Uma casa de "contação" de histórias
Texto
Amanda Polato
Amanda Polato
O projeto de Lucélia foi reconhecido pelo MEC como ponto oficial de leitura de sua cidade
A paranaense Lucélia de Cássia Clarindo, 47 anos, é apaixonada por leitura desde pequena. Formou-se professora aos 19 anos e, desde então, criou vários projetos de leitura para seus alunos. Porém, um problema respiratório obrigou-a tirar licença médica, o que não a impediu de continuar: ela abriu a varanda de sua casa para as crianças lerem e ouvirem histórias.
A garotada chega, escolhe um livro, e ela se prepara para a encenação. Cada história do acervo de Lucélia possui alguns objetos que a ela usa na hora da narração e que ajudam na integração das crianças. “Levo para a roda uma mala fechada e faço um certo suspense para abri-la. Todos ficam ansiosos!”, conta.
Lucélia se transforma ao contar as histórias. "Falo tudo em tom de verdade absoluta. Eu vivo o que narro, mergulho nos personagens. Mudo a voz e os trejeitos e busco expressar todas as sensações envolvidas na história", explica.
Toda a família da professora acabou entrando na dança. Seus três filhos estão seguindo os passos da mãe e também são contadores de histórias - um deles, inclusive, faz o acompanhamento ao violão. Sua sogra ajuda organizando o lanche das turmas.
Apesar de os recursos serem tão simples, as crianças ficam bem concentradas. Elas também aprendem a ler histórias umas para as outras. E, sem ter obrigação nenhuma, voltam todas as quartas-feiras - o que serve como gratificação para Lucélia.
O gosto pela leitura vem da infância, quando a professora ouvia contos de fadas e histórias de terror narradas pela mãe. Outro fato que contribuiu foi o de morar em um sítio sem energia elétrica, o que acabou forçando-a a ler para conhecer as coisas do mundo.
"Quando eu comecei a estudar era muito, muito tímida - daquelas pessoas que olham para o chão e não falam com ninguém. Isso passou depois que dei minha primeira aula, no magistério" conta.
Lucélia fez cursos e oficinas de teatro, o que tornaram-na mais espontânea. Também se especializou em dinâmicas de leitura. A combinação entre magistério e teatro mudou sua trajetória. Além disso, foi no teatro que conheceu seu marido e fez amigos que acompanham seus trabalhos e a ajudam até hoje.
O projeto Bando de Leitura, como foi nomeada a iniciativa da paranaense, foi reconhecido pelo Ministério da Culturacomo Ponto de Leitura oficial da cidade de Ponta Grossa e agora faz parte da Rede Biblioteca Viva. Graças a isso, a professora vai receber 500 livros - já tinha 200 -, um computador completo, estantes, mesa, cadeira, almofadas e tapete para garantir que a contação de histórias continue.

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