sábado, 2 de julho de 2011

A importância da mãe na descoberta do hábito da leitura



Um convite foi feito para diversas mães nos primeiros dias da Bienal do Livro: gravar um depoimento sobre como incentivar a leitura entre os filhos. A ação partiu do Instituto Pró-Livro, que encomendou uma pesquisa ao Ibope, chamada Retratos da Leitura no Brasil, para avaliar a importância materna no descobrimento da leitura.
Os números são curiosos - segundo a pesquisa, um em cada três leitores tem lembranças da mãe lendo algum livro e 49% deles creditam ao afeto materno o grande incentivador no processo de ler por prazer. Já entre as crianças de 5 a 10 anos, 73% citam as mães como quem mais as estimularam a ler.
A partir desses dados, equipes do Instituto Pró-Livro gravaram depoimentos no fim de semana e prometem repetir a dose no próximo, quando termina a Bienal. As declarações serão disponibilizadas no site do instituto e editadas para a produção de um vídeo a ser utilizado em campanhas de estímulo à leitura.
Em um primeiro momento, já foram coletados depoimentos de leitores famosos como Matheus Nachtergaele, Tony Ramos, Walcyr Carrasco e Mauricio de Sousa. Também pessoas não conhecidas contaram suas histórias. Algumas primeiras conclusões já surgiram - a biografia do bispo Edir Macedo (O Bispo, de Douglas Tavolaro, editado pela Larousse do Brasil) desponta como uma das obras mais citadas. Há também a história de uma mãe que, ao não saber mais como fazer para o filho se interessar pela leitura, resolveu o problema ao lhe dar uma revista Playboy.
Outra pesquisa divulgada durante a Bienal busca detalhar a importância do livro no orçamento familiar. O estudo foi realizado com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, divulgado em 2007. Os dados permitiram traçar o perfil do mercado consumidor, por nível de renda, escolaridade, local de compra e outras variáveis importantes. O único detalhe desabonador é que as informações obtidas não são recentes - foram coletados ao longo de 12 meses (julho de 2002 a junho de 2003), em uma amostragem de aproximadamente 50 mil domicílios, distribuídos em áreas urbanas e rurais de todos os Estados do País.
Encomendada por oito entidades ligadas ao mercado editorial e coordenada pelo pesquisador titular do IBGE Kaizô Iwakami Beltrão, a pesquisa O Livro no Orçamento Familiar mostra que gastos anuais com o conjunto de itens de material de leitura foram de R$ 5,471 bilhões, somando-se o total de despesas com revistas, jornais, livros didáticos e não didáticos, fotocópias, livros religiosos, técnicos, dicionários, apostilas e bibliotecas.
Ao se dissecar esse número, descobre-se que o gasto médio anual com revistas, por família, chega a R$ 42. Com jornais, esse dado é de R$ 17, enquanto as despesas com livros não didáticos é quase quatro vezes menor - apenas R$ 11 por ano, ou seja, apenas 0,05% da renda familiar.
A pesquisa mostra ainda que é pequena a porcentagem da população brasileira que adquire livros não didáticos: 7,47%. Os números poderão ser checados no próximo ano, quando o IBGE terminar de tabular a nova pesquisa, agora compreendendo o período entre julho de 2008 e junho deste ano. 
Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090916/not_imp435574,0.php

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