OLINDA - Um livro é uma máquina de fazer pensar e não é capaz de provocar uma revolução. O que acontece é que a leitura vai mudando lentamente a cabeça das pessoas, e a leitura de muitos livros, ao longo da vida, coloca todos em estado de lucidez. E aí sim elas podem mudar alguma situação. Essa é a opinião do escritor português Gonçalo M. Tavares, que participou na manhã deste domingo, ao lado do venezuelano Fernando Báez, da 7ª Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto).

Leandro Lima/ Divulgação
Tavares acredita que a música, sim, tem porder de gerar revoltas
"Acredito na força dos livros, mas não acredito que eles provoquem uma revolta. A música, sim, é das coisas que mais incitam a ação", disse Tavares. Para ele, uma pessoa pode até se chocar ao ver uma imagem forte em uma obra qualquer, mas isso não despertará nela o desejo de agir. "Ela só vai agir porque leu muitos livros durante a vida", completou.
E livros, como tudo, não são objetos de pura bondade, disse. "Toda a história do nazismo é a história de centenas de livros violentos que prepararam para a entrada do mal sem limite." Por outro lado, comentou, ele é uma das coisas que mais mudam a cabeça das pessoas. "E não há nada mais importante do que mudar as pessoas."
Ainda hoje na Fliporto, Mamede Jarouche, Ioram Melcer e Edwin Williamson conversam sobre "As 1001 noites de Jorge Luis Borges" e o cineasta Tariq Ali bate-papo com Silio Boccanera sobre as guerras do Paquistão e do Afeganistão. Este domingo marca também a volta de Raimundo Carrero, que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em outubro do ano passado, às festas literárias.
Nenhum comentário:
Postar um comentário