamanho entusiasmo com essa obra: 1) a linguagem ao mesmo tempo acessível e rigorosa de Morgenstern, norte-americana radicada em Paris. É um feito quando se olha as grosseiras escritas simplórias da maioria dos livros infanto-juvenis; 2) as ilustrações inteligentes e visualmente modernas do chinês Hong, também radicado em Paris; e 3) o magnífico CD que acompanha o livro, em que o ator Caco Ciocler não apenas lê o texto, mas interpreta cada um dos personagens, de modo admirável, com música de Louis Dunoyer de Ségonzac, Bach e Paganini. Tudo na medida certa, sem excessos nem faltas.
Divulgação
Divulgação
Inteligente e moderna. Sensibilidade na ilustração do chinês Chen Jiang Hong
A história dá conta de uma caixa que o recém-nascido Oycher ganha em seu oitavo dia de vida e só poderá ser aberta quando completar 3 anos. A comunidade inteira - do mascate ao rabino, passando pelo escrivão e o sapateiro, entre outros - palpita sobre o misterioso presente. Aos 3 anos, o menino, até aquele momento mudo, abriu a caixa, apanhou o belo violino e começou a tocá-lo imediatamente. "O mistério tinha terminado, a magia ia começar", diz a história. "Qual magia?", pergunta-se Moacyr Scliar no curto e ótimo posfácio. "A magia da música, pois, nas mãos de um artista, um instrumento pode enfeitiçar."
O menino acaba músico de sucesso mundial. Não por acaso, o violino é o instrumento símbolo da extraordinária musicalidade judaica ao longo dos séculos. Uma arte que pode ser levada dentro da alma, onde quer que se vá. Esse belíssimo livro me remeteu a outro, para adultos, que nos ajuda a entender melhor essa relação especial dos judeus com a música. O musicólogo norte-americano Michael P. Steinberg (Ouvindo a Razão: Cultura, Subjetividade e a Música do Século 19, Ed. Princeton, 2006)) reclama da exuberância das artes visuais e da literatura na definição dos contornos da modernidade no século 19, que sempre empurraram para escanteio a música, por ela ter chegado meio atrasada a esse revolucionário banquete. E rapidamente elege a música como arte central na "construção da modernidade europeia". E faz a pergunta certa: "Por que a música, em sua "inabilidade (para alguns), recusa (para outros) de significar, articular, representar, tornou-se paradoxalmente a linguagem preferida da vida interior durante o longo século 19, de Mozart a Mahler?".
O que interessa aqui é a qualificação da música como linguagem preferida da vida interior, por isso mesmo central na cultura judaica. De Mendelssohn a Mahler, de Gershwin a Bernstein, entre tantos outros músicos e compositores geniais, a música do planeta seria com toda certeza muitíssimo mais pobre, não fosse essa indelével e característica criatividade de um povo artística e culturalmente privilegiado. O menino Oycher sabia bem, como escreve Scliar, que "esperança, talento e dedicação podem mudar nosso destino. Isto é o que nos conta a história, e ao fazê-lo, nos ensina a viver melhor". 
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,o-dom-ou-onde-comeca-a-magia,715485,0.htm

quarta-feira, 20 de julho de 2011


Flip terá Antonio Candido e dará mais foco ao romance


A 9.ª Festa Literária Internacional de Paraty, de 6 a 10 de julho, dará mais ênfase à ficção - ao romance, em especial - que edições anteriores, na avaliação do curador do evento, Manuel da Costa Pinto. Na ponta do lápis, a quantidade de mesas com romancistas não é tão maior que a do ano passado (serão 10 do total de 18, ante 9 em 2010), mas outros aspectos podem ser ressaltados: a Flip 2011 terá menos brasileiros e maior variedade linguística entre os autores.
A programação foi anunciada ontem pela manhã com uma grata surpresa: o mais importante crítico literário do País, Antonio Candido, aceitou convite para participar da mesa de abertura, com José Miguel Wisnik, sobre o homenageado desta edição, Oswald de Andrade (1890-1954). O estudioso abriu uma exceção para sua costumeira recusa em falar em público após conversar com a professora da Unicamp Antonieta Marilia Oswald de Andrade, filha do modernista. "Ele foi um dos únicos amigos a acompanhar meu pai até a morte", disse ela.
Também anunciados só ontem, outros dois convidados que prometem atrair atenção são o músico e artista escocês David Byrne - que pretende falar acima de tudo sobre ciclismo urbano, tema de seu livro "Diários de Bicicleta" (Amarilys) - e o neourocientista brasileiro Miguel Nicolelis.
Sobre a ênfase no romance, Manuel da Costa Pinto destacou um "eixo principal", tendo como destaques o brasileiro João Ubaldo Ribeiro, o italiano Antonio Tabucchi (que participará de conversa com o cronista do jornal O Estado de S. Paulo Ignácio de Loyola Brandão) e o norte-americano James Ellroy. As novas gerações estarão representadas pela mesa com a argentina Pola Oloixarac e o angolano Valter Hugo Mãe, enquanto uma "confluência de gêneros" aparece no debate entre o húngaro Péter Esterházy e o francês Emmanuel Carrère. Além da mesa de Ubaldo, uma única mesa será formada apenas por romancistas brasileiros: Marcelo Ferroni, Edney Silvestre e Teixeira Coelho.
A filosofia e a ciência aparecem nas mesas do cineasta Claude Lanzmann e de Miguel Nicolelis e Luiz Felipe Pondé. A poesia estará presente em debate da premiada poeta escocesa Carol Ann Duffy com o tradutor Paulo Henriques Britto, e as histórias em quadrinhos, na mesa do cartunista maltês Joe Sacco. Sacco dará uma colher de chá com outra apresentação na Flipzona, voltada a adolescentes. Esse intercâmbio entre programações também é um diferencial deste ano. Além dele, Loyola e Edney Silvestre falarão tanto na Tenda dos Autores quanto na Flipzona.
A homenagem a Oswald de Andrade incluirá uma exposição com material inédito. Entre os destaques, um painel mostrando a relação do modernista com a dança - uma relação, por assim dizer, afetiva, já que Oswald teve como musas Carmem Brandão (a quem ele eternizou como Landa) e Isadora Duncan - com quem, segundo Antonieta Marilia, ele "ficou". Haverá ainda fotos da viagem que o escritor empreendeu com o francês Albert Camus a Iguape, em 1949. A programação completa está no site www.flip.org.br. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. 
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,flip-tera-antonio-candido-e-dara-mais-foco-ao-romance,721788,0.htm