terça-feira, 31 de maio de 2011

Ler para crer

Ler para crer
Para Ezequiel Theodoro da Silva, escritor, sem leitura, não há educação


"A leitura tem o poder de ativar os nossos sentimentos, nos exercita para a compaixão e também desperta em nós a sólida certeza de que podemos melhorar", João Carrascoza, escritor 

"Um livro lido é uma aventura vivida", Ezequiel Theodoro da Silva, escritor 

Livraria virou point. Um espaço ultracontemporâneo em que livros convivem com CDs, DVDs e revistas na maior harmonia. Poltronas confortáveis convidam a sentar e curtir seus títulos prediletos. Um cafezinho? Fique à vontade. Parece que em meio a tantas histórias, a urgência que rege nosso cotidiano dá um tempo e nos libera para perambular entre as prateleiras, livres enfim de qualquer objetividade. Quem sabe esteja aí a explicação do sucesso das megalojas que se multiplicam nas grandes cidades. "A livraria inspira um desejo de crescimento. Em geral, as pessoas entram sem saber o que querem e ficam muito mais tempo do que haviam planejado", conta Samuel Seibel, proprietário da Livraria da Vila, em São Paulo. A clientela é sortida e reúne toda gama de tribos e gerações, inclusive os internautas mais afoitos. Seibel explica a sobrevivência do livro neste século de tantas tecnologias pelas particularidades que o tornam insubstituível: "O cheiro, a portabilidade, o fato de você poder anotar, dobrar, cuidar, possuir, segurar fazem do livro um veículo único".


Prazer para poucos 

Quem observa essa cena pode até pensar que o brasileiro é tão apaixonado por livros quanto o francês, que consome em média 25 títulos por ano. Ledo engano. Segundo dados do estudo Retratos da Leitura no Brasil, realizado em 2007 pelo Instituto Pró-Livro, esse número no país não passa de cinco. "Uma sociedade leitora tem relação direta com uma sociedade educada", avalia Ezequiel Theodoro da Silva, colaborador voluntário da Faculdade de Educação da Unicamp e autor deO Ato de Ler (Cortez) e Leitura na Escola (Global). Ele lamenta que a educação do país esteja parada no tempo, em grande parte devido a um sistema precário de alfabetização. "Sem leitura, não há educação", arremata. Uma pena, especialmente num momento de mudanças em que a sociedade precisa de maior mobilização. Uma pessoa que lê conhece melhor os seus direitos, torna-se mais consciente dos problemas do mundo e tem mais condições de discutir ideias, enxergar soluções. Pudera: já viajou por muitas culturas, ‘conversou’ com especialistas de todas as áreas, foi estimulada a ver a vida de diferentes pontos de vista, tornando-se um cidadão mais atuante.
No divã 
Se a comunidade se beneficia do cidadão-leitor, o próprio indivíduo também sai ganhando. Quer saber mais sobre você mesma? Então leia! Romance, ficção, biografia, conto, poesia, autoajuda - não importa o gênero, ler é uma das ações mais decisivas na busca do autoconhecimento. Nas palavras do escritor João Carrascoza, autor de O Volume do Silêncio eDias Raros, a leitura é um portal de acesso a inúmeros universos que possibilitam a conexão com o nosso próprio eu. Segundo ele, quando lemos, amadurecemos nossas emoções, fortalecemos nosso poder de decisão, definimos e redefinimos nossos valores. "O livro nos faz vagar entre dois mundos: o enredo criado pelo autor e a nossa experiência pessoal", avalia o escritor, que aposta na estimulação intelectual e psicológica que essa experiência propicia. 

Theodoro da Silva defende que, como seres sociais, nosso desenvolvimento ocorre na interação com o outro, seja no contato pessoal, seja por meio dos canais de comunicação, como o livro. "Ao visitar um texto, dialogo com os personagens e cada um deles ajuda a fortalecer minhas emoções", confessa o educador. Quem já descobriu o prazer da leitura concorda. "Cada livro que leio me faz aprender um pouco mais sobre mim mesma, num processo de identificação ou projeção baseadas nas histórias e experiências vividas pelos personagens", relata a paulistana Luciene Bottiglieri, profissional de marketing que, no último ano, consumiu mais de 15 títulos. "Ler me traz a sensação de paz", acrescenta. "Pode não haver uma lógica ou um estudo que comprove tais aquisições, mas acontece com a maioria dos leitores: quando chegamos à última página de um bom livro, nos sentimos pessoas melhores", conclui.
Fonte:http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/ler-para-crer-521711.shtml

Polarização literária

Polarização literária
É preciso tornar a literatura parte da vida das pessoas, pois a leitura aumenta a aprendizagem
A educadora Lucia Conde faz um trabalho de abelha. De flor em flor, ou melhor, de professor em professor, ela dissemina o interesse pela literatura. Há 14 anos, Lucia mostra aos professores o quanto é importante gostarem de ler livros não só para sua formação e lazer, mas para despertar nos alunos o apreço pela escrita literária. 
Segundo Lucia, pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores aponta que 60% dos professores brasileiros não lêem. Diante desse dado alarmante, questiona ela, como se espera que o aluno goste de ler? "Não é possível que alguém que não tenha o hábito da leitura estimule seu aluno a ter", diz. Baseada nesse pensamento, ela desenvolveu os projetos Aprender a Ler é Possível e Brasil que Lê. Patrocinada pelo Instituto Azzi, uma organização assistencial, Lucia dá aula para professores de ONGs que atendem crianças e adolescentes fora do horário escolar. 
A educadora criou ainda uma metodologia de alfabetização por meio de obras literárias. Para Lucia, só o contato com a literatura pode envolver o aluno com a leitura porque ela fala à alma, à inteligência e à imaginação. Lucia mostra como o hábito de ler é importante para a formação do ser humano e sua relação com o mundo e a sociedade.
Fonte:http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/paixao-pelos-livros-522030.shtml

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Leitura para toda a escola

Leitura para toda a escola
Arlete Santos, mãe de Victor e Beatriz, alunos do EMEIEF Cata Preta, lendo para as crianças no ponto de ônibus
Em dezembro de 2005, quando Cláudia Zuppini Dal Corso e Silvana Aparecida Santana Tamassia foram chamadas para assumir o comando da EMEIEF Cata Preta, no município de Santo André, na Grande São Paulo, a situação era desanimadora. Setenta alunos tinham sido reprovados e 58,7% dos matriculados chegavam ao último ano do primeiro ciclo sem estarem alfabetizados. Para piorar, no fim de 2006 foi divulgado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) da escola: apenas 3,9, ante à média da rede municipal de 4,8. Ambas já haviam trabalhado juntas em 2003 na EMEIEF Jardim das Maravilhas, também em Santo André, e, por formarem uma boa dupla de gestão, foram convidadas a resolver os problemas da Cata Preta. Hoje, por decisão da comunidade, a escola chama-se Carolina Maria de Jesus, nome de uma escritora que morava numa favela e cuja história se assemelha à dos moradores da região. 
Assim que tomaram posse, as gestoras estabeleceram como meta alfabetizar todos os alunos de até 8 anos de idade e melhorar a linguagem escrita dos 1,2 mil estudantes com a implementação de um grande projeto de incentivo à leitura, o Programa Lendo e Aprendendo. Em meados de 2007, as duas receberam um reforço na equipe, o da assistente pedagógica Gilne Gardesani Fernandez, que contribuiu para melhorar ainda mais os resultados que já apareciam. Toda a comunidade foi envolvida: professores, funcionários, alunos e pais passaram a ter momentos diários de leitura e a escola ganhou novos espaços dedicados aos livros. Com o apoio da Secretaria Municipal de Educação e graças a uma parceria com a pasta de Cultura, Esporte e Lazer, a equipe investiu na formação dos professores. As atividades foram sistematizadas: diretora e coordenadora pedagógica montaram tabelas com as avaliações dos estudantes para discussão nas reuniões pedagógicas semanais e nos conselhos de ciclo. "O que fizemos foi pensar sempre em prol do aluno", afirma Silvana. "O envolvimento da equipe diretiva permitiu que os resultados fossem efetivos", observa Cláudia.  
 Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/leitura-toda-escola-470184.shtml

Como fazer da escola um organismo vivo

Como fazer da escola um organismo vivo

O ator sonha em construir bibliotecas em todos os quatro cantos do país
O ator Lázaro Ramos é famoso por suas atuações na TV, teatro e cinema. Mas o que você não sabe é: esse baiano apaixonado por sua gente e ciente de que a Educação é vital para o crescimento de um povo, está empolgadíssimo com um projeto maravilhoso, o Ler é Poder. 
Idealizado e viabilizado financeiramente pelo artista, ele consiste na organização de bibliotecas comunitárias em bairros carentes da cidade de Salvador e no interior da Bahia. Tudo a fim de promover o incentivo à leitura, desenvolver a capacidade criativa e crítica da comunidade, resgatar a cidadania e fazer a integração social entre crianças, jovens e adultos. 
A revista Tititi conversou com Lázaro e ficou sabendo que ele já entregou quatro das cinco bibliotecas que pretende organizar. Uma das bases do projeto é a parceria firme com a comunidade, que cede espaços e disponibiliza pessoas que possam receber e orientar os frequentadores. Modesto, Lázaro deixa claro: não é o único que promove atividades assim. Que bom, né? Leia a entrevista e saiba mais sobre o Ler é Poder.  
Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/projeto-lazaro-ramos-449994.shtml

domingo, 29 de maio de 2011

O Oscar da literatura infantil

O Oscar da literatura infantil

Texto
Cynthia Costa
Para Bartolomeu Campos de Queirós, o Brasil é um país considerado surpreendente na produção para a infância e juventude
Escrever para crianças parece sempre um desafio. Escrever bem e poeticamente para crianças, uma expressão inegável de arte - e é o que faz Bartolomeu Campos de Queirós, nascido em Papagaio (MG), que publicou seu primeiro livro na década de 1970 e, desde então, escreveu outros 42, muitos deles premiados, como "Indez", "Ciganos" e "Coração Não Toma Sol". Seus textos estão entre o que se considera de melhor na literatura infanto-juvenil nacional. 
E, pelo visto, mundial. Bartolomeu foi indicado ao The Astrid Lindgren Memorial Award, que homenageia a autora sueca de mesmo nome, célebre autora de Pipi Meialonga, e premia com cerca de 700 mil dólares, todos os anos, um autor que escreve para crianças. A brasileira Lygia Bojunga Nunes foi a agraciada de 2004. O próximo ganhador será anunciado em março de 2010.
Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/bartolomeu-campos-queiros-506259.shtml
3 dicas para incentivar jovens a lerem os clássicos


Texto
Cynthia Costa


"Se o professor entender por que um livro é fenômeno entre os alunos, talvez ele possa mediar outras leituras que despertem o mesmo interesse"
Não adianta: para eles, há os livros "legais" e os livros "chatos", sendo estes últimos aqueles exigidos pelos professores. Ler com interesse e até compulsão, só os best-sellers, como os da série Harry Potter Crepúsculo. São, em geral, livros estrangeiros amplamente divulgados por estratégias de marketing e que acabam virando filme, série de TV e até vídeo-game. 
Mas ler é sempre bom, certo? Sim, como afirma a professora Wilma Maria Sampaio Lima, supervisora do 3º ao 7º ano do Colégio Rio Branco, de São Paulo: "Pela leitura, o homem conversa com o homem". No entanto, ler apenas narrativas superficiais e limitadas do ponto de vista linguístico pode ser pouco enriquecedor para a formação dos jovens. Isso não significa, porém, que pais e professores devam combater os best-sellers, pelo contrário. "Quem se coloca contra uma leitura querida pelos jovens pode perder a oportunidade de lhes mostrar outras leituras mais interessantes do ponto de vista estético", alerta a professora Juliana Loyola, do curso de Letras e da pós-graduação em Literatura e Crítica Literária da PUC-SP. "Nem que seja pelo valor mercadológico, já vale a pena. Esses livros dialogam com o jovem, ou porque mimetizam a velocidade da TV e da tela de cinema, ou porque abordam temas do universo dele. O problema é quando o leitor só tem contato com esse tipo de livro", completa. 
Diante desse quadro, pais e professores podem seguir dois caminhos: incentivar jovens leitores a se interessarem também por uma literatura mais consistente e, ao mesmo tempo, aproveitar a leitura deles de best-sellers para abordar temas em casa e na escola. A seguir, veja dicas de como estimular o jovem expandir sua experiência literária.
Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/incentivar-jovens-leitura-484060.shtml

sábado, 28 de maio de 2011

O crepúsculo de Drácula

Texto
Rodrigo Salem

Keanu Reeves no filme Drácula de Bram Stoker, de Francis Ford Coppola
Cada época tem o Drácula que merece. As histórias de vampiro se incluem naquela categoria de mitos duradouros que, recontados de forma diferente em cada era, dizem muito sobre o espírito de seu tempo. Seguindo essa linha de pensamento, como interpretar o sucesso da saga literária Crepúsculo, da autora americana Stephanie Meyer. O que vampiros vegetarianos, que usam seus caninos afiados para perfurar alface e rúcula, têm a dizer sobre os tempos atuais? 
Para responder a essas perguntas, é necessário ir às origens do mito. Os primeiros relatos sobre as criaturas que um dia seriam conhecidas pelo nome de "vampiros" surgiram por volta do século 12. Durante mais de 200 anos, a superstição sobre o homem morto que volta à vida após o pôr do sol se disseminou pela Europa. A lenda começou a virar objeto de interesse cultural apenas no começo do século 19, quando o ítalo-britânico John Polidori escreveu o conto The Vampyre para a publicação inglesa New Monthly em 1819. 
O nobre errante que atraía mulheres inocentes para se alimentar de seu sangue foi inspirado em um companheiro de viagens chamado George Gordon Byron. Sim, ele mesmo, Lord Byron, o poeta que escreveu a mais arrebatadora versão do Don Juan (outro mito que atravessa eras) - e que se tornou popstar em sua época tanto pelos versos quanto pela vida aventurosa. De onde se depreende que a figura literária do vampiro é, na origem, romântica. Em sua primeira encarnação literária importante, no entanto, o vampiro nada tinha de sedutor.
Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/crepusculo-vampiros-551263.shtml

A bruxa boa dos livros infantis

A bruxa boa dos livros infantis

Texto
        Cynthia Costa

Tatiana tem mais de 100 livros publicados
"Capitu que me desculpe, mas a Emília é a maior heroína literária brasileira". Esta declaração já virou marca registrada de Tatiana Belinky, que acaba de completar 91 anos e também de entrar para a Academia Paulista de Letras. "Nunca imaginei que fossem me indicar, fiquei até um pouco assustada. Mas fui eleita e agora vou à festa da posse. Estou pensando em quem convidar", diverte-se a escritora com o entusiasmo infantil que nutre desde menina, quando queria ser bruxa para praticar travessuras sem receio. Ruth Rocha, sua amiga e membro da Academia, participou do convite, o que a deixou ainda mais lisonjeada.
Outra novidade de Tatiana são seus contos, entre eles "A coruja e a onça", republicados na coleção Ciranda Cirandinha, da Editora Paulus, que reúne grandes autores da literatura infanto-juvenil. Os volumes vêm engrossar a lista já impressionante de mais de 100 livros publicados, sem contar com as muitas traduções de obras-primas assinadas por ela, como dos contos de Hans Christian Andersen e dos Irmãos Grimm. Tatiana foi responsável, ainda, pela primeira adaptação de "O Sítio do Picapau Amarelo" para a TV, veiculada na década de 1950 pela Tupi. Seu marido, Júlio Gouveia, dirigia os episódios. Ganhou, mais tarde, o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano em 1989. Além disso, ao longo de sua carreira, traduziu muitos compatriotas, entre os quais Gogol, Tchekhov e Tolstoi, mas a criança sempre foi seu público favorito. "Tomei conta do meu irmãozinho, que me ensinou metade de tudo que sei sobre crianças. Desde então, minha preferência é falar com os pequenos, e sei falar com eles", declara. 
Ainda hoje, Tatiana é apaixonada por Monteiro Lobato e o coloca acima de todos os outros escritores que se dedicaram ao universo da criança, inclusive estrangeiros. O amor surgiu logo no primeiro contato, quando se mudou de São Petersburgo, à época parte da União Soviética, para São Paulo com sua família. Ela vinha munida de toda a cultura cultivada em casa - a mãe cantava, o pai escrevia poesia - e de três idiomas na ponta da língua (russo, alemão e letão). Logo aprenderia muito bem o português, e o adotou como a língua oficial de sua escrita. Nesta entrevista exclusiva para o Educar para Crescer, Tatiana fala de sua trajetória e da paixão por literatura.
Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/tatiana-belinky-543679.shtml

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O Morro e as Malas

O morro e as malas

Texto       
                  Beatriz Vichessi

Maurício Alves carregando mala com livros da Biblioteca Comunitária Ilê Ará.
Encontrar um morador do Morro da Cruz, em Porto Alegre, com destino ao aeroporto e à rodoviária não é, definitivamente, algo comum. A região é um dos pontos carentes da capital gaúcha, o que faz com que boa parte de seus habitantes nunca viaje - e conheça apenas as redondezas e, ainda por cima, a pé. 
Apesar disso, ver pessoas puxando malas para cima e para baixo é corriqueiro. Em vez de roupas, calçados e outros objetos essenciais para viajantes, elas carregam livros, levados de casa em casa pelos funcionários da biblioteca comunitária Ilê Ará. "Visitar as residências foi o melhor tipo de comunicação para conquistar leitores e divulgar os eventos que realizamos como os cafés literários. Dá muito mais resultado do que distribuir panfletos", explica Maurício Alves, 22 anos, funcionário da biblioteca. 
A ideia faz todo o sentido: além de os moradores não terem o hábito da leitura, a geografia da área não facilita. Para chegar à biblioteca Ilê Ará, expressão da língua africana iorubá que significa "casa do povo", é preciso fôlego. Ela fica no ponto mais alto do Morro da Cruz - que tem 120 metros de altura - e a subida é bastante íngreme. Debaixo do sol escaldante do meio-dia, percorrer o caminho desconexo, cheio de becos e ruas estreitas, é um grande desafio, que os funcionários tiram de letra - afinal, nasceram e cresceram no local. 
No início, eles iam até a casa de conhecidos para facilitar a abordagem. Com o passar do tempo, ampliaram a visitação para outros moradores. "O segredo é fazer mais que uma apresentação do trabalho que realizamos. É conhecer as pessoas e não ter vergonha de conversar sobre a vida, perguntar o que gostam de fazer. Um bom papo cativa e abre as portas", fala Paulo Centurion, 22 anos, companheiro de Alves nas andanças pelo morro. Ele conta que até quem diz que não é muito fã de leitura acaba ficando com alguns livros. "Por isso, é importante rechear as malas com muita variedade e não se deixar vencer pelo primeiro 'não'", diz o rapaz. Com livros de receitas culinárias, ele já conquistou várias donas de casa, que agora também saboreiam as histórias escritas por autores consagrados, como Jorge Amado
E quando a visita não rende empréstimo de jeito algum? Por que nada agrada? "A gente anota o pedido ou volta outro dia com novas ofertas." 
Hoje, muitos moradores sobem até o alto do morro para escolher o que querem ler, movimentando 1,2 mil empréstimos por mês. Cinco malas circulam na área, com parte dos 5 mil títulos do acervo. Às vezes, inclusive, elas saem da biblioteca carregadas por gente miúda, como Gabriela Souza da Rosa, 11 anos. 
Durante minha estada na cidade, lá estava ela, montando por conta própria uma das bagagens para sua família. "Já sei que meus pais e minha irmã gostam mais de romances, poesia, contos de fada e gibis. Então, venho aqui, monto uma mala e levo para casa", diz.
A garota é filha de uma auxiliar de limpeza e de um varredor de rua. Por passarem o dia todo fora, os pais dela não conseguem ir à biblioteca. Olhando as estantes, Gabriela seleciona alguns volumes e vai organizando a mala. Enquanto alcanço uma das prateleiras mais altas para ajudá-la, tento - ainda que mentalmente - me livrar do clichê "ler é viajar sem sair do lugar". Mas é inevitável. Na Ilê Ará, essa máxima é levada à risca.

Fonte:http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/biblioteca-itinerante-518531.shtml

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Noite na biblioteca



Noite na biblioteca

Texto
Taynar Costa
Bibliotecária lendo para crianças que passaram uma noite na Biblioteca Municipal de Seixal
No fim da tarde de um sábado de maio de 2009, os funcionários da Biblioteca Municipal de Seixal, a 30 quilômetros de Lisboa, organizavam as estantes de livros. Embora esse fosse o procedimento-padrão antes de encerrar o expediente, naquele dia a arrumação tinha outro motivo: receber um grupo de 20 meninos e meninas, entre 8 e 11 anos, que iriam passar a noite ao lado dos livros. Oito e meia da noite era a hora marcada para começar a exploração de um ambiente repleto de saberes, com muita leitura e contação de histórias, e que só terminaria na manhã seguinte. 
Ao chegar, para que todos se conhecessem, nada de apresentações formais. Os pequenos preencheram os crachás uns dos outros. Enquanto Diogo, o mais velho do grupo, fazia o de Beatriz, ela revelou uma de suas leituras preferidas: a poesia portuguesa de José Jorge Letria. Sabe por quê? "Porque ele me faz sentir bem", explicou, do alto de seus 8 anos. 
Com todos já devidamente identificados, começou uma correria pelo ambiente. Como se estivessem em uma caça ao tesouro, as crianças seguiam pistas e procuravam por respostas para as questões escritas em fichas que tinham em mãos. Tratava-se de um desafio - ou melhor, um peddy-paper, como se diz em Portugal - para descobrir como é organizada e funciona uma biblioteca. 
Regras decifradas e normas esclarecidas, hora de vestir o pijama, arrumar os sacos de dormir e ouvir histórias para embalar o sono e, quem sabe, alimentar os sonhos. Caprichando na entonação, a bibliotecária Susana Filipe leu O Incrível Rapaz Que Comia Livros, obra escrita pelo australiano Oliver Jeffers. Quando a leitura terminou, Tomáz, 11 anos, lá no fundo da sala, gritou: "Mais uma, mais uma! Pode contar mais 1,5 bilhão de histórias!" Pedido atendido: com as luzes apagadas, Susana leu A Grande Questão, do alemão Wolf Erlbruch. Um a um, os pequenos adormeceram. 
No dia seguinte, assim que acordaram, as meninas correram a se enfeitar com presilhas e tiaras. Os meninos lotaram as mãos com gel para domar os cabelos rebeldes. Tudo muito rápido porque ninguém queria desperdiçar um só minuto da programação de domingo. Depois do desjejum, mais uma história - dessa vez, de autoria da brasileira Ana Maria Machado: O Pavão do Abre-e-Fecha. O enredo alimentou o desejo da turma de se perder entre as estantes da biblioteca à procura de novos títulos. "É importante que as crianças também possam escolher livremente para que a leitura seja significativa", disse a bibliotecária Carla Gomes. Ao seu lado, a funcionária Maria Elizabete Ferreira, que também passou a noite em claro velando o sono da garotada, confessou que para ela a recompensa do projeto está guardada para o futuro. "Esperamos que, depois de crescidos, todos esses estudantes se lembrem dessa noite e saibam que uma biblioteca é um espaço de aprendizagem." 
Pelos corredores do prédio, enquanto os pequenos arrumavam as mochilas para voltar para casa, era possível ouvir suas vozes, ecoando "Vitória, vitória, acabou-se a história!", uma frase típica portuguesa que marca o fim dos contos infantis neste lado do oceano.
Fonte:http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/noite-biblioteca-518541.shtml

A Odisseia


A Odisseia

Texto
José Francisco Botelho

Primeiro volume da Odisseia, da editora L&PM Pocket

Na raiz da cultura ocidental (daquilo que somos, pensamos, lemos e escrevemos) existe um mistério chamado Homero. Mais que um personagem histórico, esse nome conjura um símbolo que nos alimenta e uma cifra que nos desafia  uma confluência de significados e sensações, tão vastos e indefiníveis quanto as palavras humanidade e poesia. Figura gigantesca, ubíqua, fantasticamente imprecisa, ele deixou um legado que transcende conceitos, atordoa a história e estonteia a literatura.
Apesar do traço de gênio que unifica a Ilíada e a Odisseia, estudiosos modernos afirmam que Homero jamais existiu, ou o multiplicam até a aniquilação: os poemas a ele atribuídos seriam obra de gerações de bardos da Idade do Bronze, transcritas em eras menos iletradas por escribas igualmente desconhecidos. Assim como Ulisses, Homero pode ter sido muitos, e pode ter sido ninguém.
Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/odisseia-614503.shtml 

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Trovadores modernos

Trovadores modernos

Texto
Érica Georgino

Do trovador medieval ao cordelista moderno: mudou o meio, mas não a função
De tanto ouvir Roberto Carlos mandar tudo para o inferno, nos versos da canção que dominava as rádios no fim dos anos 1960, o poeta Enéias Tavares dos Santos decidiu que o "rei" havia feito por merecer uma resposta - e do tinhoso em pessoa. Escreveu então o folheto de cordel Carta de Satanás a Roberto Carlos, em que o diabo se dirigia queixoso ao cantor, diretamente da "corte das trevas".

Ao reunir realidade e ficção, sátira e bom humor, a conversa franca entre Satanás e seu "grande amigo Roberto" tornou-se um dos maiores sucessos da literatura popular em versos brasileira. Rendeu incontáveis reimpressões e inspirou dezenas de folhetos de outros cordelistas, como Resposta de Roberto Carlos a Satanás, de Manuel d'Almeida Filho, e A Mulher que Rasgou o Travesseiro e Mordeu o Marido Sonhando com Roberto Carlos, de Apolônio Alves dos Santos.

Além da sorte, Enéias Tavares usou a seu favor a astúcia dos grandes cordelistas: conjugou a crendice popular (centrada na figura do diabo) à modernidade do novo ídolo, que estampava capas de revistas e alavancava audiência na televisão ao embalo do iê-iê-iê. O autor soube interpretar um momento de sua época, na mesma toada em que há mais de um século a literatura de cordel retoma tradições e constrói, em forma de poesia, crônicas da sociedade e da política brasileiras.
Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/literatura-de-cordel-622216.shtml

sábado, 21 de maio de 2011

A edição é o livro

A edição é o livro

Texto
Luís Guilherme Barrucho

"Cada vez mais, veremos escritores que surgem na internet. Mas isso não prescinde de um forte exercício de editoração. É preciso assegurar a confiabilidade daquilo que se lê", Juergen Boos
iPad, o aguardado tablet da Apple, a combinação de notebook com leitor digital (e-reader), chegou às lojas dos Estados Unidos no dia 3 de abril. Esse aparelho, assim como outros do gênero, tenta ser uma opção à relação secular mantida pelo homem com os livros impressos desde a invenção da prensa de tipos móveis pelo alemão Johannes Gutenberg, no século XV. Com a proliferação dos livros eletrônicos, o processo de impressão física está em via de extinção? Para discutir o impacto das novas tecnologias no setor, a Câmara Brasileira do Livro, em parceria com a Imprensa Oficial, convidou especialistas no assunto para participar do 1º Congresso Internacional do Livro Digital, que ocorrerá em São Paulo de 29 a 31 de março. Um dos palestrantes é Juergen Boos, diretor da Feira de Frankfurt, o maior e o mais importante evento do mercado mundial de livros. Na semana passada, dias antes de sua visita ao Brasil, Boos falou ao repórter Luís Guilherme Barrucho.
Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/edicao-livro-547740.shtml



Livros digitais: veja quem ganha e quem perde

O quadro atual

Neste momento o espaço virtual vem sendo usado para vender livros de papel.
Podemos visitar páginas especiais de cada lançamento, ler online o primeiro capítulo, seguir editoras no Twitter (@oleitorvoraz da Ediouro) ou mesmo fazer buscas em  livros 100% digitalizados no Google.
No entanto a maioria das editoras e autores faz o possivel para restringir o acesso ao conteúdo dos seus livros o que se nota em uma busca rápida no Google Books: a maioria dos livros tem somente pequenos trechos liberados para leitura online.
À margem dos mercados editoriais surgem blogueiros escritores ou escritores blogueiros que, vez por outra, acabam sendo descobertos pelo mercado editorial e promovidos ao status de escritores de verdade. Boa parte desse mercado é composto por jovens que escrevem fanfics.
No momento a leitura de livros em telas não é tão confortável quanto em papel.
Nos desktops e notebooks o brilho incomoda os olhos e em celulares e PDAs o tamanho das telas dificulta a leitura.
Além disso o processo de digitalização dos livros é mais complexo e demorado do que o processo para músicas e filmes e isso restringe a pirataria de livros aos que chamam mais atenção do público.

Quem ganha

Darwin nos deu essa resposta e Richard Dawkins nos ajudou a perceber que ela também vale para a cultura: o venceder é aquele que se adapta.
O problema nesse momento é perceber realmente como o mundo está mudando.
A Internet mudou o mundo ou foi nossa cultura que mudou e por isso criou a Internet? Ou seja, estamos diante de uma moda que vem de fora para dentro ou de um movimento interno que promove a transição entre paradigmas?
Vamos supor o pior (ou melhor) quadro: os livros de papel e tinta desaparecem totalmente. Quem ganha?
Livros digitais podem ser copiados e pirateados com mais facilidade então ganha quem não tem dinheiro para obter livros ou é desonesto e não deseja pagar pelo que consome.
Livros digitais não tem peso então ganham os estudantes que não terão que carregar vários tijolos de papel para as escolas ou faculdades.
Também são os alunos e estudantes que ganham com a facilidade de busca de conteúdo.
Livros digitais tem margens infinitas. Os leitores poderão fazer vastos comentários sobre o que estão lendo e até compartilhar seus comentários com outros leitores, conhecidos ou não. A leitura de um livro não precisará mais ser um ato solitário e poderemos encontrar outros fãs do que estamos lendo como nunca antes foi possível.
Ganham as editoras que se adaptarem e deixarem de vender papel e tinta passando a interagir com aspirantes a escritores e leitores

Quem perde

Livros de papel proporcionam uma leitura com início, meio e fim. Há toda uma relação lúdica no manuseio do papel então perde-se a liturgia da leitura e da manipulação respeitosa do conhecimento, mas isso é uma opinião e este deve ser um artigo objetivo com fatos e não opiniões.
Falemos então em dinheiro.
Issso depende do futuro:
Os livros digitais jamais existirão: quem se atirar nesse mercado investirá tempo e dinheiro que jamais dará retorno
Os livros digitais se tornam comuns apenas em certos nichos: perde quem não for capaz de identificar esses nichos
Os livros digitais se tornam o padrão do mercado: perdem as empresas que trabalham no mercado atual e não se adapatarem
Um bom exemplo de futuro provável está no mercado de músicas e de filmes.
Enquanto a maior parte da indústria insiste em vender CDs, DVDs e Blu-rays a Apple montou sua loja para vender músicas e filmes digitais. Já faz algum tempo que se tornou a maior loja dos EUA.
É possível também que as editoras passem a privilegiar os autores que obtiverem sucesso na meritocracia online passando a ignorar a intuição e bom senso dos seus editores.
Caso isso aconteça bons autores terão dificuldade de encontrar público se não forem capazes de usar a Internet para se fazer conhecer já que as editoras estarão concentradas somente nos livros que já sabem que serão sucessos de vendas.

Como estar entre os ganhadores

Haverá vencedores fazendo livros de papel e tinta, haverá vencedores fazendo livros de bits. O segredo está compreender a nova cultura.
Quem comprará livros de papel? Quem comprará livros digitais? Qual é a forma correta de chegar a esses compradores? Que títulos cada um deles buscará?
As respostas a essas perguntas valem bilhões de dólares pois são a diferença entre a falência e o sucesso.
Fonte: http://www.memedecarbono.com.br/cultura/livros-na-era-digital/

O parto do livro digital

O parto do livro digital




Texto
Claudio de Moura Castro

"Não há razão alguma para uma pessoa possuir um computador em sua casa." Isso foi dito, em 1977, por K. Olsen, fundador da Digital. De fato, os computadores eram apenas máquinas de fazer contas, pesadas e caras. Mas, com os avanços, passaram também a guardar palavras. Aparece então a era dos bancos de dados. Tal como a enciclopédia de Diderot - que se propunha a armazenar todos os conhecimentos da humanidade -, tudo iria para as suas memórias. Mas não deu certo, pois a ambição era incompatível com a tecnologia da época. 
Os primeiros processadores de texto foram recebidos com nariz torcido pelos programadores. Um engenho tão nobre e poderoso, fingindo ser uma reles máquina de escrever? Não obstante, afora os usos comerciais e científicos, o PC virou máquina de guardar, arrumar e recuperar textos, pois lidamos mais com palavras do que com números. Como a tecnologia não parou de avançar, acelerou a migração de dados para as suas entranhas. Por que não os livros? O cerco foi se apertando, pois quase tudo já é digital. 
Para os livreiros, cruz-credo!, uma assombração. Guardaram na gaveta os projetos de livros digitais. Mesmo perdendo rios de dinheiro em fotocópias não autorizadas, a retranca persistiu. Havia lógica. Quem tinha dinheiro para ter computador preferia comprar o livro. Quem não tinha dinheiro para livro tampouco o tinha para computador. Mas o mundo não parou. Hoje os computadores são mais baratos é há mais universitários de poucas rendas. O enredo se parece com o das gravadoras de música, invadidas pela pirataria, mas salvas pelos 10 bilhões de músicas vendidas pela Apple Store. Nos livros, a pirataria também é fácil. Por 10 dólares se escaneia um livro na China, e é incontrolável a venda de cópias digitais piratas, já instalada confortavelmente na Rússia. 
Nesse panorama lúgubre para os donos de editora, entram em cena dois gigantes com vasta experiência em vender pela internet. A Amazon lança o Kindle (que permite ler no claro, mas não no escuro), oferecendo por 10 dólares qualquer um dos seus 500 000 títulos digitais e mais 1,8 milhão de graça (de domínio público). Metade das suas vendas já é na versão digital. A Apple lançou o iPad (que faz mais gracinhas e permite ler no escuro, mas não no claro), vendendo 1 milhão de unidades no primeiro mês do lançamento. Outros leitores já estão no mercado. É questão de tempo para pipocarem nos camelôs as cópias chinesas. E, já sabemos, os modelos caboclos estão por aparecer. Quem já está usando - com o aval dos oftalmologistas - garante que não é sacrifício ler um livro nessas engenhocas. As tripas do Kindle engolem mais de 1 000, substituindo vários caixotes de livros. 
Nesse cenário ainda indefinido, desponta uma circunstância imprevista. Com a crise, os estados americanos estão mal de finanças e a Califórnia quebrada, levando a tenebrosos cortes orçamentários. Para quem gasta 600 dólares anuais (por aluno) em livros didáticos, migrar para o livro digital é uma decisão fácil. Basta tomar os livros existentes e colocar na web. Custo zero? Quase. Um Kindle para cada aluno sai pela metade do custo. O governador da Califórnia é o exterminador do livro em papel. Texas, Flórida e Maine embarcam na mesma empreitada, economizando papel, permitindo atualizações frequentes e tornando o livro uma porta de entrada para todas as diabruras informáticas. E nós, cá embaixo nos trópicos? Na teoria, a solução pública é fácil, encaixa-se como uma luva nos livros didáticos, pode reduzir a cartelização e democratizar o acesso. Basta o governo comprar os direitos autorais e publicar o livro na web. Com os clássicos é ainda mais fácil, pois não há direitos autorais. 
No setor privado, as perplexidades abundam. Alugar o livro, como já está sendo feito? Não deu certo vender caro a versão digital. Vender baratinho? A canibalização do livro em papel dá calafrios nas editoras, embora as gravadoras tenham sido salvas pela venda digital. Muda a lógica da distribuição. Tiragens ínfimas passam a ser viáveis. O contraponto é o temível risco de pirataria. Não há trava que não seja divertimento para um bom hacker. Na contramão desses temores, Paulo Coelho se deu bem, lançando seu último livro gratuitamente na internet, junto com o lançamento em papel. Cava-se um túmulo para as editoras e livrarias? Vão-se os anéis e ficam os dedos? Ou abre-se uma caixa de Pandora fascinante? Só uma coisa é certa: o consumidor ganha.
Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/livro-digital-561023.shtml

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Os segredos das melhores bibliotecas

Os segredos das melhores bibliotecas

Experiências bem-sucedidas pelo Brasil dão 11 ideias para valorizar bibliotecas e atrair mais leitores

Texto Camilo Gomide
Biblioteca Mário de Andrade, no Centro de São Paulo. O lugar foi totalmente restaurado e reaberto ao público no início de 2011.
A falta de hábito de leitura é um grave problema para os brasileiros. Pesquisas recentes mostram que a população do país vem lendo mais nos últimos anos, mas o percentual de leitores ainda é muito baixo (de acordo com o estudo Retratos da Leitura no Brasil, de 2008, 45 % da população estudada não leu nenhum livro nos últimos 3 meses, e é considerada não-leitor pela pesquisa). 
Embora 67 % dos brasileiros saibam que existe uma biblioteca perto de seus lares, apenas 1 em cada 4 cidadãos as freqüentam, de acordo com o Retratos da Leitura. A má condição dos estabelecimentos é um dos principais fatores que contribuem para esse distanciamento do público. O Retratos da Leitura mostra que 20 % dos leitores do país não vão às bibliotecas por causa da precariedade dos estabelecimentos. 
Prédios velhos, falta de acervo, verba curta, má administração, entre outros, são alguns dos motivos que afastam o público das bibliotecas, e, consequentemente, da leitura. Se os brasileiros leem pouco, uma das causas é certamente a falta de acesso que a população tem aos livros. 
Fazer com que as bibliotecas tenham maior alcance e sejam disseminadoras do conhecimento é um desafio e tanto, mas, é possível, como mostram experiências bem-sucedidas pelo Brasil. Conheça a seguir algumas ações que contribuem para a valorização das bibliotecas e estimulam o prazer da leitura.
Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/melhores-bibliotecas-485917.shtml