Criei uma biblioteca num jegue
Texto
Daniela Torres
Uma das bibliotecas ambulantes de Alto Alegre do Pindaré, no Maranhão
Eu trabalho no Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (Cedac) que atua em municípios com carência de leitura. Para cada projeto que eu abraço, dedico cerca de três anos. Como formadora de professores, minha missão é incentivar a leitura e aumentar o nível de alfabetização dos moradores locais. Em 2003 eu fui para Alto Alegre do Pindaré, no Maranhão. Foi lá que eu inventei o ‘jegue livro’, uma espécie de biblioteca andante.
O primeiro passo foi me reunir com os professores e diretores locais para estudar as estratégias a utilizar. O ideal é sempre focar na forma mais barata de espalhar a leitura. Como no Maranhão tem muito jegue e ele é usado pra tudo, eu pensei: Por que não usá-lo também para transportar livros?. A princípio a idéia foi rejeitada pela maioria dos diretores, porque eles não sentiam orgulho do animal. Então, expliquei que ele estaria transportando cultura. E aí uma só uma! das diretoras comprou a idéia.
O projeto foi inaugurado em 2004 e foi um sucesso de cara! Os donos dos jegues fizeram parceria com as escolas. Funciona mais ou menos assim: os livros que a gente disponibiliza ficam na Casa do Professor. Os diretores pegam e levam as obras para as escolas, de onde saem os jegues carregados de livros. O bicho pára numa sombra de algum bairro e fica lá por horas. As obras são estendidas, e o pessoal chega junto.

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