segunda-feira, 18 de julho de 2011


Política e literatura na mesa de Freeman e Krauze


'No calor da hora', mesa de número 10 da 9ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), reuniu pela manhã de hoje os editores de duas das revistas literárias mais prestigiadas do momento. O americano John Freeman, de Granta, e o mexicano Enrique Krauze, da Letras Libres.
Na abertura, o mediador João Cezar de Castro Rocha, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), justificou o tema no encontro de publicações dedicadas a “uma avaliação do presente imediato”, tanto da política como das artes.   
O mexicano estabeleceu uma linha de continuidade entre a Letras Libres e sua precursora, a mitológica Vuelta, na qual trabalhou por 23 anos em colaboração com seu conterrâneo Octavio Paz. Krauze relacionou o perfil editorial das duas à “volta” ideológica de Paz, identificado na juventude com os ideais da revolução russa, mas que retornou aos valores democráticos que pautaram a origem das repúblicas hispânicas na América Latina.
Ao apresentar seu livro Os redentores – Ideias e poder na América Latina, em lançamento na Flip pela editora Benvirá, Krauze criticou a persistência no continente de um ideal de “redenção pela revolução social” produzido pela revolução cubana de 1959 e emulado ainda hoje por líderes messiânicos como o venezuelano Hugo Chávez. “O último revolucionário marxista vai morrer em uma universidade latino-americana. E ainda vai demorar”, disse Krauze, arrancando risos da plateia.  
John Freeman, por sua vez, disse que a literatura transcende a política e que esta, numa publicação como a Granta, aparece na forma de “uma estética moral, na escolha de palavras que vão ampliar o que os leitores irão querer para si mesmos”. O americano nascido em Cleveland, Ohio, e criado na Califórnia também falou de seu livro A Tirania do E-mail e de seu comentado ensaio “Manifesto por uma Comunicação Lenta”.
Freeman comparou os excessos da atual cultura da informação com as desumanas jornadas de trabalho que se sucederam à revolução industrial. Com bom humor, ironizou os “zumbis tecnológicos” de nossos dias, que não abandonam computadores, celulares e tablets “nem para ir ao banheiro”. E deu um conselho para o público da Flip: “Slow down!” Vamos com calma.


Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,politica-e-literatura-na-mesa-de-freeman-e-krauze,742813,0.htm

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