segunda-feira, 31 de outubro de 2011

William P. Young


Biografia
William Paul Young nasceu em Alberta, dia 11 de maio de 1955 e é um escritor canadense.
O mais velho de quatro filhos, Young passou grande parte da sua infância na Papua - Nova Guiné, junto com seus pais missionários, numa comunidade tribal. Os membros da tribo vieram a se tornar parte de sua família. O fato de ser a única criança branca na comunidade e que sabia falar sua língua veio a garantir um incomum acesso à cultura e à comunidade local. Pagou seus estudos religiosos trabalhando com DJ, salva-vidas e em diversos outros empregos temporários. Formou-se em Religião em Oregon, nos Estados Unidos da América.

Com a palavra, o escritor.
"Vivemos em um mundo onde o 'normal' realmente não existe, exceto como uma idéia ou conceito. Para cada um de nós, onde e como nós crescemos desempenha um papel fundamental no nosso sentido de 'normal', e só quando começamos a experimentar a "grandeza e diversidade" do mundo que somos tentados a avaliar as nossas raízes.
Eu pensei que a maneira que eu cresci foi 'normal', mas eu acho que a maioria provavelmente concordaria que a minha história e jornada tem sido um pouco incomum. Eu era o mais velho de quatro filhos, nascido 11 de maio de 1955, em Grande Prairie, Alberta, Canadá, mas a maioria da minha primeira década foi vivida com meus pais missionários nas terras altas da Nova Guiné neerlandesa (West Papua), entre os Dani, povos tribais. Estes se tornaram a minha família e como o primeiro filho branco e estranho que já falava a língua deles, me era concedido acesso incomum em sua cultura e comunidade. Embora às vezes eles fossem um povo feroz de guerra, mergulhado no culto dos espíritos e até, ocasionalmente, praticando o canibalismo ritual, que também forneceu um profundo sentimento de identidade que continua a ser um elemento indelével do meu caráter e pessoa.
Eu fui levado para um colégio interno aos 6 anos, e estava em muitos aspectos, um Dani branco. No meio de um ano escolar, minha família voltou inesperadamente para o Ocidente. Meu pai trabalhou como pastor de uma série de pequenas igrejas no oeste do Canadá e quando me formei, já havia freqüentado treze escolas diferentes. Eu paguei o meu caminho através Bible College trabalhando como disc jockey de rádio, salva-vidas e até mesmo um stint nos campos de petróleo de Alberta. Passei um verão nas Filipinas e outro em turnê com uma trupe de teatro antes de trabalhar em Washington DC em Fellowship House, uma casa de hóspedes internacionais. Completando o meu curso de graduação em religião, me formei summa cum laude da Warner Pacific College, em Portland, Oregon.
No ano seguinte, eu conheci e me casei com Kim Warren e por um tempo trabalhei na equipe de funcionários em uma grande igreja suburbana enquanto participava do seminário. Tenho empresas de propriedade e trabalhei para os outros em diversas indústrias, de seguros para a construção, as empresas de capital de risco para telecom, contrato de trabalho para processamento de alimentos; o que fosse necessário para ajudar a alimentar e abrigar minha família crescendo. Eu sempre fui um escritor, de músicas, poesia, contos ou notícias, nunca para o consumo público, mas para amigos e família. Embora eu tenha escrito extensivamente para o negócio, criação de conteúdo web, planos de negócios, white papers, etc,
Estes são alguns dos fatos da minha vida, mas eles não começam a contar a história real. Que levaria muito mais espaço do que está disponível aqui. A viagem tem sido tanto incrível e insuportável, uma desesperada para agarrar a graça e plenitude. Estes fatos não lhe dizem sobre a dor de tentar se ajustar a diferentes culturas, de perdas de vida que foram quase demasiado impressionante para suportar, de trilhos de trem andando à noite no meio do inverno gritando no vendaval, de viver com um volume subjacente de vergonha tão profundo e forte que constantemente ameaçado qualquer senso de sanidade, de sonhos não só destruídos, mas obliterado pelo fracasso pessoal, de esperança tão tênue que só acionar a parecia oferecer uma solução. Estes poucos fatos também não falam sobre a potência do amor e do perdão, o árduo caminho de reconciliação, as surpresas da graça e da comunidade, da cura e de transformação o surgimento inesperado de alegria.
Fatos por si só pode ajudar você a entender onde uma pessoa tem sido, mas muitas vezes esconder quem realmente são. Isso resume a minha vida. Para mim, tudo é sobre Jesus e o Pai e o Espírito Santo, e relacionamentos, e a vida é uma aventura de fé vivida um dia de cada vez. Quaisquer aspirações, visões e sonhos morreram há muito tempo e eu não tenho absolutamente nenhum interesse em ressuscitar eles. Eu finalmente descobri que não tenho nada a perder por viver uma vida de fé. Para mim, tudo o que importa na minha vida, é perfeito!"

Obras
A Cabana (o único livro de Young que se tem registro)
O grande, e por enquanto único sucesso editorial de William P. Young vendeu mais de 12 milhões de cópias pelo mundo. O best-seller procura, de uma forma bastante simples e intrigante, responder às nossas maiores questões de vida.

Dia D, de Drummond, tem programação especial em SP



Para o Instituto Moreira Salles, não existe nenhuma pedra no caminho. Afinal, hoje, dia do aniversário de Carlos Drummond de Andrade (nasceu em 1902), foi transformado pela entidade que cuida do precioso acervo do poeta no Dia D - Dia Drummond, que passa a figurar no calendário cultural do País. "Não queríamos que um material tão rico ficasse limitado aos muros do instituto", conta Flávio Moura, um dos curadores da festa, ao lado do poeta Eucanaã Ferraz. "Nossa inspiração foi o Bloomsday, que acontece todo 16 de junho, quando os irlandeses (e todo o mundo) comemoram a vida e a obra de James Joyce."
O ponto de partida foi envolver o maior número possível de admiradores do poeta, tanto famosos como desconhecidos. Assim, foi elaborada uma programação diversificada, que se espalha por diversas capitais brasileiras. Um dos destaques será a exibição do filme "Consideração do Poema", produzido pelo IMS justamente para a data, no qual nomes importantes da cultura brasileira leem poemas de Drummond, entre eles Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Hatoum, Fernanda Torres, Adriana Calcanhotto, Cacá Diegues, Antonio Cícero, Paulo Henriques Brito e Marília Pêra.
Procure acompanhar a leitura do poema "Elegia a Um Tucano Morto", o último escrito por Drummond e dedicado a seu neto, Pedro Augusto, que vai ler os versos.
Com o evento, os curadores pretendem incentivar fãs anônimos a também lerem suas poesias preferidas: todos podem enviar por e-mail para o site oficial (www.diadrummond.com.br) seus próprios vídeos com leituras de poemas. O material vai inspirar um novo filme. Vale tanto famosos como "Poema de Sete Faces" (Quando nasci, um anjo torto / desses que vivem na sombra /falou: Vai, Carlos, ser gauche na vida) como o emblemático "No Meio do Caminho" (No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho / tinha uma pedra / no meio do caminho tinha uma pedra), que Mario de Andrade considerou formidável mas fruto de um cansaço intelectual.
Um terceiro vídeo também produzido pelo IMS estará disponível no site: "No Meio do Caminho" (2010) conta com 11 versões em língua estrangeira do poema mais conhecido de Drummond declamadas por personalidades diversas, como David Arrigucci Jr., Matthew Shirts, Jean-Claude Bernardet e Heloisa Jahn.
E, para que a iniciativa ganhe as ruas, inúmeros adesivos foram espalhados por livrarias e centros culturais, promovendo o Dia D. Também o Portal Estadão participa do evento, com a reprodução de uma leitura feita pelo ator Paulo Autran, além de disponibilizar diversas crônicas publicadas no Jornal da Tarde, entre 1981 e 1985.
Tantos festejos surpreenderiam o próprio homenageado. Meses antes de morrer, em 1987, o poeta estava seguro que, dali a dez anos, ninguém mais se importaria com sua obra. O excesso de modéstia certamente cegou o escritor, que deixou seus papéis cuidadosamente arquivados e catalogados, como se tivesse clareza quanto à importância de documentos ligados à vida literária na constituição - ou reconstituição - da história de uma carreira. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Dia D em São Paulo
Leitura dramática dos principais poemas de Drummond, por Maurício Soares Filho
Livraria da Vila Fradique Coutinho (Rua Fradique Coutinho, 915, tel.: 3814-5811), 18h30
Exibição dos filmes Consideração do Poema (2011) e No Meio do Caminho (2010)
Ponto do Livro - Livraria e Café (Rua Alves Guimarães, 1322, tel. 2337-0506), a partir das 20 horas
Homenagem a Drummond pelos poetas Alberto Martins e Fabrício Corsaletti
Casa de Francisca (Rua José
Maria Lisboa, 190, tel.: 3052-0547), às 21 horas, R$ 15.
Leituras no deck
Livraria Cultura do Conjunto
Nacional (Av. Paulista, 2073, tel.: 3170-4033), de amanhã a domingo, às 13 h e às 17 h 

domingo, 30 de outubro de 2011

Professor que gosta de ler transmite o prazer aos alunos

Não são apenas os estudantes que precisam de estímulo para ler. 

Muitos professores também não têm esse hábito, que igualmente pode ser incentivado na escola. 

A rede municipal de Marília (SP) desenvolveu um projeto de leitura compartilhada com os educadores no ano passado. "Oferecemos textos, discutimos o autor, trabalhamos junto com os professores. Não adianta apenas falar dos benefícios de ler", diz Marta Isabel Cintra, coordenadora pedagógica da Educação Infantil da Secretaria Municipal da Educação. Em reuniões semanais, textos de autores clássicos, como Graciliano Ramos e Clarice Lispector, eram apresentados aos educadores. 

"É uma cadeia. Sensibilizando o professor, atingimos também os alunos", diz Marta, que em 2004 trabalhava com o Ensino Fundamental. Na Escola Projeto Vida, em São Paulo, há uma preocupação especial com o nível de leitura dos docentes. "Durante as reuniões pedagógicas, é reservado um tempo para os professores apresentarem aos colegas livros que já leram e de que gostaram", conta a orientadora educacional Maria Eugênia de Toledo. No último encontro do semestre, todos levam suas leituras prediletas para indicar aos colegas. Na volta das férias, eles se reúnem novamente para comentar as obras, criando um ambiente de estímulo até mesmo a outras atividades culturais, como cinema e teatro. "Nesses encontros, o professor mostra seu gosto e seu estilo, já que o livro não precisar estar ligado, necessariamente, à sua área", explica Maria Eugênia.



Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/oba-hoje-dia-leitura-423833.shtml

Oba, hoje é dia de leitura!

Não tem hora certa. O carrinho todo colorido pode aparecer no corredor a qualquer momento. E quando ele chega na classe é uma festa! A professora interrompe a aula e os alunos de 1ª a 4ª série escolhem quais livros vão levar para casa. Esse sistema de empréstimo começou a funcionar no Colégio Santo Antônio, em Belo Horizonte, para evitar que os pequenos tivessem que ir até a biblioteca, que fica em outro prédio. A estratégia deu tão certo que as visitas do carrinho a todas as classes não pararam mais. "As crianças ficam eufóricas. Muitas pegam dois ou três para ler sozinhas ou com os pais", conta a coordenadora pedagógica Maria de Lourdes Lopes Cançado. Segundo ela, a garotada passou a se interessar mais não só por livros mas também por revistas e jornais.

Na Escola Estadual Dom Orione, em Curitiba, a leitura também é prioridade. Todos os dias, alunos, funcionários e professores param durante 25 minutos para se dedicar a uma única atividade: ler. Nesse período, o silêncio toma o lugar das conversas e do corre-corre. Os professores aproveitam o período para colocar em dia a leitura acumulada com o excesso de trabalho. E os funcionários — parte deles com baixo grau de escolaridade — se familiarizam com a novidade. "Os resultados já aparecem. Eles estão se tornando mais críticos e se relacionando melhor com as crianças", comemora Ana Maria Meier, supervisora da manhã. Assim, há seis anos, a escola mostra o valor da leitura e o prazer que um bom texto pode trazer.
Mas por que é importante criar o hábito de leitura? De acordo com a consultora Maria José Nóbrega, de São Paulo, além de ser uma forma de entretenimento e de lazer, a leitura é um meio de aprendizado em qualquer área. "Lendo também nos mantemos atualizados sobre assuntos do nosso bairro, da nossa cidade, do nosso país."

A criança lê com prazer o livro que ela escolhe 
Na Dom Orione, a garotada tem liberdade para escolher o exemplar que quiser na biblioteca ou mesmo para ler um trazido de casa. Terminada a leitura, o aluno escreve em uma folha o título da obra e, em poucas linhas, do que ela trata. Não há provas nem resenhas. "Queremos que todos leiam pelo prazer de ler", diz Ana Maria.

Para Maria José, a escola está na direção certa. "A leitura em si já é uma atividade", explica. O ideal, ela afirma, é que os estudantes leiam muito e trabalhem apenas com uma ou outra obra.

Missão importante do professor é a de ensinar a escolher bem a leitura — indicações inadequadas feitas pela escola podem afastar a garotada do mundo das letras. Mas dar liberdade não significa deixar cada um ler só o que quer. Os estudantes podem pegar textos muito fáceis ou difíceis para a sua competência. "O professor deve avaliar o nível da criança e, quando o texto estiver abaixo de sua capacidade, escolher desafios maiores", diz Maria José. É o que vem sendo feito na escola Dom Orione. As revistas e os gibis que fazem parte do acervo só são lidos uma vez por semana. "Essa foi a forma que encontramos para que os alunos se abrissem a variados gêneros. No começo, eles só queriam ler quadrinhos, que acham mais fáceis", explica a supervisora Ana Maria.

Em classe, a leitura tem diferentes objetivos

Na biblioteca da escola ou no cantinho de leitura da própria classe, há vários meios de incentivar a leitura. A professora Maria José Machado, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), sugere que os professores estimulem pesquisas sobre temas que intrigam os alunos ou fazem parte do cotidiano, como o tempo. "Assim, eles terão um bom motivo para procurar informações em livros, revistas e jornais." Se você lê para as crianças o trecho instigante de uma publicação e a coloca na estante, elas vão retirá-la para descobrir mais sobre o assunto.

A leitura compartilhada é outra opção. Você lê um trecho do texto em voz alta, um garoto continua, dá a vez para uma colega e assim por diante. Na Escola Municipal Anna Maria Harger, em Joinville (SC), além de participarem de atividades desse tipo, os alunos de 1ª a 4ª série se transformam em contadores de histórias. Eles se apresentam para os colegas, os pais e até para a comunidade, adquirindo o gosto pela leitura.

O projeto atrai mais as crianças com idade a partir de 9 anos. "As menores vêem os colegas contando histórias e se entusiasmam para ler o livro que está sendo apresentado", conta a professora de Português Celina Pimentel Hostin, que trabalha na biblioteca. Celina vê o avanço dos alunos na comunicação e compreensão de textos. E não é só. Maria José Machado destaca que essa prática aprimora o raciocínio lógico, a criatividade e a percepção da realidade.

Levar para a classe coleções de um determinado autor, trabalhar com algumas de suas obras e, quando possível, convidá-lo para conversar com a meninada são outras ótimas estratégias. No Colégio Santa Maria, no Recife, periodicamente há uma votação entre classes de 1ª a 4ª série para a escolha do autor do mês. Ziraldo, Ana Maria Machado, Ruth Rocha e Monteiro Lobato já disputaram o voto dos estudantes. Depois da eleição, a garotada pesquisa a biografia e as obras do eleito e quem tem alguma em casa leva para mostrar aos colegas. "Livros do autor escolhido não param nas prateleiras da biblioteca durante o mês", conta Edna Carneiro, coordenadora pedagógica de 1ª a 4ª série. Para envolver também a família no trabalho, o colégio estimula a apresentação para os pais de trechos de algum livro lido em forma de peça de teatro.

Mostrar à família a importância dos projetos de leitura é fundamental, explica a professora Regina Lúcia Giffoni Luz de Brito, da PUC-SP. "A escola deve fazer uma parceria com os pais para que o ambiente em casa também seja motivador para a criança." Regina sugere aproveitar a reunião de pais nesse sentido. "Esse momento pode ser usado para conversar com os pais sobre leitura, livros e escritores."

O trabalho continua em livrarias e bibliotecas 
Antes de optar por uma ou outra leitura, a turma precisa conhecer o que há à sua disposição. "Nada melhor do que incentivar a visita a bibliotecas e livrarias", diz Maria José Nóbrega. Além de ver as capas, conferir os títulos e se informar sobre os autores, os estudantes aprendem a circular nesses locais.

De acordo com ela, poucas crianças e jovens visitam bibliotecas e livrarias. "Uma garota me disse que tinha alugado um livro na biblioteca, certamente em referência ao que faz em uma locadora", relata. Muita gente acredita que a falta de dinheiro para comprar um livro é motivo para não entrar em livrarias. Nada disso. Quando a garotada vai sempre a esses lugares, acaba se sentindo à vontade. Em muitas lojas é possível se sentar e ler trechos de livros.

Maria José recomenda ao professor ficar atento às atividades desenvolvidas gratuitamente por livrarias, como lançamentos de obras e encontros com autores. A Casa de Livros, livraria de São Paulo especializada em educação, desenvolve o Projeto Vitrine, em parceria com escolas. Baseado em um tema sugerido pelos professores, a livraria seleciona obras que vão compor a vitrine da loja, trocada toda segunda-feira. "Nesse dia, estudantes, familiares e professores se reúnem para a inauguração do espaço", explica a psicóloga Denise Carvalho, uma das proprietárias. As crianças conhecem o autor, quando isso é possível, e apresentam músicas e textos relacionados ao tema escolhido.

O Colégio Friburgo, em São Paulo, já participou do projeto e, neste ano, vai repetir a experiência. Em 2004, a 2ª série trabalhou com o livro Mata - Contos do Folclore Brasileiro, de Heloisa Prieto (Companhia das Letrinhas). As crianças fizeram uma leitura compartilhada e discutiram o texto. Em grupos, leram então uma segunda vez. Depois, desenharam e pintaram os personagens escolhidos e escreveram seus sentimentos sobre eles. Esses trabalhos foram parar na vitrine. "Todos se envolveram com o projeto. No dia da inauguração, tivemos a apresentação de uma poesia musicada e do coral", conta Eni Spimpolo, coordenadora de 1ª a 4ª série.

Mesmo que livrarias ou bibliotecas de sua cidade não desenvolvam atividades específicas para estudantes, a ida a esses locais vale a pena. A própria circulação dos grupos de crianças e jovens nesses espaços pode servir de incentivo a ações. Às vezes elas não existem simplesmente por falta de demanda.

Ler para Escrever

Todo mundo já ouviu (e provavelmente também já repetiu) a noção de que, para escrever bem, é preciso ler bem. À primeira vista, parece um princípio básico e indiscutível do ensino da Língua Portuguesa. Tanto que a opção de nove entre dez professores tem sido propor aos alunos a tarefa. Ler muito, ler de tudo, na esperança de que os textos automaticamente melhorem de qualidade. E, muitas vezes, a garotada de fato devora página atrás de página, mas - pense um pouco no exemplo de sua classe - a tal evolução simplesmente não aparece. Por que será?
Antes de mais nada, ninguém aqui vai defender que não se deva dar livros às crianças. A leitura diária é, sim, uma necessidade para o letramento. Mas ler para escrever bem exige outra pergunta: de qual leitura estamos falando? Para fazer avançar a escrita, a prática não pode ser um ato descompromissado, sem foco. Pelo contrário: exige intenção e um encadeamento bem definido de atividades, que tenham como principal objetivo mostrar como redigir textos específicos.

"A leitura para escrever é um momento especial, que coloca os estudantes numa posição de leitor diferente da que usualmente ocupam. Afinal, a tarefa deles será encontrar aspectos do texto que auxiliem a resolver seus próprios problemas de escrita", afirma Débora Rana, psicóloga e formadora de professores do Instituto Avisa Lá, em São Paulo.

É um trabalho que destaca a forma - estamos falando de intenção comunicativa e estilo, portanto -, tema relacionado a inquietações que tiram o sono de muitos docentes: por que as composições dos alunos têm tão poucas linhas? Por que eles não conseguem transmitir emoção ou humor? Por que as descrições de lugares e personagens não trazem detalhes?

Trechos de contos trazem ótimas sugestões para os textos
A ideia do trabalho é analisar os efeitos e o impacto que cada obra causa em quem as lê. Sensações, claro, são subjetivas, variando de pessoa para pessoa. Mas, quando lê diversos textos bons, com expressões e características recorrentes, a turma consegue, pouco a pouco, entender que é a linguagem que gera os tais efeitos que tanto nos comovem ou divertem. Nesse sentido, o conto, um dos tipos de texto mais usuais nas classes de 3º a 5º ano, oferece excelentes recursos para enriquecer produções de gêneros literários.

Cabe ao professor, no papel de leitor mais experiente, compartilhar com a turma as principais preciosidades, iluminando onde está o "ouro" de cada obra. Abaixo, listamos alguns dos principais pontos a ser observados e trabalhados nos textos da garotada. Também elencamos exemplos de como os contos podem ajudar a melhorá-los.

Linguagem e expressões características de cada gênero. Cada tipo de texto tem uma forma específica de dizer determinadas coisas. "Era uma vez", por exemplo, é certamente a forma mais tradicional de dar início a um conto de fadas (note que ela não seria adequada para uma composição informativa ou instrucional). Além de colaborar para que a turma identifique essas construções, a leitura de contos clássicos pode municiá-la de alternativas para fugir do lugar-comum. O Príncipe-Rã ou Henrique de Ferro, na versão dos Irmãos Grimm, começa assim: "Num tempo que já se foi, quando ainda aconteciam encantamentos, viveu um rei que tinha uma porção de filhas, todas lindas".

Descrição psicológica. Trazendo elementos importantes para a compreensão da trama, a explicitação de intenções e estados mentais ajuda a construir as imagens de cada um dos personagens, aproximando-os ou afastando-os do leitor. Em O Soldadinho de Chumbo, Hans Christian Andersen desvela em poucas linhas os traços da personalidade tímida, amorosa e respeitosa do protagonista: "O soldadinho olhou para a bailarina, ainda mais apaixonado: ela olhou para ele, mas não trocaram palavra alguma. Ele desejava conversar, mas não ousava. Sentia-se feliz apenas por estar novamente perto dela e poder contemplá-la".

Descrição de cenários. O detalhamento do ambiente em que se passa a ação é importante não apenas para trazer o leitor "para dentro" do texto mas também para, dependendo da intenção do autor, transmitir uma atmosfera de mistério, medo, alegria, encantamento etc. Em O Patinho Feio, Andersen retrata a tranquilidade do ninho das aves: "Um cantinho bem protegido no meio da folhagem, perto do rio que contornava o velho castelo. Mais adiante estendiam-se o bosque e um lindo jardim florido. Naquele lugar sossegado, a pata agora aquecia pacientemente seus ovos".

Ritmo. É possível controlar a velocidade da história usando expressões que indiquem a intensidade da passagem do tempo ("vagarosamente", "após longa espera", "de repente", "num estalo" etc.). Outros recursos mais sofisticados são recorrer a flashbacks ou divagações dos personagens (para retardar a história) ou enfileirar uma ação atrás da outra (para acelerar). Charles Perrault combina construções temporais e encadeamento de fatos para gerar um clima agitado e tenso neste trecho de Chapeuzinho Vermelho: "O lobo lançou-se sobre a boa mulher e a devorou num segundo, pois fazia mais de três dias que não comia. Em seguida, fechou a porta e se deitou na cama".

Caracterização dos personagens. Mais do que apelar para a descrição do tipo lista ("era feio, medroso e mal-humorado"), feita geralmente por um narrador que não participa da ação, que tal incentivar a garotada a explorar diálogos para mostrar os principais traços dos personagens? Nesse aspecto, a pontuação e o uso preciso de verbos declarativos e de marcas da oralidade exercem papel fundamental. Neste trecho de Rumpelstichen, os Irmãos Grimm dão voz à protagonista para que ela se lamente:

"- Ah! - respondeu a moça entre soluços. - O rei me mandou fiar toda esta palha de ouro. Não sei como fazer isso!"

Para terminar, um último e imprescindível lembrete: você pode ter colocado a turma para ler e ter direcionado adequadamente a atividade para melhorar a qualidade dos textos, mas o trabalho não para por aí. Nada disso adianta se o estudante não tiver a oportunidade - mais até, a obrigação - de pôr o conhecimento em prática. Ainda que a leitura seja essencial para impulsionar a escrita, não se desenvolve o comportamento de escritor sem enfrentar, na pele, os complexos desafios do escrever.

Thalita Rebouças


Biografia
Thalita Rebouças Teixeira nasceu no Rio de Janeiro, em 10 de novembro de 1974. É uma jornalista e escritora brasileira que escreve livros direcionados ao público adolescente.

Sua carreira começou em 1999, mas ela só ficou conhecida do grande público em 2003, quando passou a publicar seus livros pela editora Rocco. Desde então, lançou 12 títulos e já vendeu mais de 1milhão de livros. Em 2005, começou a assinar a coluna Fala Sério! na última página da Revista Atrevida.
Sua vontade de escrever nasceu quando ela era apenas uma criança, e com 10 anos ela se autodenominava "fazedora de livros". Fez faculdade de Direito durante dois anos, mas após este período resolveu cursar jornalismo. Trabalhou como jornalista na Gazeta Mercantil, Lance! e TV Globo, entre outros. Como assessora de imprensa trabalhou na FSB, no Rio de Janeiro, no Guarujá e em Nova Iorque.
Em 2001, resolveu apostar no sonho de criança e ser escritora. Em 2009 ela deu o primeiro passo rumo à sua carreira internacional, lançando seus primeiros livros em Portugal.Sua carreira é marcada pela paixão, pelo contato com o público e pela participação intensa em feiras de livros, autografando sempre todos os dias durante as bienais do Rio e de São Paulo. No YouTube há vários vídeos que mostram o entusiasmo do público com a escritora, além de entrevistas que ela deu a programas de TV, como o Programa do Jô.
Thalita também fez várias participações em programas da TV Globo, sempre relacionadas ao público adolescente e atualmente onde faz o quadro EE de Bolsa, do Esporte Espetacular.

Obras
No Brasil
Traição entre amigas
Fala sério, Mãe!
Fala sério, Professor!
Fala sério, Amor!
Fala sério, Amiga!
Fala sério, Pai!
Tudo por um Pop Star
Tudo por um namorado
Tudo por um feriado
Uma fada veio me visitar
Ela disse, Ele disse
Era uma vez minha primeira vez


Em Portugal
Que cena, Mãe!
Que cena, Professor!
Que cena, Amor!
Que cena, Amiga!
Que cena, Pai!
Tudo por uma Pop star


SP vai ter dez ’biciclotecas’, as bibliotecas sobre bikes

Criação de Robson Mendonça, ex-morador de rua, o projeto ganhou novo impulso depois do apoio de empresas interessadas em ajudar Mendonça com a doação de livros ou bicicletas. 
No mês passado, a primeira bicicloteca de Mendonça - que tem cerca de 200 livros, um gravador de DVD e uma agenda pessoal - foi roubada no centro de São Paulo, o que levou uma editora a fazer a primeira doação para aquisição de um novo equipamento. 
Outra empresa prometeu comprar outras nove bicicletas para levar o projeto a mais regiões da capital - atualmente, ele fica restrito ao centro. 
Segundo o presidente do Instituto Mobilidade Verde, Lincoln Paiva, a doação ainda está sendo negociada com a empresa e, por isso, o instituto não divulgará a origem do patrocínio. 'A intenção é colocar outras três biciclotecas no centro, uma no Campo Limpo e outra no  M'Boi Mirim (ambos na zona sul)', diz Paiva, para quem o desafio será encontrar alguém que se disponha 'a circular pela cidade emprestando livros'. 
Mendonça será o responsável pelas bikes do centro. 'Mesmo os que não sabem ler ainda conseguem  encontrar uma história nos livros que emprestamos', diz  ele, animado. 
Clique aqui e saiba mais sobre o programa.

sábado, 29 de outubro de 2011

100 livros essenciais da literatura brasileira

Quais são os 100 livros fundamentais, essenciais, imperdíveis da literatura brasileira? Que romance, poesia, crônica ou conto você não pode deixar de ler na vida? Dom CasmurroBrás CubasMacunaíma, Sargento de MilíciasGrande Sertão Veredas e outras grandes obras do Brasil. A revista Bravo selecionou os 100 melhores livros dos melhores autores do país. Aqueles clássicos que caem no vestibular com 100% de certeza. Um ranking dos livros mais importantes do Brasil. Veja a lista no final do texto ou siga as dicas de 17 educadoras que selecionaram os livros essenciais para ler dos 2 aos 18 anos e chegar a vida adulta com boas referências, no hotsite Biblioteca Básica.

Escritores costumam ser, até por ofício, bons frasistas. É com essa habilidade em manejar palavras, afinal, que constroem suas obras, e é em parte por causa dela que caem no esquecimento ou passam para a história. Uma dessas frases, famosa, é de um dos autores que figuram nesta edição, Monteiro Lobato: "Um país se faz com homens e livros". Quase um século depois, a sentença é incômoda: o que fazer para fazer deste um Brasil melhor? No que lhe cabe, a literatura ainda não deu totalmente as suas respostas.

Outro grande criador de frases, mais cínico na sua genialidade, é o dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, outro autor representado nesta edição. Dizer que "toda unanimidade é burra" é muito mais que um dito espirituoso: significa mesmo uma postura em relação às coisas do mundo e do homem tão crucial quanto aquela do criador do Sítio do Picapau Amarelo.

É evidente que o ranking das 100 obras obrigatórias da literatura brasileira feito nesta edição não encontrará unanimidade entre os leitores. Alguns discordarão da ordem, outros eliminariam títulos ou acrescentariam outros. E é bom que seja assim, é bom que haja o dissenso: ficamos longe da burrice dos cânones dos velhos compêndios e da tradição mumificada.

Embora tenha sua inevitável dose de subjetividade, a seleção feita nesta edição, contudo, está longe de ser arbitrária. Os livros que, em seus gêneros (romance, poesia, crônica, dramaturgia) ajudaram a construir a identidade da literatura nacional não foram desprezados (na relação geral e na ordem). Nem foram deixados de lado aqueles destacados pelas várias correntes da crítica, muito menos os que a própria revista BRAVO!, na sua missão de divulgar o que de melhor tem sido produzido na cultura brasileira, julgou merecer.

O resultado é um guia amplo, ao mesmo tempo informativo e útil. Para o leitor dos livros de ontem e hoje, do consagrado e do que pode apontar para o inovador. Não só para a literatura, mas também, como queria Lobato, para os homens e para o país que ainda temos de construir. A seguir, os 100 livros essenciais da literatura brasileira, listados em ordem alfabética de autor. Leia e divirta-se!

Adélia Prado: Bagagem 

Aluísio Azevedo: O Cortiço

Álvares de Azevedo: Lira dos Vinte Anos
                                       Noite na Taverna 
Antonio Callado: Quarup 

Antônio de Alcântara Machado: Brás, Bexiga e Barra Funda 
Ariano Suassuna: Romance d'A Pedra do Reino

Augusto de Campos: Viva Vaia 
Augusto dos Anjos: Eu 

Autran Dourado: Ópera dos Mortos

Basílio da Gama: O Uraguai

Bernando Élis: O Tronco

Bernando Guimarães: A Escrava Isaura

Caio Fernando Abreu: Morangos Mofados 
Carlos Drummond de Andrade: A Rosa do Povo
                                                           Claro Enigma

Castro Alves: Os Escravos
                          Espumas Flutuantes

Cecília Meireles: Romanceiro da Inconfidência
                                Mar Absoluto

Clarice Lispector: A Paixão Segundo G.H.
                                  Laços de Família

Cruz e Souza: Broquéis 

Dalton Trevisan: O Vampiro de Curitiba

Dias Gomes: O Pagador de Promessas 
Dyonélio Machado: Os Ratos 
Erico Verissimo: O Tempo e o Vento

Euclides da Cunha: Os Sertões 
Fernando Gabeira: O que é Isso, Companheiro?

Fernando Sabino: O Encontro Marcado 

Ferreira Gullar: Poema Sujo

Gonçalves Dias: I-Juca Pirama 
Graça Aranha: Canaã

Graciliano Ramos: Vidas Secas
                                   São Bernardo

Gregório de Matos: Obra Poética

Guimarães Rosa: O Grande Sertão: Veredas
                                 Sagarana

Haroldo de Campos: Galáxias 

Hilda Hilst: A Obscena Senhora D

Ignágio de Loyola Brandão: Zero

João Antônio: Malagueta, Perus e Bacanaço

João Cabral de Melo Neto: Morte e Vida Severina

João do Rio:A Alma Encantadora das Ruas

João Gilberto Noll: Harmada 
João Simões Lopes Neto: Contos Gauchescos

João Ubaldo Ribeiro: Viva o Povo Brasileiro

Joaquim Manuel de Macedo: A Moreninha

Jorge Amado: Gabriela, Cravo e Canela
                           Terras do Sem Fim

Jorge de Lima: Invenção de Orfeu 
José Cândido de Carvalho: O Coronel e o Lobisomen

José de Alencar: O Guarani
                                 Lucíola

José J. Veiga: Os Cavalinhos de Platiplanto

José Lins do Rego: Fogo Morto

Lima Barreto: Triste Fim de Policarpo Quaresma

Lúcio Cardoso: Crônica da Casa Assassinada 
Luis Fernando Verissimo: O Analista de Bagé

Luiz Vilela: Tremor de Terra

Lygia Fagundes Telles: As Meninas
                                          Seminário dos Ratos

Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas
                                     Dom Casmurro

Manuel Antônio de Almeida: Memórias de um Sargento de Milícias 
Manuel Bandeira: Libertinagem
                                  Estrela da Manhã 
Márcio Souza: Galvez, Imperador do Acre 
Mário de Andrade: Macunaíma;
                                   Paulicéia Desvairada 
Mário Faustino: o Homem e Sua Hora

Mário Quintana: Nova Antologia Poética

Marques Rebelo: A Estrela Sobe 
Menotti Del Picchia: Juca Mulato

Monteiro Lobato: O Sítio do Pica-pau Amarelo

Murilo Mendes: As Metamorfoses

Murilo Rubião: O Ex-Mágico

Nelson Rodrigues:  Vestido de Noiva
                                   A Vida Como Ela É

Olavo Bilac: Poesias 
Osman Lins: Avalovara 
Oswald de Andrade: Serafim Ponte Grande
                                       Memórias Sentimentais de João Miramar 
Otto Lara Resende: O Braço Direito 
Padre Antônio Vieira: Sermões 
Paulo Leminski: Catatau 
Pedro Nava: Baú de Ossos

Plínio Marcos: Navalha de Carne

Rachel de Queiroz: O Quinze

Raduan Nassar: Lavoura Arcaica
                               Um Copo de Cólera

Raul Pompéia: O Ateneu 
Rubem Braga: 200 Crônicas Escolhidas

Rubem Fonseca: A Coleira do Cão

Sérgio Sant'Anna: A Senhorita Simpson 
Stanislaw Ponte Preta: Febeapá 

Tomás Antônio Gonzaga: Marília de Dirceu
                                                Cartas Chilenas

Vinícius de Moraes: Nova Antologia Poética

Visconde de Taunay: Inocência