sábado, 20 de agosto de 2011


Devotas dos livros


Sem a menor sombra de dúvida, 50% do que aconteceu no plano editorial, em que já cruzamos a barreira dos 135 milhões de exemplares vendidos, é responsabilidade da minha agente literária Mônica Antunes." As palavras do escritor Paulo Coelho, em entrevista exclusiva ao Feminino, revelam o poder e a importância deste profissional, que atua fazendo a ligação entre autores e editoras, mas que ainda é dificilmente encontrado no Brasil.
Função. Segundo Lucia Riff, o papel do agente é múltiplo
Diversos são os motivos, como o fato de não se publicar tantos títulos no Brasil como se faz, por exemplo, na Espanha, Inglaterra e Estados Unidos, ou pela simples razão de os próprios autores ainda desconhecerem o trabalho de um agente. "Aqui, o agente literário ainda é uma figura rara. Já no exterior, são eles que detêm a maior parte dos direitos sobre as obras que desejamos comprar e traduzir no Brasil", explica Vivian Wyler, gerente editorial da Rocco, no mercado há mais de 30 anos e responsável pela edição de obras completas como a de Clarice Lispector e J. K. Rowling, autora de Harry Potter.
Para a agente literária Alessandra Pires, que tem 40 clientes e atua na área desde 2003, a escassez de profissionais é também reflexo do fato de o Brasil não ter a tradição de vendas de direitos autorais lá fora, mas sim ser um comprador de direitos autorais. "Nos Estados Unidos, quase todos os autores têm um agente, aqui não chegamos a 10", acredita. "Um dos maiores entraves é a língua, já que o segmento é dominado pelo inglês e espanhol. É muito caro traduzir uma obra para apresentá-la lá fora. É por isso que eu não invisto no mercado estrangeiro", avalia.
 
Direitos. Alessandra Pires acompanha todo o processo
O grande facilitador. O maior objetivo do agente literário é apresentar o trabalho do autor para uma editora que corresponda ao mesmo perfil da sua obra. "Há situações em que os autores mandam romances para editoras que só publicam livros de não-ficção. O grande diferencial do agente literário é saber qual texto pode ser absorvido por determinada editora. Dessa forma, as chances de publicação são maiores", conta Alessandra.
Na verdade, a figura do agente literário é a de um facilitador para ambas as partes, pois, além de filtrar a produção literária que será apresentada às editoras, o agente sabe lidar com os contratos de edição, conhecimento necessário que os autores não têm. Até encontrar "o lar certo para o autor", como se diz no meio, o trabalho é árduo e exige muita paciência e persistência. Consiste em leituras exaustivas dos originais, e em enviá-los às editoras, cobrá-las, fazer propostas, ofertas, redigir os contratos e envolver-se em negociações até que a parceria seja firmada e formalizada.
A partir daí o trabalho continua. "Tudo que envolve direitos autorais, direitos de imagem, passa pelo agente literário. Desde a escolha da melhor editora, avaliação de projetos, de convites, preparo e avaliação de contrato. Nossa função é estar ao lado do autor e ajudá-lo em todas as decisões ligadas à sua obra e à sua imagem para qualquer pessoa ou empresa que queira utilizar ou adaptar a obra do autor, como diretores e produtores de teatro, de cinema e de televisão, organizadores de eventos, publicidade e muitos outros", conta Lúcia Riff, uma das mais renomadas agentes brasileiras, com invejável cartela de clientes.
Na sua conta, listam nomes como Rachel de Queiroz, Mario Quintana, Ariano Suassuna e Carlos Drummond de Andrade. "Lucia sempre apresenta novas oportunidades para a difusão da obra de Drummond. Graças à ela, nunca tivemos nenhum inconveniente ou mal entendido", conta Pedro Drummond, neto de um dos mais importantes autores brasileiros.
Ao lado dos autores nacionais, figuram na cartela dos agentes literários, muitos clientes estrangeiros. "Esses clientes são agências literárias e editoras de vários países representadas por nós no Brasil e, em alguns casos, também em Portugal", conta Lúcia.
Conhecimento. Sem a exigência de um diploma específico, o trabalho do agente literário é pautado pelo conhecimento detalhado da lei de direitos autorais nº 9610/98. "Nós atuamos em nome do autor para proteger seus direitos relacionados à obra, e, se for preciso, iniciar qualquer ação, incluindo ação legal, para obter compensação por prejuízos que forem causados ao proprietário pelo não cumprimento dos termos do contrato", conta Mônica, que fundou a Sant Jordi Agência Literária, em Barcelona, em 1994, com a missão de representar exclusivamente a obra de Paulo Coelho.
Ela bateu de porta em porta para apresentar às editoras as primeiras obras do autor. Hoje, trabalha diretamente com mais de 120 editoras, em 70 países, com cerca de 455 traduções dos seus títulos publicados em 71 idiomas. "Nosso objetivo é maximizar o valor do trabalho do autor. O que move o agente literário é o amor pela literatura", conta.
Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,devotas-dos-livros,591280,0.htm

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