quinta-feira, 30 de junho de 2011

Escritor peruano elogia a leitura e critica a opressão



Mario Vargas Llosa fez nesta terça-feira, 7, em seu discurso de recebimento do Prêmio Nobel, um elogio à leitura "a coisa mais importante" que lhe aconteceu, e à literatura, convencido que inventamos as ficções para podermos viver "de alguma forma" as muitas vidas de "gostaríamos de ter".
Scanpix Sweden/Reuters - 06/12/2010
Scanpix Sweden/Reuters - 06/12/2010
O escritor peruano Vargas LLosa em Estocolmo
Vargas Llosa, em seu discurso de aceitação, o ato mais importante da "semana Nobel" além da entrega, na próxima sexta-feira, do prêmio, destacou que a literatura, além de nos levar ao sonho da beleza e da felicidade, nos alerta contra toda forma de opressão.
O escritor peruano assegurou que, sem as ficções, o homem seria menos consciente da importância da liberdade para que a vida seja vivível, e o inferno em que esta se transforma quando é machucada por um tirano, uma ideologia ou uma religião.
Na grande sala da Academia sueca e assistido por sua família e mais de uma centena de amigos, e ante aos acadêmicos suecos, o escritor atribuiu aos nacionalismos as piores "carnificinas da história, como as guerras mundiais e a sangria atual do Oriente Médio".
"Detesto toda forma de nacionalismo, ideologia - mais precisamente religião -, de curto voo, excludente, que recorte o horizonte intelectual e dissimula em seu seio prejuízos étnicos e racistas", assinalou o autor peruano, que também tem nacionalidade espanhola.
Mesmo assim refletiu sobre "os choques" de nossa época e citou os "terroristas suicidas". Alertou que "novas formas de barbárie" proliferam "atiçadas" pelo "fanatismo", e sobre a multiplicação de armas de "destruição em massa".
"É preciso alcançá-los, enfrentá-los e derrotá-los", disse um combativo Vargas Llosa, de 74 anos, que incentivou a não nos deixamos "intimidar" por quem queira "arrebatar a liberdade".
Em seu discurso, intitulado "Elogia da leitura e da ficção", Vargas Llosa homenageou sua mãe e seus mestres, entre os quais citou Flaubert, Faulkner, Cervantes, Dickens, Tolstoi e Thomas Mann.
Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,vargas-llosa-elogia-a-leitura-e-critica-a-opressao,650732,0.htm

Uma sinfonia em leitura teatral

Uma sinfonia em leitura teatral


Apesar do subtítulo Ressurreição, a Sinfonia n.º 2 de Gustav Mahler não deve ser compreendida como hino religioso. Para o compositor, compreender Deus como símbolo de eternidade ? e a morte como apenas uma transição ? está ligado diretamente ao sentido da vida terrena, à permanência da arte e ao diálogo do homem com a natureza.
Pela primeira vez o compositor emprega a voz em uma sinfonia; e trata os timbres de cada instrumento como parte integrante da estrutura da peça. Por isso mesmo, é fundamental o equilíbrio entre os naipes da orquestra na hora de recriar a dramaticidade da música que contrasta momentos de euforia, perda de energia e temor perante a ideia da morte.
No concerto de quinta, foi satisfatório, desde o primeiro movimento, o equilíbrio encontrado pela Petrobras Sinfônica sob o comando de Karabtchevsky. Em que pesem alguns problemas pontuais de afinação e dinâmica, em especial nas seções finais da obra, são bonitos os efeitos conseguidos nas cordas, durante o primeiro movimento, na construção de um clima etéreo; a ironia no terceiro movimento, que descreve a incoerência entre a moral religiosa e a força da natureza; a delicadeza quase contemplativa do Urlicht; ou a tensão crescente do movimento final.
A energia da interpretação de Karabtchevsky vem da percepção do caráter algo teatral na concepção de Mahler, na maneira como ele retrabalha os temas, fiel à ideia de que a composição se faz a partir de blocos que se reorganizam sugerindo novos significados musicais. Onde está Deus? Onde fica o homem entre a natureza, a vida e a morte? Em conflito com a ideia do fim, Mahler escreve em busca de respostas. Deixa como legado, porém, as perguntas certas. / J.L.S. 
Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100508/not_imp548672,0.php

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Prova avalia leitura de textos na internet


Saber ler e calcular já não basta. O Pisa avaliou pela primeira vez a leitura digital de estudantes, para examinar a capacidade de "acessar, administrar, integrar e avaliar a informação" na internet. Ou seja, analisou a capacidade dos jovens de construir novos conhecimentos a partir de textos eletrônicos.
Apenas 19 países participaram - o Brasil não entrou por causa do baixo número de computadores nas escolas. Os que melhor se saíram foram os alunos sul-coreanos, seguidos pelos da Nova Zelândia, Austrália, Japão, Hong Kong, Islândia e Suécia. 
Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110629/not_imp738271,0.php

terça-feira, 28 de junho de 2011


Projeto associa obras infantis a brinquedos




Outra iniciativa para estimular a leitura entre crianças de 0 a 6 anos é o projeto Ler é Saber, do Instituto Brasil Leitor (IBL), que já implantou 48 bibliotecas para a primeira infância em hospitais, clínicas médicas e odontológicas, creches e escolas públicas e particulares.
Os espaços são especialmente planejados para as crianças pequenas, com móveis coloridos e sem quina e prateleiras tão baixinhas que até um bebê é capaz de alcançar. “Cada livro possui um brinquedo correspondente, que se relaciona com o conteúdo das páginas”, explica Ivani Capelosa, idealizadora do projeto.
Fantoches, marionetes, bonecos, jogos e instrumentos musicais fazem parte do acervo da biblioteca e ajudam a tornar mais envolvente e dinâmica a narração de histórias. Entre uma diversão e outra, explica Ivani, os livros acabam se tornando tão atraentes quanto os próprios brinquedos.
Além de conceber o projeto das bibliotecas, o IBL treina professores e monitores para trabalharem com todo o material.
“É comum ver crianças ouvindo ou lendo uma história com um brinquedo embaixo do braço ou no colo”, relata Luzia Fagundes, professora da Unidade Modelo de Ensino Luiza Cortez da Silva, de Cubatão. “As crianças estão muito mais interessadas nos livros bem como em outros materiais escritos. Notamos maior desenvolvimento, principalmente no vocabulário”, conta a educadora.
Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/vida,projeto-associa-obras-infantis-a-brinquedos,586206,0.htm

Site busca estimular leitura nas férias


Site busca estimular leitura nas férias



As férias estão acabando, mas ainda dá tempo de aproveitar o tempo que resta para aprender e se divertir. O site do movimento Todos pela Educação traz um programa para incentivar o aprendizado durante o recesso escolar.
O programa No Ar: Todos Pela Educação de julho já está disponível para download e traz o depoimento de Raí, ex-jogador do São Paulo e da seleção brasileira, que pede aos pais que estimulem nos filhos a leitura e o gosto pelo cinema durante as férias. Para ouvir o programa, é só acessar: www.todospelaeducacao.org.br/radios.aspx. 
Fonte:http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100726/not_imp586003,0.php

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A leitura movida a cliques

A leitura movida a cliques


Aderi ao Kindle. A bem dizer, resolvi experimentar o Kindle. Sem gastar um tostão com o leitor eletrônico da Amazon. Ganhei acesso aos livros eletrônicos (e-books) comercializados pela maior livraria virtual do mundo via Kindle for PC. Economizei em torno de R$ 900, que é quanto custa aqui a versão global do mais badalado dos e-readers.
A oferta era irresistível: do site da Amazon.com você baixa, gratuitamente, um software que lhe possibilita ter um Kindle no computador; depois, é só comprar os títulos disponíveis em versão eletrônica, que chegam ao seu computador em questão de minutos. Como não leio na rua e ainda prefiro me distrair em salas de espera com livros impressos, o Kindão (ou seja, meu laptop dotado de Kindle) dá pro gasto. Se não for melhor: sua tela LCD, com tecnologia XBRITE, tem luz própria, um chuá no breu.
Sou bibliófilo juramentado, mas não um ludita - e, acima de tudo, um curioso das chamadas novas tecnologias. Menos avesso à leitura na tela de um computador que a maioria das pessoas, considero uma imensa vantagem a possibilidade de navegação oferecida por qualquer hipertexto. Quantas vezes Machado usa, em Dom Casmurro, a palavra "ciúmes"? Resposta: 14. Tente computá-las e encontrar cada uma delas na versão impressa do romance. Também só na versão e-book de Guerra e Paz posso ir direto, em segundos, ao duelo de Pedro com Dolokhov ou a qualquer outra passagem do caudaloso romance.
Gostei, com reservas, do Kindle for PC. Faltam-lhe alguns recursos do Kindle (opção áudio, mecanismo de busca, anotações e realce), prometidos sine die pela Amazon, mas é possível alterar o tamanho da fonte e marcar páginas, o que ainda é pouco para justificar uma opção pelo livro eletrônico, que, mesmo em sua mais bem acabada encarnação, exagera nas esquisitices.
Páginas sem números, por exemplo. No lugar da numeração tradicional, temos, no rodapé, algo chamado "location". Na versão digital de A History of Histories, de John Burrow, a informação de como Edward Gibbon teve o estalo de historiar a queda e a ascensão do Império Romano (flanando pelo Capitólio, em 15 de outubro de 1764), não fica na página tal, mas na "location 6.335-47".
Comecei minha kindleteca com mais dois ensaios que precisava ler com urgência, Reality Hunger, de David Shields, e You Are Not a Gadget, de Jaron Lanier, seguidos de algumas amostras grátis, para eventual compra, entre as quais o último romance de Don DeLillo, Point Omega. Eis o que mais nos move a recorrer à versão digital de um livro: a pressa de consumi-lo. Se pudesse comprá-lo, impresso, na livraria da esquina ou recebê-lo pelo correio em menos de 24 horas, minha kindleteca teria menos títulos que a mesinha de cabeceira de um BBB - até por ser ínfima a diferença de preços entre os livros e e-books recém-lançados. Solar, o mais novo romance de Ian McEwan, sai por US$ 15.75 em capa dura, e por US$ 14.99 na versão eletrônica.
Há livros baratos e mesmo de graça no acervo Kindle da Amazon, mas lixo, nem de graça, certo? Há clássicos que nada custam, é verdade, pechincha inócua para quem já os leu com lombada e deles não se desfez. O catálogo de e-books da Amazon, praticamente restrito a obras em inglês, tem muitos furos. Nada de Nabokov, Greene, Bellow, Salinger, Pynchon, Edmund Wilson, Mary McCarthy, Gore Vidal. De John Cheever, só uma modesta seleta de oito contos. De J. M. Coetzee, seu último romance, Summertime: Fiction, e olhe lá.
Duvido que o livro, o maior artefato civilizador inventado pelo homem, esteja com os dias contados. Não tenho como provar sua imperecibilidade, mas como seus tecnófilos coveiros tampouco têm como provar a inevitabilidade de sua obsolescência, fiquemos no concreto: o livro tem 550 anos de serventia e seu avatar eletrônico, menos de 20 anos de experimento e alguns meses de modismo. Frívolo modismo, em muitos casos. Gente que não tinha o hábito de ler - gostar de ler, eis a questão - não modificará seus hábitos motivada, exclusivamente, pelo Kindle.
Assim como o CD não acabou com o vinil, o cinema não acabou com o teatro, nem a TV com o cinema, por que duvidar que algo tão prático e entranhado em nossas vidas como o livro impresso possa desaparecer para sempre? Seu desaparecimento seria inevitável sobretudo por razões econômicas, já que as crescentes despesas com papel, impressão, encadernação e distribuição tendem a inviabilizar a produção do livro tal como o conhecemos. Ocorre que os gastos com todos aqueles itens devoram apenas 20% de seu preço de capa.
Das notórias vantagens do livro eletrônico (suas páginas não viram à nossa revelia, ao sabor do vento; se um é roubado, compra-se outro e baixam-se de novo os títulos já adquiridos, etc.), nenhuma é mais enaltecida que a sua portabilidade e sua capacidade de armazenamento. Num Kindle, cabe uma biblioteca inteira. Mas quantos tomos somos capazes de devorar num feriado ou nas férias?
A despeito do enorme potencial do livro eletrônico, seu sucesso ainda é, et pour cause, relativo. Caro, ele responde por apenas 5% do mercado de livros e o grosso de sua freguesia pertence à geração baby boomer (gente na faixa dos 46-64 anos). A clientela mais jovem talvez estivesse esperando pelo iPad, o superKindle que a Apple afinal lançou no sábado passado e cuja variedade de recursos deixa no chinelo todos os leitores eletrônicos existentes no mercado.
O iPad é um misto de e-reader com notebook, TV e celular inteligente, e suporta imagens em cores, ao contrário do Kindle e similares, monocromáticos e monocórdios. Até luditas enrustidos gostaram do brinquedo, mas ainda é prematuro proclamar Steve Jobs como o Gutenberg do novo milênio.
Fonte:http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100410/not_imp536306,0.php 

O ABC do livro infantil digital



Todos os dias Nicolli, de 3 anos e meio, pede à mãe, a professora de língua portuguesa Cristiane Rodrigues de Oliveira, de 31 anos, que leia  uma história. Seja sobre uma princesa de contos de fada ou uma adaptação de um dos clássicos de Monteiro Lobato, a leitura pode ser em duas versões que, para  ela, são indiferentes. Nicolli espalha os livros de papel no chão ou pega o modelo eletrônico dentro de seu iPad e ergue sobre a cabeça, brincando de ler.
José Patrício/AE
José Patrício/AE
Nicolli, 3 anos, brincando de ler com livros tradicionais e com a versão digital disponível no iPad
Para conquistar os futuros leitores, editoras como a Globo Livros e a Abril Educação se preparam para conquistar o público infantil com lançamento de título clássicos, como a adaptação de Reinações de Narizinho, em tablets voltados aos pequenos. Os tablets, como o iPad,  são modernos computadores portáteis concebidos para serem usados no dia a dia para jogos, agendas e, especialmente, leitura.
Entre as possibilidades abertas pelo avanço tecnológico, as crianças de hoje têm a oportunidade de adquirir o gosto pela leitura diretamente nas ferramentas digitais de tablets. “A Nicolli pede para eu contar em um formato ou em outro. O bom do iPad é que ela pode ‘ler’ sozinha, pois o aplicativo narra a história conforme vai passando as páginas”, conta a mãe Cristiane, dona do iPad e “supervisora” dos contatos da filha.
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“A criança que está aprendendo a ler hoje, com certeza, terá acesso a um iPad ou a um outro tablet no futuro. Desde que a criança leia, não há problema. O que importa é o texto, não a ferramenta”, acredita a mãe de Nicolli.
Para os educadores, essa migração para a leitura digital tem a vantagem de oferecer interatividade aos leitores e estimular o interesse. Mas a mesma riqueza de recursos multimídias pode ser responsável pela dispersão. “Essas potencialidades do iPad seriam mais interessantes para alguém que já tem experiência prévia de leitura”, crê o professor e supervisor de língua portuguesa do Colégio Santo Américo, José Ruy Losano.
A estudante Stephanie Conolly Carolino, de 13 anos, ganhou um tablet no Natal de 2010 e o divide com a irmã mais velha. Somente agora, no entanto, Stephanie encontrou um livro que a interessasse. “Sentia falta de algo mais dinâmico na leitura. Vi uma reportagem sobre o livro Alice no País das  Maravilhas e me interessei. É mais interativo. Posso tocar nas gravuras e assisti-las com movimentos”, conta a estudante.
O presente foi dado pela mãe, a representante comercial Edinalba Conolly Carolino, de 48 anos, justamente pela quantidade de recursos disponíveis. “Achei que haveria uma leitura interessante. E elas estão sempre ligadas nesse meio tecnológico”, afirma.
Stephanie usa o aparelho mais para trabalhos escolares e jogos. O prazer da leitura pelo tablet foi descoberto por ela só recentemente. “Com tantos recursos, o iPad chama mais a atenção. Mas não se pode, em nome desses recursos, deixar o texto de lado. São as palavras que importam”, diz o professor de português do  Colégio Santa Maria, Adriano Silva dos Santos.
PRÓS
- A interatividade, com narração e animação, estimula a leitura
- O iPad e outros tablets podem carregar diversos livros e dar a chance ao leitor de procurar mais informações na internet
- Apesar do alto custo dos aparelhos, o preço dos livros digitais nos tablets é menor do que o custo dos livros de papel
CONTRAS
- A interatividade pode causar dispersão e atrapalhar a leitura
- Ainda há pouca variedade de livros em português à venda
- O preço dos tablets ainda não é acessível à maioria da população
- Computadores portáteis se tornam obsoletos rapidamente, substituídos por outras versões

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vida,o-abc-do-livro-infantil-digital,701650,0.htm

domingo, 26 de junho de 2011

O Projeto, 'atualizações'

20/06/11

Mais 110 livros doados para a biblioteca da Escola classe 03 e 50 livros doados para que os professores sorteassem entre os alunos.
No total 160:




Psicanalista faz ensaio sobre o ato da não-leitura


Como Falar dos Livros
Que Não Lemos?
Pierre Bayard
Objetiva, 208 págs., R$ 29,90
Neste ensaio provocador, o psicanalista francês Pierre Bayard mostra que é possível a um indivíduo participar de uma discussão sobre um livro que não leu com alguém que também não o leu. Ele cria categorias para classificar os livros: os que não lemos, os que folheamos, os esquecidos e aqueles dos quais ouvimos falar. Ele defende a tese de que a não-leitura não é a ausência de leitura, mas um ato que serve ao relacionamento do sujeito com o universo das informações, organizando o leitor em relação às inúmeras publicações em circulação. Segundo Bayard, o livro, antes de ser um meio de impressionar os outros, é uma forma de o leitor encontrar a si mesmo. A tradução é de Rejane Janowitzer.
Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080120/not_imp112015,0.php

sábado, 25 de junho de 2011

Textos para ressaltar o interesse pela leitura


Professor titular de Teoria Literária na Unicamp, Franchetti apresenta neste livro os desafios da crítica. "É atribuição da crítica, segundo o autor deste livro, descobrir o interesse novo no objeto inatual, bem como destacar a persistência do gesto antigo no interesse mais recente. É parte importante do ofício reconstruir o diálogo dos mortos, repor as questões que debatiam para, a partir desse ângulo reconstruído com a coerência possível, vislumbrar o caminho que percorreram aquelas vozes até nos tocarem no nosso próprio tempo." O livro reúne 17 textos, cujo objetivo comum foi destacar o dado que parece novo ou que pode ser descrito de uma forma inovadora, fazendo ressaltar o interesse contemporâneo da leitura.
Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20070805/not_imp29736,0.php

sexta-feira, 24 de junho de 2011


Lisboa distribuirá livros nos ônibus para incentivar leitura


A empresa pública de transporte de Lisboa Carris e a editora Objectiva lançaram uma iniciativa para distribuir capítulos de livros nos ônibus da capital portuguesa com o objetivo de aumentar o número de leitores.
A primeira leitura será distribuída no próximo dia 19 e se trata de um capítulo do livro Querido Gabriel, uma carta de um pai a um filho que sofre de autismo, do escritor norueguês Halfdan Freihow. O livreto terá 16 páginas e será produzido em formato de bolso (10x15cm). 
Segundo Alexandre Vasconcelos e Sá, da Objectiva, serão distribuídos 25 mil livros com capítulos ou trechos de livros que a editora está lançando. Ele explica que o livreto distribuído no transporte público funciona como um "aperitivo", impulsionando o leitor e usuário do transporte a comprar o livro. 
"Nosso objetivo é aumentar o número de leitores em Portugal. Atualmente, Portugal é o país com menor número de leitores da União Europeia. Segundo as estatísticas, 54% dos portugueses não leem livros", afirmou Vasconcelos e Sá. 
"Pretendemos atingir o maior número de pessoas. Vamos distribuir nas linhas de maior movimento, no horário que transportamos mais passageiros", disse Luís Vale do Couto, secretário-geral da Carris. 
A empresa tem 750 ônibus e 55 bondes que transportam diariamente 600mil passageiros. A editora investirá de 3 mil euros (R$7,7 mil) para cada livro e a empresa Carris ficará encarregada da distribuição. 
"Para nós o investimento é mínimo. Apenas contratamos quatro promotoras, que são jovens estudantes que entrarão nos veículos com um uniforme e conversarão com os passageiros para ver se estão interessados em ler o livro", diz Vale do Couto.
 Outras obras
Segundo a editora, a distribuição será direcionada e feita com base nos estudos de tráfego da empresa transportadora. Dessa forma, é possível identificar quais as linhas que transportam mais turistas, idosos, jovens, além dos horários de maior movimento para direcionar a leitura que mais interessaria os usuários.
A lista das obras que serão publicadas e distribuídas nos ônibus de Lisboa já está definida. Depois da obra de Freihow, em dezembro será a vez de um trecho do livro A Estirpe, do cineasta mexicano Guillermo del Toro.
A lista inclui ainda um título brasileiro. "Vamos distribuir um livro com trechos do livro Eu que amo tanto, da brasileira Marília Gabriela", diz Vasconcelos e Sá.
Fragrância
De acordo com a Carris, a parceria com a Objectiva faz parte de uma tentativa de fazer com que mais pessoas passem a deixar o carro em casa para andar em Lisboa.
"Este é apenas um de vários projetos que têm a meta de mudar a imagem da empresa, fazer com que usem mais o transporte público", afirmou Vale do Couto. m dos investimentos da empresa é em ter perfumes nos ônibus.
"Nos ônibus novos, estamos introduzindo três fragrâncias, com cheiros típicos portugueses: canela, manjericão e o cheiro do Rio Tejo, ligeiramente cítrico".
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,lisboa-distribuira-livros-nos-onibus-para-incentivar-leitura,465917,0.shtm

MP3 ajuda na 'leitura' de livros


Toda quarta-feira, com o filho já na escola e o marido trabalhando, Andreia Aparecida da Silva Queiroz, de 30 anos, senta-se confortavelmente no sofá para "ler" uma revista. Abre o envelope que recebe pelo correio com o CD e o coloca para tocar no MP3.
Cega há quatro anos, após o deslocamento de retina nas duas vistas, Andreia informa-se do noticiário semanal pela voz de um profissional que lê a publicação, gravada em CD e distribuída para 728 deficientes visuais. A gravação é feita às segundas, entre 7 e 11 horas, em um dos estúdios da Fundação Dorina Nowill, e os CDs são despachados à tarde.
Poderia até ser mais rápido, mas a lei de direitos autorais no Brasil não permite a disponibilização do áudio na internet. Já em braile, até ser transcrita e impressa, a notícia estaria velha. Cada cópia somaria 300 páginas a um custo, pelo menos, 15 vezes mais alto.
O avanço da tecnologia provocou uma revolução no antes restrito acesso à informação por deficientes visuais, ao permitir gravar áudios com maior rapidez e custo baixo.
A Fundação Dorina Nowill, que guarda o maior acervo para deficientes visuais do País, tem três vezes mais livros falados e digitais do que em braile.
São 2,3 mil títulos, dos quais 1,4 mil lidos e 900 transcritos para voz digital por computador. Em braile, há 700. Por ano, são transcritos 350 livros falados, 600 digitais e 250 em braile.
O Programa Ler para Crer, da Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo, tem disponibilizado parte do acervo de áudio, em CDs, às bibliotecas públicas e telecentros. Periódicos, didáticos, títulos literários e até manuais de uso de eletrodomésticos são gravados e distribuídos gratuitamente. "Ele compra uma geladeira nova e o que faz?", diz a médica Suzy Maluf, gerente de distribuição de livros da Fundação Dorina. "O acesso à informação é um instrumento fundamental de inclusão pois permite ao deficiente visual se atualizar e conversar sobre os assuntos com quem pode enxergar."
Outra vantagem do MP3 é a portabilidade. Quem precisasse de um minidicionário para aulas de inglês carregaria 53 volumes de cem páginas cada em braile. Hoje, leva no bolso, em CD.
O primeiro romance lido por Andreia após perder a visão foi Olga, de Fernando Morais, em longas 800 páginas. "Não fui alfabetizada em braile porque perdi a visão já adulta, então, ainda tenho dificuldade para ler os pontinhos. Levei três meses para acabar Olga! Hoje, "leio" quatro ou cinco livros em CD num só mês. Esta semana foram três."
Fonte: http://topicos.estadao.com.br/noticias-sobre-leitura,8

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Leitura sensível e eficaz para Diálogo das Carmelitas

Leitura sensível e eficaz para Diálogo das Carmelitas 
Em uma das cenas mais fortes da ópera Diálogo das Carmelitas, a madre superiora questiona em violento delírio, pouco antes de morrer, o sentido de sua vida de devoção, a existência de Deus e o significado da morte. A passagem oferece uma possibilidade de leitura para a obra, que narra a história de irmãs carmelitas forçadas, em meio à Revolução Francesa, a abandonar o hábito, sendo levadas à forca. O que teria atraído nessa trama o compositor Francis Poulenc e o escritor Georges Bernanos, autor do roteiro que acabaria se tornando o libreto da ópera? É bem provável, na Europa do pós-guerra, que a sensação de quebra de certezas e a oposição entre liberdade individual e vida em sociedade, além, claro, do forte caráter religioso dos autores.
Na sucessão de cenas criadas por Bernanos, tudo é intenso, dos questionamentos de Blanche ao procurar o convento à cena final, passando pelos conflitos individuais das irmãs. Por isso mesmo, é acertada a decisão do diretor William Pereira de abrir mão de toques épicos em nome de uma concepção que flerta com o minimalismo, trabalhando em cima de cenários funcionais que ressaltam de modo sensível o drama. Sua concepção nasce da música e se transforma em teatro. Por sua vez, o maestro Marcelo de Jesus retira da Amazonas Filarmônica todo o seu potencial expressivo, em uma leitura eficiente na criação dos momentos centrais do drama e permitindo aos cantores que explorem a riqueza vocal de seus papeis.
O elenco, homegênio, foi responsável por grandes momentos de canto na récita de domingo, com destaque para a meio-soprano Denise de Freitas e as sopranos Isabelle Sabriè, Gabriella Pace, Michelle Cannicioni e Ruth Staerke, como a madre superiora. Entre os homens, o tenor Flávio Leite, de timbre bonito, soube recriar com habilidade a figura do irmão de Blanche, preso entre o apego aos valores em decadência da classe dominante e o carinho pela irmã, a quem quer proteger. 
Fonte:http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110505/not_imp715094,0.php

quarta-feira, 22 de junho de 2011

''O desafio é tornar a leitura interessante nos E-BOOKS''


''O desafio é tornar a leitura interessante nos E-BOOKS''



John Makinson CEO da Penguin americana
Uma exigência da Penguin na parceria com a Companhia das Letras foi que todos os livros da coleção Clássicos também saíssem no formato digital. Por quê?
Nos EUA, o mercado de e-readers vem crescendo rapidamente. Em pouco tempo, eles se tornaram plataformas atraentes para o leitor. No Brasil, as opções de leitores eletrônicos em celulares ou tablets ainda são incipientes, mas aposto que em poucos anos haverá um mercado significativo. Essa é uma razão. Outra razão foi entendermos que é possível oferecer bom material extra na literatura em formato digital. Por exemplo, se você pega Jane Austen, Orgulho e Preconceito, pode enriquecer o conteúdo digital com descrições de características do período, informações históricas sobre lugares onde os fatos se passam, trabalhos críticos. Tenho confiança na ideia de testar limites editoriais e acho que o Brasil logo terá mercado para isso. Você, que vê esse mercado de perto, o que acha?
O que me chama a atenção é o receio que editores têm de apostar nesse mercado. Tivemos em São Paulo um congresso sobre livro digital, e era dúvida recorrente a questão dos lucros. É possível lucrar com e-books?
Sim, claro que sim, porque o e-book não exige nada de manufatura, não exige investimento em distribuição e estoque. Você ainda tem o investimento, é claro, na edição, na divulgação do livro, mas não há custos físicos. Então a questão é: você pode determinar o preço do livro de forma que o consumidor fique satisfeito, e também o editor? Essa é uma das questões sobre as quais vou falar na Flip.
Já é lucrativo para a Penguin?
Sim, claro. Por que não seria?
Devido à pirataria, por exemplo. Sim, isso é um fato. Mas no mercado do livro não tem sido como foi no da música. Há várias diferenças. Uma é que a psicologia do consumidor é outra. Na música, é interessante para jovens ter enorme quantidade de faixas no iPod, milhares delas. Não é cool ter milhares de livros no e-reader, porque ninguém conseguirá lê-los. Isso é um ponto. Outro ponto é que a indústria da música descobriu que o consumidor não queria comprar o álbum, e sim a faixa. Então o modelo desenvolvido por muito tempo não era o ideal. Não é o caso do livro. Não temos evidência de que as pessoas estejam interessadas em comprar capítulos, elas querem o livro. E, em terceiro lugar, as pessoas têm relação sentimental com o livro. Uma coisa importante na Penguin é a certeza de que os livros sejam bonitos para que as pessoas queiram ter e colecionar.
Mas na música também havia relação sentimental com álbuns. Será que as novas gerações terão essa relação com os livros?
Não sei! Creio que sim. Acho que há algo duradouro na relação sentimental com o livro. Nos EUA a oportunidade para pirataria e infração de direitos autorais já existe há muitos anos, há muitos sites de upload de conteúdo de livros. Não digo que não seja um problema. É um problema, mas não é "o" grande problema como na música. As vendas na Penguin continuam bem. Não estamos encolhendo, estamos crescendo.
Qual a parcela de livros da Penguin vendida no formato digital?
Os e-books chegam a 10% das nossas vendas. O que percebemos foi que há livros mais adequados para o formato digital que outros. Não são categorias totalmente consistentes, mas um novo best-seller, por exemplo, tem mais potencial para conteúdo extra na versão digital que um clássico, já que o próprio autor pode produzir esse conteúdo. O que é interessante é tentar entender o que o consumidor não compra quando compra o e-books, se deixa de comprar o livro hardcover (de capa dura, em geral a primeira edição de livros nos EUA) ou o paperback (tipo brochura).
Você foi citado no ranking dos nomes mais importantes da mídia em 2010 segundo o MediaGuardian por ações no mercado digital. Quais os próximos passos da Penguin nesse sentido?
O interessante desse ranking foi o argumento de que estamos redefinindo a indústria do livro. Alguns dos aplicativos que estamos desenvolvendo serão bem diferentes de tudo o que fizemos até agora. A maneira como apresentamos informações de viagem no iPad, ou como fazemos livros ilustrados para criança virem à vida, ou ainda como envolvemos redes sociais e comunidades de um jeito novo no mercado para adolescente. Isso tudo é muito novo e requer novas habilidades de editores. Significa que temos de entender novas tecnologias, novos critérios para determinar preços, temos de ser criativos na maneira de pensar no leitor. Não diminuo as questões que você levantou, a pirataria, a preocupação com lucro, são questões sérias. Mas, acima de tudo, estamos muito otimistas.
A digitalização de clássicos que o Google promove pode prejudicar as vendas da Penguin?
Bem, você pode obter no Google os clássicos em domínio público, mas, se fizer isso, a experiência de leitura não será atraente. Eles digitalizam e escaneiam manuscritos originais, e estes são os velhos, difíceis de ler. Mas eles no Google são espertos, logo darão jeito de melhorar isso. Com isso, nos desafiam a pensar em como tornar os Clássicos da Penguin realmente atraentes por seus preços. A questão é: o que você compra quando compra nossos clássicos é design, introduções, qualidade de tradução, notas de rodapé. Devemos deixar claro para o leitor o que temos de diferente, porque estamos propondo que comprem por uma quantia razoável de dinheiro algo que podem conseguir de graça. É um desafio interessante.