terça-feira, 22 de novembro de 2011

Roda de Leitura presta homenagem a Mário Jorge

A obra do escritor é tema de debate e leitura pública
Na Biblioteca os visitantes podem conferir uma exposição sobre o autor 
O escritor sergipano Mário Jorge Vieira é o homenageado da edição do projeto Roda de Leitura, que aconteceu na Biblioteca Pública Epifânio Dória na manhã dessa terça-feira, 22. O escritor completaria amanhã 65 anos de idade e além da leitura de textos, a homenagem contou com uma exposição sobre a vida do autor sergipano.

Sônia Carvalho, diretora da Biblioteca Epifânio Dória e coordenadora do comitê sergipano do Programa Nacional de Incentivo a Leitura (Proler) explica que a homenagem é feita com leituras e debates e que o evento é aberto ao público. “ Trabalhamos para divulgar a literatura em Sergipe. Não há obrigações em participar da roda de leitura, é só vim, ler e aprender”, garante Sônia Carvalho.

A roda de leitura acontece sempre na primeira e na terceira terça-feira de cada mês e homenageia escritores sergipanos com leituras mediadas e debates. O evento começa as 9h e é aberto ao público.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

'Praça de Leitura' será realizada neste sábado, no Jardim Cerejeiras


Neste sábado, dia 26 de novembro, a Prefeitura realiza mais uma “Praça de Leitura”, dessa vez na Praça Guanabara, no Jardim Cerejeiras. O evento acontece a partir das 13 horas. É uma boa oportunidade para você conhecer e ler livros e passar momentos gostosos que o ambiente da literatura pode oferecer.
Nesse projeto, as praças se transformaram em verdadeiras bibliotecas ao ar livre. Todo mês, uma praça da cidade recebe os livros, que ficam à disposição para a comunidade. Os livros podem ser lidos no local ou cedidos por empréstimo, mediante apresentação de RG e comprovante de residência.
O evento é promovido pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Educação, e faz parte do projeto educacional “Leitura no Coração da Escola”, que atende crianças de 1º ao 5º ano.

domingo, 20 de novembro de 2011

Livro que coloca em dúvida suicídio de Van Gogh revela alquimia entre arte e vida




Autorretrato de 1888. Influência do pontilhismo de G. Seurat, gravura japonesa e  imagens oníricas - Reprodução
Reprodução
Autorretrato de 1888. Influência do pontilhismo de G. Seurat, gravura japonesa e imagens oníricas
 
Ele tinha "um sol na cabeça e uma tempestade no coração": tais palavras, usadas para descrever o pintor francês Eugène Delacroix, foram memorizadas por Vincent van Gogh e poderiam facilmente ser aplicadas ao próprio holandês.
Da sua turbulenta vida emocional, repleta de solidão e desespero, emergiu - numa única década incandescente - uma profusão de pinturas encantadoras e vibrantes que realizaram a ambição dele de criar uma arte capaz de proporcionar consolo aos enlutados e redenção aos desesperados. Imagens que pudessem "dizer algo reconfortante, assim como a música é reconfortante - algo que invoque o eterno": estrelas fosforescentes rodopiando num céu noturno sob o luar amarelado; um conjunto de lírios radiantes florescendo num verdejante jardim iluminado pelo sol do Mediterrâneo; uma revoada de corvos batendo suas asas sobre a vastidão dourada dos campos de trigo sob um céu tempestuoso.
Na sua nova e magistral biografia, Van Gogh: The Life, Steven Naifeh e Gregory White Smith proporcionam ao leitor uma viagem guiada pelo mundo pessoal e pela obra do pintor holandês, esclarecendo a evolução da sua arte ao mesmo tempo em que articulam uma teoria - certamente controvertida - para explicar a morte dele aos 37 anos.
Embora o suicídio à bala já tenha se tornado parte do mito do artista torturado que envolve e disfarça Van Gogh, Naifeh e Smith destacam que há problemas nesta hipótese - como o ângulo do disparo, o desaparecimento da arma e de outras provas, e a longa caminhada que Van Gogh, já ferido, teria de fazer para voltar ao seu quarto. Em vez disso, eles propõem uma intrigante teoria alternativa, da qual os primeiros rumores foram ouvidos pelo historiador da arte John Rewald na década de 30 durante uma visita a Auvers, pequena cidade francesa onde Van Gogh morreu.
De acordo com Naifeh e Smith, um agressivo adolescente chamado René Secrétan, que gostava de vestir uma fantasia de caubói comprada depois de assistir ao espetáculo do Velho Oeste trazido por Buffalo Bill, foi provavelmente a fonte da arma (vendida ou emprestada a ele pelo encarregado da estalagem local). Secrétan e seus amigos costumavam provocar o excêntrico Van Gogh, e os autores sugerem que tenha havido algum tipo de encontro entre o pintor e os rapazes no dia do disparo. "Depois que a arma foi tirada da trouxa de René", escrevem eles, "qualquer coisa pode ter ocorrido - seja de maneira intencional ou acidental - entre um adolescente irresponsável cheio de fantasias do Velho Oeste, um artista inebriado que nada sabia a respeito de armas, e uma pistola antiquada com tendência a apresentar defeitos".
Os autores argumentam - de maneira não inteiramente convincente - que Van Gogh, profundamente infeliz, "recebia a morte de braços abertos", e Secrétan pode ter proporcionado a ele "a fuga pela qual o pintor ansiava sem ser capaz de ou estar disposto a dar cabo de si mesmo, depois de passar a vida criticando o suicídio como ‘covardia moral’".
Não há provas claras que corroborem esta teoria, como é afirmado, discretamente, num apêndice à biografia do pintor. E é assim que as coisas deveriam ser, já que o verdadeiro motivo para se ler este livro nada tem a ver com as especulações a respeito da morte de Van Gogh, e sim com a extensa crônica que estas páginas nos trazem da vida e da arte dele, e da alquimia entre ambas. O retrato mais amplo de Van Gogh que emerge deste livro já é conhecido por aqueles que leram biografias anteriores do pintor - principalmente o sucinto estudo de David Sweetman, publicado em 1990 -, mas ganha corpo com detalhes tão profusos quanto as pinceladas de uma de suas obras mais tardias.
Enquanto a biografia de Jackson Pollock, escrita e publicada pelos mesmos autores em 1989 e que inexplicavelmente ganhou o Prêmio Pulitzer, recorria a um freudianismo reducionista para tentar explicar a arte daquele pintor, este volume se esforça ao máximo para evitar o estabelecimento de elos simplistas entre a galvânica obra de Van Gogh e as suas dificuldades emocionais. (Os autores parecem concordar que seu ocasional comportamento incomum era provocado por um tipo de epilepsia, assim como concluiu um dos médicos de Van Gogh.) Em vez disso, Smith e Naifeh examinam disciplinadamente o desenvolvimento de suas ideias, suas técnicas, sua notável capacidade de aprender por osmose as lições dos demais pintores e transformá-las em suas próprias inovações.
Ao escrever este livro (e preparar um site complementar com anotações), os autores recorreram muito ao material de arquivo e aos estudos do Museu Van Gogh, de Amsterdã, e principalmente a uma nova edição das cartas de Van Gogh, que levou 15 anos para ser preparada e foi publicada em 2009. Como ocorreu com biógrafos anteriores, a capacidade deles de retratar de maneira convincente a vida interior de Van Gogh depende muito dessas notáveis cartas - uma correspondência que não apenas nos proporciona uma crônica dos altos e baixos do seu quadro maníaco, do seu processo criativo e do seu complexo relacionamento com o irmão, Theo, como também atesta seus imensos dotes literários e sua determinação férrea de aprender e crescer como artista.
Valendo-se dessas cartas e dos desenhos e pinturas de Van Gogh, Naifeh e Smith nos proporcionam um minucioso mapa anotado daquilo que permeava sua filosofia e sua arte. Por mais que pudesse ser errático e difícil, por mais que sofresse de colapsos nervosos e depressões, Van Gogh estava longe de ser o maluco consagrado pelo mito. Sua arte e sua sensibilidade foram moldadas pela sua ávida leitura de autores como Dickens, Shakespeare, George Eliot e Zola, assim como sua admiração por uma sucessão de pintores e o cada vez maior museu de imagens que ele mantinha na cabeça informaram a evolução da sua visão e da sua técnica enquanto pintor.
As primeiras pinturas de Van Gogh, retratando camponeses, foram inspiradas em parte por Millet, e aspiravam, de acordo com os autores, "celebrar não apenas a união dos camponeses com a natureza", mas também "sua sólida resignação diante do árduo trabalho". Suas pinturas posteriores, usando uma paleta elétrica, deviam algo aos impressionistas, movimento ao qual Theo buscava atraí-lo na esperança de que Vincent pintasse mais paisagens e usasse cores mais vivas para produzir telas mais atraentes aos compradores.
Van Gogh aprendeu também com o pontilhismo de Seurat, com a primitiva simplicidade das gravuras japonesas e com a aceitação das imagens oníricas proposta pelos simbolistas. Smith e Naifeh traçam com destreza a trajetória das peregrinações de Van Gogh, evocando a intensa atmosfera de fermentação criativa da Paris dos anos 1880. Eles dissecam a maneira com a qual o inquieto, obsessivo e altamente contraditório intelecto de Van Gogh assimilava e transformava, faminto, filosofias, iconografias e até pinceladas díspares, e também a sua passagem da exploração do efeito da luz sobre as superfícies às escavações mais intensas da sua própria psique, das simples descrições da realidade a um estilo mais expressionista que recriaria o mundo como espelho do seu próprio "coração fanático".
No decorrer do caminho somos presenteados com vislumbres de como o uso - uma verdadeira ginástica - que Van Gogh fazia das cores refletia as constantes mudanças do seu humor: o perfurante amarelo de um vaso de girassóis saudando o sol que banhava a vida dele em Arles; a serenidade de uma nova paleta de violeta, lavanda e lilás que se esgueirava para dentro dos quadros dele enquanto o pintor estava no Asilo de São Paulo, em St. Rémy; os tempestuosos azuis e as perigosas nuvens, sugerindo uma visão ameaçadora da natureza, conjurada na tela tardia Trigal com Corvos.
Aquilo que Naifeh e Smith capturam de maneira mais poderosa é a extraordinária disposição de Van Gogh em aprender, em perseverar contra as dificuldades, em continuar pintando depois que os primeiros professores criticaram sua obra, quando uma facilidade natural parecia iludi-lo, quando suas telas não encontravam compradores. Havia uma tenacidade similar nos seus comoventes esforços para preencher o vazio emocional da sua vida: rejeitado por sua família burguesa, que o enxergava como um rebelde instável; sufocado nas suas tentativas de seguir seus impulsos religiosos e se tornar um pregador; manipulado pelas mulheres que desejava; ridicularizado pelos vizinhos, que o consideravam louco; prejudicado por um competitivo Paul Gauguin, com quem esperava forjar uma fraternidade artística.
O único elo contínuo na vida de Van Gogh era com o irmão Theo, um negociante de arte, que lhe proporcionava apoio emocional, criativo e financeiro. Os autores deste livro conseguem transmitir o amor e a exasperação sentidos por Theo em relação ao seu exigente e necessitado irmão, e também quanto Vincent temia a possibilidade de perder a devoção de Theo. E eles traçam o arco do intenso e tumultuado relacionamento entre os irmãos no decorrer dos anos, culminando na morte de Vincent em julho de 1890, seguida pela morte de Theo seis meses depois.
O anseio por elos emocionais que acompanhou Vincent van Gogh por toda a sua vida seria, é claro, finalmente transformado em duradoura realidade na sua arte. "O que desenho é aquilo que vejo com clareza", escreveu ele num momento em que começava a encontrar a própria vocação. No desenhar, prosseguiu ele, "posso falar com entusiasmo. Encontrei uma voz". / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL
VAN GOGH: THE LIFEAutores: Steven Naifeh e Gregory White Smith
Editora: Random House
(Importado, 953 págs., R$ 97,70)

sábado, 19 de novembro de 2011

Frei Betto: menos miltância e mais ficção

Um Frei Betto inspirado fez a plateia da 7ª Fliporto gargalhar na manhã deste sábado, em Olinda, ao interpretar um texto que circula na internet sobre como a imprensa brasileira cobriria a a história da Chapeuzinho Vermelho, imitando, inclusive, seus narradores. Isso tudo para mostrar que uma história pode ser contada e interpretada de várias maneiras.
Em Pernambuco para falar sobre processo criativo, comentou que trata os livros como filhos e que neste momento está grávido de trigêmeos. Supersticioso, não abre de forma alguma o tema que tratará neles. Mas garante que todos serão de ficção. "Já esgotei minha capacidade de ensaio. Estou me livrando da camisa de força da militância política e deixando o universo onírico falar", contou o autor mineiro que acaba de lançar o romance histórico Minas de Ouro (Rocco).
As obras políticas, como Batismo de Sangue e Cartas da Prisão, e sua experiência durante o período da ditadura militar, no entanto, dominaram boa parte da conversa mediada por Bia Corrêa do Lago.
Presença constante em eventos literários país afora, o religioso disse que reserva 120 dias do ano para escrever. "Não são seguidos, mas são sagrados. Me isolo, aproveito para rezar um pouco mais e faço também algum exercício físico." E para descansar dos livros em construção, cria historias infantis.
Ao contrário de Deepak Chopra, que deixou a mesa de autógrafos na noite de ontem quando ainda havia leitores na fila, Frei Betto não levantou até que o último livro, o da atriz Maria Paula, fosse assinando. Agora também escritora, Maria Paula aproveitou para deixar com Frei Betto um exemplar de Liberdade Crônica (Faces), que lança amanhã na Fliporto. 
De Olinda, onde plantou uma muda de baobá depois de sua palestra, Frei Betto segue para Ouro Preto. Ele participa do Fórum das Letras neste domingo. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Projeto de incentivo à leitura encerra com apresentações de teatro

Durante todo o ano de 2011, 750 alunos de 6º ao 9º ano das escolas municipais de São Gabriel do Oeste, participaram do Projeto Livro Vivo de estímulo à leitura. O contato com a literatura e os contos de fadas culminou com a apresentação de várias peças de teatro baseadas nos livros lidos. O encerramento do projeto aconteceu nesta sexta-feira (18), no CCTA.
Criado em 2010, o projeto busca incentivar o amor pelos livros por meio de representações das histórias, leitura em grupo, dinâmicas, elaboração de paródias e acrósticos, além da leitura em casa. “A necessidade de uma comunicação melhor no mercado de trabalho é visível e pra isso precisa haver a melhora na escrita e na fala. E a leitura auxilia nesse aspecto”, aponta o secretário de Educação, Jeferson Tomazoni.
Para o prefeito Sérgio Marcon, é preciso incentivar o prazer da leitura desde a infância. “Parabenizamos a todos que se envolveram no projeto”, aponta o prefeito, que agradeceu a Editora Paulus pela doação de livros aos alunos participantes do projeto.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Começa hoje a 6ª Balada Literária em São Paulo

Debates do ano passado lotaram - Divulgação
Divulgação
Debates do ano passado lotaram
Começa nesta quarta-feira, 16, uma balada diferente. Não será na Vila Olímpia, nem no Baixo Augusta. Haverá, sim, uma pedra no meio do caminho. E, em vez de apenas dançar e beber, os participantes, sobretudo, lerão, discutirão e respirarão literatura. É a 6ª Balada Literária, que até domingo, trará mesas com escritores e, em menor escala, shows, exposições e peças de teatro nas regiões de Pinheiros, Vila Madalena e Avenida Paulista. Toda a programação será gratuita e, para participar, o público deverá chegar uma hora antes de cada evento e retirar senha. A abertura de hoje, no entanto, já está com os ingressos esgotados (será o show Poemúsica, com Adriana Calcanhotto, às 21h, no Sesc Pinheiros).
O escritor homenageado deste ano é Augusto de Campos, que completou 80 anos em fevereiro. Usando recursos visuais como a disposição geométrica das palavras na página e a aplicação de diferentes tipos e cores, Campos foi um dos precursores da poesia concreta no Brasil.
Amanhã, às 17h30, o homenageado e o cantor Caetano Veloso participarão de uma mesa de debate no Centro Cultural B_arco, em Pinheiros. Eles falarão, respectivamente, de concretismo e tropicalismo. Mais cedo, às 14h30, na Livraria da Vila, os interessados na intermediação entre as linguagens da TV, cinema e literatura poderão conferir os escritores Adriana Falcão e Marçal Aquino discorrerem sobre o tema.
Na sexta-feira, os destaques ficam por conta da mesa literária da qual farão parte os escritores Paulo Lins, autor de "Cidade de Deus", e Índigo. O evento será na Livraria da Vila, às 11h. No mesmo local, às 16h30, será possível assistir também à palestra do britânico Edwin Williamson, biógrafo de Jorge Luis Borges. E, no Instituto Itaú Cultural, às 19h30, o cantor Tom Zé abordará poesia e música. "É bem capaz de ele dar uma palhinha", diz Marcelino Freire, organizador da Balada Literária.
No sábado, às 11h, o dia começa com a escritora Adriana Lunardi falando de metáforas na Livraria da Vila. Às 14h, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, em Pinheiros, Fabrício Carpinejar conversará com autoras experientes e também com as estreantes Juliana Amato e Lorena Martins.
Uma boa opção para fechar esse dia é assistir, às 20h, no Instituto Itaú Cultural, à palestra com o escritor gaúcho João Gilberto Noll, ganhador de vários prêmios, entre eles, cinco Jabutis. Após a conversa, Noll atuará na peça de teatro "Solidão Continental", de sua autoria. E para quem quiser curtir shows e exposições, ficam duas dicas: a mostra "Tempo Suspenso", de Isabel Santana Terron, em cartaz desde o começo da festa, na Livraria da Vila. E para encerrar o evento, no domingo, às 20h, no Centro Cultural B_arco, show do cantor Aloísio Menezes.
Locais da Balada:
Biblioteca Alceu Amoroso Lima (Rua Henrique Schaumann, 777, Pinheiros). Tel. (011) 3082-5023.
Casa das Rosas (Avenida Paulista, 37, Bela Vista). Tel. (011) 3285-6986.Centro Cultural B_arco (Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426, Pinheiros). Tel. (011) 3081-6986
Espaço Plínio Marcos (Praça Benedito Calixto).
Goethe Institut (Rua Lisboa, 974, Pinheiros). Tel. (011) 3296-7000.
Itaú Cultural (Av. Paulista, 149, Paraíso). Tel. (011) 2168-1777
Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena). Tel. (011) 3814-5811.
Sesc Pinheiros (Rua Paes Leme, 195, Pinheiros). Tel. (011) 3095-9400.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Livros não provocam revolução, diz Gonçalo M. Tavares em Olinda

OLINDA - Um livro é uma máquina de fazer pensar e não é capaz de provocar uma revolução. O que acontece é que a leitura vai mudando lentamente a cabeça das pessoas, e a leitura de muitos livros, ao longo da vida, coloca todos em estado de lucidez. E aí sim elas podem mudar alguma situação. Essa é a opinião do escritor português Gonçalo M. Tavares, que participou na manhã deste domingo, ao lado do venezuelano Fernando Báez, da 7ª Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto).
Tavares acredita que a música, sim, tem porder de gerar revoltas - Leandro Lima/ Divulgação
Leandro Lima/ Divulgação
Tavares acredita que a música, sim, tem porder de gerar revoltas

"Acredito na força dos livros, mas não acredito que eles provoquem uma revolta. A música, sim, é das coisas que mais incitam a ação", disse Tavares. Para ele, uma pessoa pode até se chocar ao ver uma imagem forte em uma obra qualquer, mas isso não despertará nela o desejo de agir. "Ela só vai agir porque leu muitos livros durante a vida", completou.

E livros, como tudo, não são objetos de pura bondade, disse. "Toda a história do nazismo é a história de centenas de livros violentos que prepararam para a entrada do mal sem limite." Por outro lado, comentou, ele é uma das coisas que mais mudam a cabeça das pessoas. "E não há nada mais importante do que mudar as pessoas."

Ainda hoje na Fliporto, Mamede Jarouche, Ioram Melcer e Edwin Williamson conversam sobre "As 1001 noites de Jorge Luis Borges" e o cineasta Tariq Ali bate-papo com Silio Boccanera sobre as guerras do Paquistão e do Afeganistão. Este domingo marca também a volta de Raimundo Carrero, que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em outubro do ano passado, às festas literárias.

domingo, 13 de novembro de 2011

Charles Eliot

Livros são os mais silenciosos e constantes amigos; os mais acessíveis e sábios conselheiros; e os mais pacientes professores.

Charles Eliot

sábado, 12 de novembro de 2011

Escolas públicas integram atividades criativas na 30ª Feira do Livro

Leitores de Brasília recebem, a partir desta sexta-feira (11), escritores nacionais e internacionais durante a 30ª edição da Feira do Livro. Mais de trinta segmentos estarão representados no ExpoBrasília, localizado no Parque da Cidade. As escolas públicas organizaram agendas de visitas para os 10 dias do evento, que tem entrada franca. Os grupos especiais podem marcar um passeio exclusivo pelos stands no sítio http://www.feiradolivro.com.br/.

http://www.se.df.gov.br/?p=2013

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Rubens Figueiredo vence Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2011

Rubens Figueiredo foi o vencedor do Prêmio Portugal Telecom de Literatura, anunciado na noite desta terça-feira, em São Paulo. Por seu Passageiro do Fim do Dia (Companhia das Letras), já ganhador do Prêmio São Paulo de Literatura este ano, ele levou R$ 100 mil.
Rubens Figueiredo venceu um dos prêmio mais importantes da literatura - Divulgação
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Rubens Figueiredo venceu um dos prêmio mais importantes da literatura
Gonçalo M. Tavares, autor de Uma Viagem À Índia (Leya), garantiu o segundo lugar (R 35 mil) e Marina Colasanti ficou em terceiro. Seu livro autobiográfico Minha Guerra Alheia(Record) lhe rendeu R$ 15 mil.
O prêmio, um dos mais importantes da literatura, foi dado aos melhores livros escritos em língua portuguesa e editados no Brasil em 2010.
Rubens Figueiredo, que é tradutor, disse que só escreve nas horas vagas e só quando tem o que dizer. "Estou muito surpreso, mas minha motivação não foi o prêmio, mas sim tratar de um assunto. Procurei abordar coisas cotidianas e sem nexo à primeira vista, algumas banais e triviais, para encontrar nelas sinais de processos vitais que percorrem toda a sociedade", disse. A história do livro se passa em um único dia e o cenário é um ônibus coletivo. 

René Descartes

A leitura de todos bons livros é como uma conversa com os melhores espíritos dos séculos passados , que foram seus autores , e é uma conversa estudada , na qual eles nos revelam seus melhores pensamentos.
René Descartes

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Acervo do escritor José de Alencar será digitalizado

Manuscritos e documentos inéditos do pai do romance brasileiro, o escritor cearense José de Alencar, serão digitalizados e colocados à disposição numa biblioteca virtual que terá como centro de referência a casa onde ele nasceu, em Fortaleza. O material ficará disponível para consulta pública nos computadores da biblioteca da Casa de José de Alencar a partir de maio de 2012.
O projeto, orçado em R$ 100 mil, será realizado pela Casa de José de Alencar em parceria com o Departamento de Literatura da Universidade Federal do Ceará e o Arquivo Histórico do Museu Histórico Nacional.
Entre os 29 documentos, destacam-se treze cadernos manuscritos com fragmentos de textos já publicados, como o livro autobiográfico "Como e Por Que Sou Romancista" e do ensaio filosófico e antropológico "Antiguidade da América". Também serão digitalizados trechos do primeiro romance de Alencar, "Os Contrabandistas", que, segundo o pesquisador Marcelo Peloggio, não chegou a ser concluído. "Foi a primeira tentativa de Alencar de escrever um romance", diz Peloggio. "Alguns desses papéis se perderam. Afinal são documentos de 1846."
Boa parte desse material que será digitalizado foi transformada em livro por Peloggio, após três anos de pesquisa no acervo do Museu Histórico Nacional, no Rio, onde os documentos encontram-se expostos. A obra traz textos de Alencar guardados há mais de 130 anos, que ainda não haviam sido publicados integralmente. O pesquisador identificou fragmentos e anotações em 11 cadernos do escritor cearense que compõem dois manuscritos sobre a origem da humanidade e sua extinção, "Antiguidade da América" e "A Raça Primogênita".
"São textos de caráter antropológico e filosófico, talvez os últimos de Alencar. Aventam a hipótese de que o homem surgiu na América e aqui vai se extinguir", diz Peloggio. Os ensaios consideram que o berço da humanidade seria a América e que o mundo terminaria em um grande massacre, que se passaria no continente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. 

Jorge Amado

Biografia
Jorge Amado nasceu na fazenda Auricídia, em Ferradas, município de Itabuna. Filho do "coronel" João Amado de Faria e de Eulália Leal Amado, foi para Ilhéus com apenas um ano e lá passou a infância e descobriu as letras. A adolescência ele viveria em Salvador, no contato com aquela vida popular que marcaria sua obra.

Aos 14 anos, começou a participar da vida literária de Salvador, sendo um dos fundadores da Academia dos Rebeldes, grupo de jovens que (juntamente com os do Arco & Flecha e do Samba) desempenhou importante papel na renovação das letras baianas. Entre 1927 e 1929, foi repórter no "Diário da Bahia", época em que também escreveu na revista literária "A Luva".

Estreou na literatura em 1930, com a publicação (por uma editora carioca) da novela "Lenita", escrita em colaboração com Dias da Costa e Édison Carneiro. Seus primeiros romances foram "O País do Carnaval" (1931), "Cacau" (1933) e "Suor" (1934).

Jorge Amado bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais na Faculdade de Direito no Rio de Janeiro (1935), mas nunca exerceria a profissão de advogado. Em 1939, foi redator-chefe da revista "Dom Casmurro". De 1935 a 1944, escreveu os romances "Jubiabá", "Mar Morto", "Capitães de Areia", "Terras do Sem-Fim" e "São Jorge dos Ilhéus".

Em parte devido ao exílio no regime getulista, Jorge Amado viajou pelo mundo e viveu na Argentina e no Uruguai (1941-2) e, depois, em Paris (1948-50) e em Praga (1951-2).

Voltando para o Brasil durante o segundo conflito mundial, redigiu a seção "Hora da Guerra" no jornal "O Imparcial" (1943-4). Mudando-se para São Paulo, dirigiu o diário Hoje (1945). Anos depois, no Rio, participaria da direção do semanário "Para Todos" (1956-8).

Em 1945, foi eleito deputado federal por São Paulo, tendo participado daAssembléia Constituinte de 1946 (pelo Partido Comunista Brasileiro) e da primeira Câmara Federal posterior ao Estado Novo. Nessa condição, foi responsável por várias leis que beneficiaram a cultura. De 1946 a 1958, escreveria "Seara Vermelha", "Os Subterrâneos da Liberdade" e "Gabriela, Cravo e Canela".

Em abril de 1961, foi eleito para a cadeira número 23 da Academia Brasileira de Letras (sucedendo a Otávio Mangabeira). Na década de 1960, lançou os romances "A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água", "Os Velhos Marinheiros, ou o Capitão de Longo Curso", "Os Pastores da Noite", "Dona Flor e Seus Dois Maridos" e "Tenda dos milagres". Nos anos 1970, viriam "Teresa Batista Cansada de Guerra", "Tieta do Agreste" e "Farda, Fardão, Camisola de Dormir".

Suas obras foram traduzidas para 48 idiomas. Muitas se viram adaptados para o cinema, o teatro, o rádio, a televisão e até as histórias em quadrinhos, não só no Brasil, mas também em PortugalFrançaArgentinaSuéciaAlemanhaPolônia,Tchecoslováquia (atual República Tcheca), Itália e EUA. Seus últimos livros foram "Tocaia Grande" (1984), "O Sumiço da Santa" (1988) e "A Descoberta da América pelos Turcos" (1994).

Além de romances, escreveu contos, poesias, biografias, peças, histórias infantis e guias de viagem. Sua esposa, Zélia Gattai, é autora de "Anarquistas, Graças a Deus" (1979), "Um Chapéu Para Viagem" (1982), "Senhora Dona do Baile" (1984), "Jardim de Inverno" (1988), "Pipistrelo das Mil Cores" (1989) e "O Segredo da Rua 18" (1991). O casal teve dois filhos: João Jorge, sociólogo e autor de peças infantis; e Paloma, psicóloga.

Jorge Amado morreu perto de completar 89 anos, em Salvador. A seu pedido, foi cremado, e as cinzas, colocadas ao pé de uma árvore (uma mangueira) em sua casa.



Obras
  • O País do Carnaval, romance (1930)
  • Cacau, romance (1933)
  • Suor, romance (1934)
  • Jubiabá, romance (1935)
  • Mar morto, romance (1936)
  • Capitães da areia, romance (1937)
  • A estrada do mar, poesia (1938)
  • ABC de Castro Alves, biografia (1941)
  • O cavaleiro da esperança, biografia (1942)
  • Terras do Sem-Fim, romance (1943)
  • São Jorge dos Ilhéus, romance (1944)
  • Bahia de Todos os Santos, guia (1945)
  • Seara vermelha, romance (1946)
  • O amor do soldado, teatro (1947)
  • O mundo da paz, viagens (1951)
  • Os subterrâneos da liberdade, romance (1954)
  • Gabriela, cravo e canela, romance (1958)
  • A morte e a morte de Quincas Berro d'Água, romance (1961)
  • Os velhos marinheiros ou o capitão de longo curso, romance (1961)
  • Os pastores da noite, romance (1964)
  • O Compadre de Ogum,romance (1964)
  • Dona Flor e Seus Dois Maridos, romance (1966)
  • Tenda dos milagres, romance (1969)
  • Teresa Batista cansada de guerra, romance (1972)
  • O gato Malhado e a andorinha Sinhá, historieta infanto-juvenil (1976)
  • Tieta do Agreste, romance (1977)
  • Farda, fardão, camisola de dormir, romance (1979)
  • Do recente milagre dos pássaros, contos (1979)
  • O menino grapiúna, memórias (1982)
  • A bola e o goleiro, literatura infantil (1984)
  • Tocaia grande, romance (1984)
  • O sumiço da santa, romance (1988)
  • Navegação de cabotagem, memórias (1992)
  • A descoberta da América pelos turcos, romance (1994)
  • O milagre dos pássaros , fábula (1997)
  • Hora da Guerra, crônicas (2008)

Roger Chartier: "Os livros resistirão às tecnologias digitais"

O francês Roger Chartier - é um dos mais reconhecidos historiadores da atualidade. Professor e pesquisador da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e professor do Collège de France, ambos em Paris, também leciona na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e viaja o mundo proferindo palestras.

Sua especialidade é a leitura, com ênfase nas práticas culturais da humanidade. Mas ele não se debruça apenas sobre o passado. Interessa-se também pelos efeitos da revolução digital. "Estamos vivendo a primeira transformação da técnica de produção e reprodução de textos e essa mudança na forma e no suporte influencia o próprio hábito de ler", diz.

Diferentemente dos que prevêem o fim da leitura e dos livros por causa dos computadores, Chartier - acha que a internet pode ser uma poderosa aliada para manter a cultura escrita. "Além de auxiliar no aprendizado, a tecnologia faz circular os textos de forma intensa, aberta e universal e, acredito, vai criar um novo tipo de obra literária ou histórica. Dispomos hoje de três formas de produção, transcrição e transmissão de texto: a mão, impressa e eletrônica - e elas coexistem."

No fim de junho, Chartier - esteve no Brasil para lançar seu livro Inscrever & Apagar, em que discute a preservação da memória e a efemeridade dos textos escritos. Nesta entrevista, ele conta como a leitura se popularizou no século 19, mas destaca que bem antes disso já existiam textos circulando pelos lugares mais remotos da Europa na forma de literatura de cordel e de bibliotecas ambulantes. Confira os principais trechos da conversa.

Como era, no passado, o contato das crianças e dos jovens com a leitura?

ROGER CHARTIER  A literatura se restringia às peças teatrais. As representações públicas em Londres, como podemos ver nas últimas cenas do filme Shakespeare Apaixonado, e nas arenas da Espanha são exemplos disso. Já nos séculos 19 e 20, as crianças e os jovens conheciam a literatura por meio de exercícios escolares: leitura de trechos de obras, recitações, cópias e produções que imitavam o estilo de autores antigos, como as famosas cartas da escritora Madame de Sévigné (1626-1696) e as fábulas de La Fontaine (1621-1695).

Quando a leitura se tornou popular?

CHARTIER  No século 19, surgiu um novo contingente de leitores: crianças, mulheres e trabalhadores. Para esses novos públicos, os editores lançaram livros escolares, revistas e jornais. Porém, desde o século 16, existiam livros populares na Europa: a literatura de cordel na Espanha e em Portugal, os chapbooks (pequenos livros comercializados por vendedores ambulantes) na Inglaterra e a Biblioteca Azul (acervo que circulava em regiões remotas) na França. Por outro lado, certos leitores mais alfabetizados que os demais se apropriaram dos textos lidos pelas elites.O livro O Queijo e os Vermes, do italiano Carlo Guinzburg, publicado em 1980, relata as leituras de um moleiro do século 16.

As práticas atuais de leitura têm relação com as práticas do passado?
CHARTIER
 É claro. Na Renascença, por exemplo, a leitura e a escrita eram acessíveis a poucas pessoas, que utilizavam uma técnica conhecida como loci comunes, ou lugares-comuns, ou seja, exemplos a serem seguidos e imitados. O leitor assinalava nos textos trechos para copiar, fazia marcações nas margens dos livros e anotações num caderno para usar essas citações nas próprias produções. No século 16, editores publicaram compilações de lugares-comuns para facilitar a tarefa dos leitores, como fez o filósofo Erasmo de Roterdã (1466-1536).

Em que medida compreender essas e outras práticas sociais de leitura pode transformar a relação com os textos escritos?

CHARTIER  Os estudos da história da leitura costumam esquecer dois importantes elementos: o suporte material dos textos e as variadas formas de ler. Eles são decisivos para a construção de sentido e interpretação da leitura em qualquer época. Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes (1547-1616), era lido em silêncio, como hoje, mas também em voz alta, capítulo por capítulo, para platéias de ouvintes. Todas as pesquisas nessa área formam um patrimônio comum com o qual os professores podem construir estratégias pedagógicas, considerando as práticas de leitura.

Que papel a literatura ocupa na Educação atual?

CHARTIER  A escola se afastou da literatura, principalmente no Brasil, porque está preocupada em oferecer ao maior número possível de crianças as habilidades básicas de leitura e escrita. Mas acredito que os professores devem acolher a literatura novamente, da alfabetização aos cursos de nível superior, como mostram várias experiências pedagógicas. Na França, por exemplo, um filme recém-lançado exibe uma peça do dramaturgo Pierre de Marivaux (1688-1763) encenada por jovens moradores de bairros pobres.

Muitos dizem que desenvolver o gosto dos jovens pela leitura é um desafio.
CHARTIER  Certamente. Mas é papel da escola incentivar a relação dos alunos com um patrimônio cultural cujos textos servem de base para pensar a relação consigo mesmo, com os outros e o mundo. É preciso tirar proveito das novas possibilidades do mundo eletrônico e ao mesmo tempo entender a lógica de outro tipo de produção escrita que traz ao leitor instrumentos para pensar e viver melhor.

O senhor quer dizer que a internet pode ajudar os jovens a conhecer a riqueza do mundo literário?
CHARTIER  Sim. O essencial da leitura hoje passa pela tela do computador. Mas muita gente diz que o livro acabou, que ninguém mais lê, que o texto está ameaçado. Eu não concordo. O que há nas telas dos computadores? Texto - e também imagens e jogos. A questão é que a leitura atualmente se dá de forma, fragmentada, num mundo em que cada texto é pensado como uma unidade separada de informação. Essa forma de leitura se reflete na relação com as obras, já que o livro impresso dá ao leitor a percepção de totalidade, coerência e identidade - o que não ocorre na tela. É muito difícil manter um contato profundo com um romance de Machado de Assis no computador.

Essa fragmentação dos conteúdos na internet não afeta negativamente a formação de novos leitores?

CHARTIER  Provavelmente sim. Na internet, não há nada que obrigue o leitor a ler uma obra inteira e a compreender em sua totalidade. Mas cabe às escolas, bibliotecas e meios de comunicação mostrar que há outras formas de leitura que não estão na tela dos computadores. O professor deve ensinar que um romance é uma obra que se lê lentamente, de forma reflexiva. E que isso é muito diferente de pular de uma informação a outra, como fazemos ao ler notícias ou um site. Por tudo isso, não tenho dúvida de que a cultura impressa continuará existindo.

As novas tecnologias não comprometem o entendimento e o sentido completo de uma obra literária?

CHARTIER  Sim e não. A pergunta que devemos nos fazer é: o que é um texto? O que é um livro? A tecnologia reforça a possibilidade de acesso ao texto literário, mas também faz com que seja difícil apreender sua totalidade, seu sentido completo. É a mesma superfície (uma tela) que exibe todos os tipos de texto no mundo eletrônico. É função da escola e dos meios de comunicação manter o conceito do que é uma criação intelectual e valorizar os dois modos de leitura, o digital e o papel. É essencial fazer essa ponte nos dias de hoje.

O novo suporte tecnológico pode auxiliar a leitura, mas não necessariamente o desempenho escolar.

CHARTIER  Pesquisas realizadas em vários países mostram que o uso do computador na Educação, quando acompanhado de métodos pedagógicos, melhora, sim, o aprendizado, acelera a alfabetização e permite o domínio das regras da língua, como a ortografia e a sintaxe. É preciso desenvolver políticas públicas que tenham por objetivo a correta utilização da tecnologia na sala de aula.

O senhor acha que o e-paper (dispositivo eletrônico flexível como uma folha de papel) é o futuro do livro?

CHARTIER  Os textos eletrônicos são abertos, maleáveis, gratuitos e esses aspectos são contrários aos da publicação tradicional de um texto (que pressupõe a criação de um objeto de negócio). Para ser publicado, um texto deve ser estável. Na internet, os textos eletrônicos continuaram protegidos, ou seja, não podem ser alterados, e têm de ser comprados e descarregados no computador do usuário integralmente. Para mim, a discussão sobre o futuro dos livros passa pela oposição entre comunicação eletrônica e publicação eletrônica, entre maleabilidade e gratuidade.

Ao longo da história da humanidade, acompanhamos a passagem da leitura oral para a silenciosa, a expansão dos livros e dos jornais e a transmissão eletrônica de textos. Qual foi a mais radical?CHARTIER  Sem dúvida, a transmissão eletrônica. E por uma razão bastante simples: nunca houve uma transformação tão radical na técnica de produção e reprodução de textos e no suporte deles. O livro já existia antes de Guttenberg criar os tipos móveis, mas as práticas de leitura começaram lentamente a se modificar com a possibilidade de imprimir os volumes em larga escala. Hoje temos no mundo digital um novo suporte, a tela do computador, e uma nova prática de leitura, muito mais rápida e fragmentada. Ela abre um mundo de possibilidades, mas também muitos desafios para quem gosta de ler e sobretudo para os professores, que precisam desenvolver em seus alunos o prazer da leitura.

É muito fácil publicar informações falsas na Internet. Como evitar isso?
CHARTIER
  A leitura do texto eletrônico priva o leitor dos critérios de julgamento que existem no mundo impresso. Uma informação histórica publicada num livro de uma editora respeitada tem mais chance de estar correta do que uma que saiu numa revista ou num site. É claro que há erros nos livros e ótimos artigos em revistas e sites. Mas há um sistema de referências que hierarquiza as possibilidades de acerto no mundo impresso e que não existe no mundo digital. Isso permite que haja tantos plágios e informações falsas. Precisamos fornecer instrumentos críticos para controlar e corrigir informações na internet, evitando que a máquina seja um veículo de falsificação.



Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/fundamentos/roger-chartier-livros-resistirao-tecnologias-digitais-610077.shtml

Edmir Perrotti: "Biblioteca não é depósito de livros"

Desafios como a criação do hábito da leitura entre crianças e adolescentes, as novidades tecnológicas, a ampliação do acesso ao ensino e a sofisticação do mercado editorial levaram o professor Edmir Perrotti a uma nova concepção de biblioteca escolar e de seu papel pedagógico.
Com formação em Biblioteconomia - área que combinou com seu interesse em Educação -, ele é docente da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, conselheiro do Ministério da Educação para a política de formação de leitores e autor de livros infantis.
Perrotti orientou a implantação de redes de bibliotecas inovadoras nas escolas municipais de São Bernardo do Campo, Diadema e Jaguariúna, no estado de São Paulo. Nessas estações de conhecimento, como ele prefere chamá-las, a aprendizagem é estimulada pela presença de suportes tecnológicos, como o computador e a televisão.
Em um ambiente que convida as crianças a descobrir e aprofundar o prazer da leitura, os livros convivem com outras linguagens, como a do teatro. "Assim trabalha-se o contato com as informações e também o processamento delas", diz. Ex-professor da Universidade de Bordeaux, na França, e de escolas de Ensino Fundamental no Brasil, além de editor e crítico literário, Perrotti concedeu a seguinte entrevista a NOVA ESCOLA.

O que deve orientar a constituição de uma biblioteca escolar?
Edimir Perrotti Ela não pode restringir-se a um papel meramente didático-pedagógico, ou seja, o de dar apoio para o programa dos professores. Há um eixo educativo que a biblioteca tem de seguir, mas sua configuração deve extrapolar esse limite, porque o eixo cultural é igualmente essencial. Isso significa trazer autores para conversar, discutir livros, formar círculos de leitores, reunir grupos de crianças interessadas num personagem, num autor ou num tema. A biblioteca funciona como uma ponte entre o ambiente escolar e o mundo externo.

De que modo se realiza essa abertura para fora da escola? Perrotti O responsável pela biblioteca tem o papel de articular programas com a biblioteca pública e fazer contato com a livraria mais próxima, além de estar atento à programação cultural da cidade. Há uma série de estratégias possíveis para inserir a criança num contexto letrado. A biblioteca precisa ter outra finalidade que não seja simplesmente a de um depósito de onde se retiram livros que depois são devolvidos. Nós não trabalhamos mais com a idéia de unidades isoladas. O ideal é formar redes, um conjunto de espaços que eu chamo de estações de conhecimento, cujo objetivo é a apropriação do saber pelas crianças.

Qual é a necessidade das redes? Perrotti Com o atual excesso de informações e a multiplicação de suportes, nenhuma biblioteca dá conta de todas as áreas em profundidade, até porque não haveria recursos para isso. O trabalho tem de ser compartilhado com outras unidades da rede, por meio de mecanismos de busca informatizados. Por exemplo: a escola guarda um pequeno acervo inicial sobre arte, mas, se o interesse for por um conhecimento aprofundado, recorre-se a uma biblioteca especializada na área. Hoje não há mais condições de manter o antigo ideal de bibliotecas enciclopédicas, que abarcavam todas as áreas de conhecimento.

Quem deve ser o responsável pela biblioteca? Perrotti Processar as informações e criar nexos entre elas é um ato educativo. O responsável, portanto, é um educador para a informação, que nós chamamos de infoeducador, um professor com especialização em processos documentais. Uma rede de bibliotecas tem uma plataforma de apoio técnico-especializado, que é a área do bibliotecário, um especialista em planejamento e organização da informação. Junto com ele trabalham os educadores, que são especialistas em processos de mediação de informação. Dar acesso ao acervo não basta para que o aluno saiba selecionar e processar informações e estabelecer vínculos entre elas.

De que modo se estimula a autonomia numa biblioteca? Perrotti É preciso desenvolver programas para construir competências informacionais. Isso inclui desde ensinar a folhear um livro — para crianças bem pequenas — até manejar um computador. Antigamente imperava a idéia de que os adultos é que deveriam mexer nas máquinas e pegar os livros na estante. Hoje deve-se formar pessoas que tenham uma atitude desenvolvida, não só de curiosidade intelectual mas de domínio dos recursos de informação. Essa é uma questão essencial da nossa época.

Por que a escola tem falhado em ensinar os alunos a processar informações? Perrotti Porque se acredita que basta escolarizar as crianças para formar leitores. De fato, a escola tem o papel de construir competências fundamentais para a leitura, mas isso não quer dizer formar atitude leitora. Hoje, o que distingue o leitor das elites do leitor das massas é que o primeiro tem um circuito de trocas. Ele participa do comércio simbólico da escrita, da produção à recepção: sabe o que é publicado, informa-se sobre os autores, encontra outros leitores etc. Já a criança da escola pública muitas vezes não tem livros em casa e só lê o que o professor pede. Ela não tem com quem comentar. Está sozinha nesse comércio das trocas simbólicas.

Qual é o mínimo necessário para o funcionamento de uma biblioteca escolar? Perrotti Estou convencido de que é a pessoa que trabalha ali, mediando relações entre a criança, a informação e o espaço. Não precisa ser alguém superespecializado, mas que compreenda a função da escrita e da imagem e que saiba qual é a importância daquilo na vida das pessoas. Assim, a compra de livros seguirá um critério de escolha consciente. É claro que é bom construir um ambiente agradável e funcional, mas não é indispensável, porque a leitura não depende das instalações da biblioteca; ela se dá em qualquer lugar.

Quem deve escolher o acervo? Perrotti Nós temos trabalhado um modelo em que a escolha é feita por todos os que participam dos processos de aprendizagem: professores, coordenadores, diretores e alunos. Formulários são colocados à disposição para que sejam feitas sugestões de compra. O infoeducador não só coleta esses dados como divulga, por meio dos quadros de aviso, as informações sobre lançamentos que saem na imprensa e na internet. Depois, ele vai analisar os pedidos, separá-los em categorias — livros importantes para os projetos em andamento, leituras de informação geral ou complementares etc. — e, com base nessas listas, a escolha é feita de acordo com os recursos disponíveis.

Como comprometer o aluno com a organização e a manutenção da biblioteca? Perrotti Ele participa da escolha do acervo e também pode estar pessoalmente representado nele, por meio de livros que ele escreve e de documentos de sua passagem pela escola. Uma parte do acervo vem da indústria cultural e outra é produzida internamente, com documentos e relatos referentes à história da instituição. Formar um repertório de dados locais cria relações com as informações universais.

Descreva a biblioteca escolar ideal. Perrotti É aquela que possui todo tipo de recurso informacional, do papel ao equipamento eletrônico. O espaço é construído especialmente para sua finalidade e de acordo com quem vai usar. Se o público majoritário é infantil, a disposição dos móveis e do acervo deve permitir que a criança se mova com autonomia. É preciso ser um local acolhedor, mas que empurre rumo à aventura, porque conhecer é sempre se deslocar.

Por que se diz que os jovens não gostam de ler? Perrotti Os interesses mudam na passagem da infância para a adolescência e a leitura que era feita antes já não interessa tanto, mesmo porque cresce a concorrência de outras mídias. Essa é uma transição crítica e ainda não foram definidas ações específicas para promover a leitura nessa faixa etária. Os adolescentes identificam o livro com as tarefas da escola, que reforça essa percepção porque raramente sai da abordagem instrumental da leitura. E no âmbito social, entre os amigos, a leitura não está presente. Mesmo assim, essa fase é a das grandes paixões. Portanto, há um espaço enorme para promover a leitura entre os jovens.

É possível formar leitores por meio de políticas públicas? Perrotti O problema é saber que caráter elas têm. Eu não concordo com estratégias que pretendam ensinar os alunos a gostar de ler. A função do poder público é criar ambientes que dêem condições de ler, tentar despertar as crianças para as potencialidades da escrita, prepará-las para as competências leitoras — enfim, providenciar para que seja constituída a trama que sustenta o ato de ler. Mas gostar de ler é questão de foro íntimo, não de políticas públicas.

A escola deve obrigar um aluno a ler livros e freqüentar bibliotecas mesmo que ele não goste? Perrotti Não se pode deixar de perguntar por que esse aluno não gosta de ler. Ele teve uma relação negativa com a situação de aprendizagem? Ninguém lê em casa? Tem dificuldades de visão? Não domina o código? Não tem circuitos culturais a sua volta? Tudo isso pode e deve ser trabalhado. Agora, se ele teve apoio para experimentar a prática da leitura e prefere fazer outras coisas, não adianta forçar. É claro que não estou falando da leitura funcional, indispensável para a vida diária. Nesse caso, é obrigatório negociar com a criança o "não querer ler".

É melhor ler literatura de má qualidade do que não ler nada? Perrotti A pergunta já supõe que de fato existe uma literatura de má qualidade. Há leitores que são capazes de voar longe com um suposto mau livro, assim como há muitos trabalhos escolares que se utilizam de grandes textos, mas sufocam o interesse de aprender. Por outro lado, não é possível deixar o gosto do leitor imperar sozinho. É fundamental operar mediações entre as crianças e uma literatura que tenha condições de produzir significações importantes.

O uso do livro em sala de aula está em decadência? Perrotti Ele está aquém do que gostaríamos que fosse e também do que seria necessário. Mesmo assim, o livro está entrando nas escolas numa medida que não entrava, nem que seja por meio das distribuições feitas pelo Ministério da Educação e as secretarias estaduais e municipais. Há 50 anos nem sequer se sonhava com isso no Brasil. O problema maior é o de mau uso desses livros, com estratégias impositivas de leitura. Muitas vezes falta penetrar no avesso dos textos com as crianças e realmente mergulhar numa viagem de conhecimento, de imaginação.

Até que ponto as bibliotecas levam ao hábito da leitura? Perrotti Eu participei de uma pesquisa feita com as crianças usuárias das redes de biblioteca que ajudei a implantar no estado de São Paulo. Queríamos saber se elas estão incorporando a leitura a sua prática de vida e não apenas como lição de casa. Qual é a constatação? Houve um grande avanço e as crianças se mostram muito mais familiarizadas com os livros, mas infelizmente ainda não usam as novas competências para trocas culturais. Por exemplo: não têm o hábito de comprar e emprestar livros. A prática escolar não se transferiu para a prática cultural.

Há perspectiva de mudança para essa situação? Perrotti Eu vejo uma tendência de funcionalização. Os meios eletrônicos trouxeram, aparentemente, uma presença maior da escrita, mas o uso que se faz dela é cada vez mais abreviado. Vai-se transformando a língua no elemento mínimo para a transmissão da mensagem. Nós estamos a anos-luz de formar pessoas que, ao cabo do período de escolaridade, vão se relacionar com a escrita como uma ferramenta de conhecimento e de experiências estéticas, numa dimensão não pragmática. Restringir as ferramentas de linguagem a sua função utilitária é retirar de nós mesmos aquilo que nos humaniza — a capacidade de dizer de uma forma articulada. As novas bibliotecas têm de enfrentar essa questão. 

Leitura, um objeto de conhecimento

O que leva um leitor a ler mais cuidadosamente um texto? O que o faz preferir a leitura de um e o descarte de outro? O que se espera encontrar naquele material escolhido? O que está previsto de ser encontrado se confirma à medida que as páginas são percorridas? É com o objetivo de explicitar o que ocorre quando lemos e contribuir para o debate conceitual e prático sobre o ensino da leitura que Isabel Solé trava um agradável diálogo com o leitor em Estratégias de Leitura (194 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 52 reais). No livro, publicado originalmente em espanhol em 1996, Isabel explica que todo bom leitor procura ajustar o modo de ler ao objetivo inicial de sua leitura.

Nessa busca, o leitor interage o tempo todo com o texto, utilizando seu conhecimento prévio sobre o tema, fazendo inferências, elaborando hipóteses e checando suas previsões. O resultado disso leva a interpretações e compreensões feitas sem a interferência direta de um leitor mais autônoma.
Como esse processo de leitura não é natural, automático ou muito menos simples, ele precisa ser construído pelo aprendiz. É pensando nisso que o livro faz uma ponte com a realidade da escola, alertando os professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental para o fato de que os alunos não aprendem isso sozinhos.

Cabe ao educador oferecer às crianças os segredos que utilizam quando eles próprios leem. Isso deve ser feito na mesma forma como ocorre com outros conteúdos de ensino ou quando mostra como utilizar adequadamente um caderno ou traçar de forma correta as letras. O professor funciona como um especialista em leitura explicitando seu processo pessoal à turma, o que leva à compreensão do que está escrito: qual seu objetivo com aquela determinada leitura, que dúvidas surgem, que elementos toma do texto para tentar resolver suas questões... Vendo o que o professor faz para elaborar uma interpretação do texto, os estudantes entendem as chamadas estratégias de compreensão leitora e passam a adotá-las.